{"id":22458,"date":"2025-07-01T12:05:11","date_gmt":"2025-07-01T15:05:11","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=22458"},"modified":"2025-07-01T12:05:15","modified_gmt":"2025-07-01T15:05:15","slug":"funcionaria-e-impedida-de-sair-para-o-parto-e-gemeas-nao-sobrevivem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/funcionaria-e-impedida-de-sair-para-o-parto-e-gemeas-nao-sobrevivem\/","title":{"rendered":"Funcion\u00e1ria \u00e9 impedida de sair para o parto e g\u00eameas n\u00e3o sobrevivem"},"content":{"rendered":"\n<p>A Justi\u00e7a do Trabalho de <strong>Lucas do Rio Verde (MT)<\/strong> determinou que a <strong>BRF<\/strong>, uma das maiores multinacionais do setor aliment\u00edcio, pague <strong>R$ 150 mil<\/strong> em <strong>indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais<\/strong> a uma ex-funcion\u00e1ria, imigrante venezuelana, que <strong>perdeu suas filhas g\u00eameas<\/strong> ap\u00f3s entrar em <strong>trabalho de parto<\/strong> sem receber assist\u00eancia da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso aconteceu em <strong>abril de 2024<\/strong>, quando a trabalhadora, gr\u00e1vida de <strong>oito meses<\/strong>, come\u00e7ou a passar mal logo no in\u00edcio do expediente. Ela relatou sintomas como <strong>tontura, n\u00e1usea, dores intensas e dificuldade respirat\u00f3ria<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo ap\u00f3s reiterados pedidos de ajuda ao supervisor e \u00e0 lideran\u00e7a imediata, foi impedida de deixar o setor, sob a justificativa de que a linha de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia parar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"500\" src=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-15.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-22460\" style=\"width:870px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-15.png 800w, https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-15-300x188.png 300w, https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-15-768x480.png 768w, https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-15-150x94.png 150w, https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/image-15-750x469.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">BRF foi condenada a pagar R$ 150 mil \u00e0 ex-funcion\u00e1ria. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Neglig\u00eancia reconhecida pela Justi\u00e7a<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A <strong>2\u00aa Vara do Trabalho<\/strong> do munic\u00edpio considerou a postura da empresa como <strong>omissa e negligente<\/strong>, violando normas internas e diretrizes de sa\u00fade ocupacional. <\/p>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a reconheceu ainda a <strong>rescis\u00e3o indireta<\/strong> do contrato de trabalho, concedendo \u00e0 v\u00edtima direitos como <strong>aviso-pr\u00e9vio, f\u00e9rias, 13\u00ba sal\u00e1rio, FGTS com multa de 40% e seguro-desemprego<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo testemunhas, a gestante n\u00e3o foi encaminhada ao <strong>SESMT<\/strong> (Servi\u00e7o Especializado em Engenharia de Seguran\u00e7a e em Medicina do Trabalho), conforme prev\u00ea o protocolo corporativo. O pr\u00f3prio enfermeiro da unidade confirmou que o procedimento padr\u00e3o <strong>n\u00e3o foi seguido<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s ser ignorada, a trabalhadora precisou se retirar por conta pr\u00f3pria e esperou em um <strong>ponto de \u00f4nibus<\/strong> na entrada da empresa. Ali, <strong>deu \u00e0 luz<\/strong> \u00e0s filhas g\u00eameas, sozinha. <\/p>\n\n\n\n<p>Ambas morreram minutos ap\u00f3s o nascimento. A empresa argumentou que o parto ocorreu em via p\u00fablica, mas <strong>imagens internas<\/strong> entregues pela pr\u00f3pria defesa mostraram que a ocorr\u00eancia se deu <strong>dentro do per\u00edmetro do frigor\u00edfico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Protocolo n\u00e3o foi acionado<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O juiz <strong>Fernando Galisteu<\/strong> classificou o epis\u00f3dio como \u201c<strong>ofensa de natureza grav\u00edssima<\/strong>\u201d, destacando a <strong>vulnerabilidade interseccional<\/strong> da trabalhadora \u2014 mulher, gestante, imigrante e em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade f\u00edsica. <\/p>\n\n\n\n<p>Com base no <strong>Protocolo de Julgamento com Perspectiva Antidiscriminat\u00f3ria<\/strong> do TST, o magistrado afirmou que o descaso da empresa fere tanto a <strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong> quanto conven\u00e7\u00f5es internacionais de prote\u00e7\u00e3o ao trabalho, como as <strong>Conven\u00e7\u00f5es 155 e 187 da OIT<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten\u00e7a ressaltou ainda que o frigor\u00edfico possui <strong>infraestrutura m\u00e9dica e ve\u00edculos de emerg\u00eancia<\/strong> que poderiam ter sido utilizados, mas n\u00e3o o foram.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cMesmo considerando o argumento da empresa de que o parto levou tr\u00eas horas, houve tempo mais do que suficiente para prestar atendimento m\u00e9dico adequado \u2014 o que n\u00e3o ocorreu\u201d, afirmou o juiz.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Empresa alegou recusa da funcion\u00e1ria<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A BRF sustentou que a colaboradora <strong>teria recusado atendimento<\/strong> do setor m\u00e9dico e que sua gravidez n\u00e3o era considerada de risco. Tamb\u00e9m tentou atribuir a responsabilidade \u00e0 pr\u00f3pria trabalhadora, alegando que <strong>n\u00e3o havia registros formais de acompanhamento pr\u00e9-natal<\/strong> no sistema da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a argumenta\u00e7\u00e3o foi <strong>refutada por grava\u00e7\u00f5es<\/strong>, depoimentos de profissionais da sa\u00fade que atuam na unidade e pela aus\u00eancia de qualquer acionamento ao corpo m\u00e9dico no momento cr\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rescis\u00e3o por justa causa do empregador<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A Justi\u00e7a rejeitou a tese de <strong>abandono de emprego<\/strong> apresentada pela empresa ap\u00f3s o per\u00edodo de licen\u00e7a-maternidade. Para o juiz, a conduta patronal foi <strong>incompat\u00edvel com a manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo de trabalho<\/strong>, caracterizando <strong>justa causa do empregador<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o repercutiu amplamente e reacendeu o debate sobre <strong>condi\u00e7\u00f5es de trabalho, protocolos de emerg\u00eancia e a vulnerabilidade de mulheres imigrantes em ambientes industriais<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Mesmo ap\u00f3s reiterados pedidos de ajuda ao supervisor, a ex-funcion\u00e1ria foi impedida de deixar o setor, pois a linha de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia parar.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":22459,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22458","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22458"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22458\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":22461,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22458\/revisions\/22461"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22459"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}