{"id":22345,"date":"2025-07-06T11:45:00","date_gmt":"2025-07-06T14:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=22345"},"modified":"2025-06-30T18:59:32","modified_gmt":"2025-06-30T21:59:32","slug":"exposicao-sobre-clima-revela-amazonia-que-estrangeiros-nao-imaginavam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/exposicao-sobre-clima-revela-amazonia-que-estrangeiros-nao-imaginavam\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o sobre clima revela Amaz\u00f4nia que estrangeiros n\u00e3o imaginavam"},"content":{"rendered":"\n<p>A imagem da Amaz\u00f4nia como um para\u00edso verde e intocado ainda domina o imagin\u00e1rio popular internacional. Mas essa vis\u00e3o come\u00e7a a ser desconstru\u00edda com a s\u00e9rie fotogr\u00e1fica \u201cSecas na Amaz\u00f4nia\u201d, do fot\u00f3grafo peruano-mexicano Musuk Nolte, em exposi\u00e7\u00e3o na mostra do World Press Photo 2025, na CAIXA Cultural do Rio de Janeiro. <\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho, que denuncia os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na maior floresta tropical do mundo, foi finalista na categoria \u201cFoto do Ano\u201d do prestigiado concurso internacional de fotojornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 37 anos, Nolte se debru\u00e7a h\u00e1 cinco anos sobre o impacto da estiagem no Norte do Brasil. Entre as imagens mais contundentes est\u00e3o registros da bacia do Rio Solim\u00f5es quase vazia, comunidades ribeirinhas isoladas e paisagens que mais lembram desertos do que a tradicional floresta amaz\u00f4nica. <\/p>\n\n\n\n<p>A imagem que ganhou destaque mundial foi feita no rio Tarum\u00e3, em Manaus, num dos dias mais secos da hist\u00f3ria recente da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi dif\u00edcil acreditar que eu ainda estava no centro da Amaz\u00f4nia. O calor era extremo, e em alguns momentos parecia que eu estava no litoral, diante de um cen\u00e1rio \u00e1rido\u201d, relembra Nolte. <\/p>\n\n\n\n<p>O fot\u00f3grafo explica que a jornada at\u00e9 a imagem final exigiu esfor\u00e7o f\u00edsico e paci\u00eancia: a expedi\u00e7\u00e3o de Iquitos, no Peru, at\u00e9 Manaus durou cerca de um m\u00eas, com longos trechos fluviais em que barqueiros se recusavam a seguir viagem com medo de encalhes, devido ao n\u00edvel cr\u00edtico das \u00e1guas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma floresta em crise<\/h2>\n\n\n\n<p>A s\u00e9rie \u201cSecas na Amaz\u00f4nia\u201d retrata uma realidade que, segundo o fot\u00f3grafo, ainda \u00e9 pouco conhecida fora do Brasil. \u201cQuando cheguei \u00e0 cerim\u00f4nia do World Press Photo em Amsterd\u00e3, muitas pessoas se surpreenderam. Elas n\u00e3o sabiam que a floresta podia parecer um deserto\u201d, afirma. <\/p>\n\n\n\n<p>O j\u00fari do concurso destacou o impacto visual das imagens, elogiando a forma como Nolte equilibra o escopo geogr\u00e1fico do problema com a experi\u00eancia humana das popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Nolte, fot\u00f3grafos de mais de 30 pa\u00edses participam da exposi\u00e7\u00e3o com trabalhos sobre temas urgentes como conflitos armados, migra\u00e7\u00e3o, quest\u00f5es de g\u00eanero e, claro, a crise clim\u00e1tica. Ao todo, s\u00e3o 42 projetos vencedores que estar\u00e3o dispon\u00edveis para visita\u00e7\u00e3o no Rio at\u00e9 o dia 20 de julho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Olhar pessoal, impacto coletivo<\/h2>\n\n\n\n<p>O interesse de Musuk Nolte pela Amaz\u00f4nia vem de ber\u00e7o. Filho de uma antrop\u00f3loga, ele passou parte da inf\u00e2ncia acompanhando a m\u00e3e em viagens \u00e0 floresta. Essa viv\u00eancia moldou seu olhar sens\u00edvel e respeitoso com as comunidades ribeirinhas e povos ind\u00edgenas. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA forma\u00e7\u00e3o da minha m\u00e3e me fez desenvolver uma postura consciente. N\u00e3o estou apenas atr\u00e1s de imagens bonitas, mas de narrativas verdadeiras e profundas\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Manaus, Nolte contou com o apoio do fot\u00f3grafo brasileiro Raphael Alves, que j\u00e1 possu\u00eda la\u00e7os com as comunidades retratadas e facilitou o acesso do colega estrangeiro. \u201cEsse tipo de colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial, porque evita que a fotografia se torne invasiva ou superficial\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entre a arte e a den\u00fancia<\/h2>\n\n\n\n<p>A metodologia de trabalho de Nolte une fotografia documental e art\u00edstica. Ele utiliza c\u00e2meras tradicionais para capturar momentos \u00edntimos e drones para evidenciar a escala geogr\u00e1fica das mudan\u00e7as. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO roteiro inicial \u00e9 sempre provis\u00f3rio. A realidade nos obriga a mudar de dire\u00e7\u00e3o. Se seguimos apenas um plano fixo, acabamos presos a estere\u00f3tipos de como representar a Amaz\u00f4nia\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Nolte ressalta ainda os perigos da profiss\u00e3o, especialmente ao circular por \u00e1reas sens\u00edveis da floresta. \u201cMesmo sem estar cobrindo crimes ambientais diretamente, o simples fato de carregar uma c\u00e2mera torna o fot\u00f3grafo uma figura suspeita. O risco \u00e9 real\u201d, alerta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A imagem como instrumento de mudan\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar das dificuldades, o fot\u00f3grafo acredita que seu trabalho pode provocar reflex\u00f5es e mudan\u00e7as concretas. \u201cA fotografia sozinha n\u00e3o resolve nada. Mas ela \u00e9 uma ferramenta poderosa para informar e sensibilizar. Ajuda as pessoas a entenderem por que certos temas devem estar no centro das decis\u00f5es pol\u00edticas e sociais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Musuk Nolte j\u00e1 realizou outros projetos em territ\u00f3rio brasileiro e garante que pretende retornar. Seu envolvimento com as quest\u00f5es socioambientais da regi\u00e3o, afirma, vai al\u00e9m de uma cobertura pontual. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA crise clim\u00e1tica \u00e9 uma narrativa longa. Exige presen\u00e7a constante, escuta e respeito. E eu quero continuar acompanhando isso de perto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Com a s\u00e9rie \u201cSecas na Amaz\u00f4nia\u201d, Nolte n\u00e3o apenas documenta uma trag\u00e9dia silenciosa, ele a torna vis\u00edvel para o mundo. E ao fazer isso, transforma o olhar de quem v\u00ea, desafia certezas e amplia o entendimento global sobre a urg\u00eancia clim\u00e1tica que atinge o cora\u00e7\u00e3o da floresta brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem da Amaz\u00f4nia como um para\u00edso verde e intocado ainda domina o imagin\u00e1rio popular internacional. Mas essa vis\u00e3o come\u00e7a a ser desconstru\u00edda com a s\u00e9rie fotogr\u00e1fica \u201cSecas na Amaz\u00f4nia\u201d, do fot\u00f3grafo peruano-mexicano Musuk Nolte, em exposi\u00e7\u00e3o na mostra do World Press Photo 2025, na CAIXA Cultural do Rio de Janeiro. 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