{"id":21949,"date":"2025-06-27T08:00:00","date_gmt":"2025-06-27T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=21949"},"modified":"2025-06-26T17:40:14","modified_gmt":"2025-06-26T20:40:14","slug":"produtos-de-grife-podem-esconder-couro-de-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/produtos-de-grife-podem-esconder-couro-de-desmatamento-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Produtos de grife podem esconder couro de desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p>Enquanto bolsas e acess\u00f3rios de couro desfilam nas vitrines mais sofisticadas da Europa, a floresta amaz\u00f4nica sangra. Um relat\u00f3rio da ONG inglesa Earthsight revela uma conex\u00e3o chocante entre grifes mundialmente famosas e o desmatamento ilegal no Brasil. <\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tra\u00e7a um caminho oculto, ligando o couro de gado criado em \u00e1reas invadidas, como a Terra Ind\u00edgena Apyterewa, no Par\u00e1, a produtos de luxo vendidos por marcas como Coach, Fendi, Hugo Boss, Chanel e Gucci.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do pasto ilegal \u00e0 vitrine europeia<\/h2>\n\n\n\n<p>A rota do couro brasileiro \u00e9 longa e complexa. O gado, muitas vezes criado ilegalmente em terras ind\u00edgenas e \u00e1reas embargadas, passa por diversas m\u00e3os antes de ter sua origem &#8220;esquentada&#8221;. O frigor\u00edfico Frigol, por exemplo, foi citado como destino de mais de 17 mil cabe\u00e7as de gado de origem duvidosa entre 2020 e 2023. <\/p>\n\n\n\n<p>O couro extra\u00eddo, ent\u00e3o, segue para exportadoras como a Durlicouros e, depois, para curtumes na It\u00e1lia, onde \u00e9 transformado em mat\u00e9ria-prima para marcas de renome internacional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Lavagem de gado&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio revela que frigor\u00edficos n\u00e3o conseguem rastrear de forma eficaz os fornecedores indiretos, aqueles que vendem gado aos fornecedores diretos. Essa falha permite a pr\u00e1tica conhecida como \u201clavagem de gado\u201d, onde animais criados em \u00e1reas ilegais s\u00e3o transferidos para fazendas regularizadas antes do abate. <\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de rastreabilidade plena cria um cen\u00e1rio prop\u00edcio \u00e0 camuflagem ambiental e mina os compromissos \u00e9ticos das empresas envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Certifica\u00e7\u00e3o sob suspeita<\/h2>\n\n\n\n<p>Marcas e curtumes frequentemente recorrem ao selo Leather Working Group (LWG) como garantia de responsabilidade ambiental. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a certifica\u00e7\u00e3o, reconhecida por empresas como Durlicouros, Conceria Cristina e Faeda, n\u00e3o exige rastreamento at\u00e9 as fazendas de origem, ignorando o elo mais vulner\u00e1vel da cadeia: o territ\u00f3rio onde o gado foi criado. <\/p>\n\n\n\n<p>Para a Earthsight, esse tipo de certifica\u00e7\u00e3o oferece uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a tanto para as marcas quanto para os consumidores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Respostas corporativas<\/h2>\n\n\n\n<p>As empresas citadas reagiram de forma variada. Algumas, como Hugo Boss e Coach, alegaram que seus couros n\u00e3o t\u00eam liga\u00e7\u00e3o com os casos apontados. O grupo Kering, dono da Gucci e Balenciaga, garantiu que n\u00e3o utiliza mat\u00e9ria-prima brasileira. <\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Fendi, Chloe e Chanel preferiram n\u00e3o responder. A Earthsight insiste: sem rastreabilidade rigorosa, \u00e9 imposs\u00edvel ter certeza da real origem do couro.<\/p>\n\n\n\n<p>O estado do Par\u00e1, epicentro da den\u00fancia e da extra\u00e7\u00e3o de couro investigada, ser\u00e1 tamb\u00e9m o palco da COP 30, em novembro de 2025. O contraste entre os discursos ambientais da confer\u00eancia e a realidade exposta pelo relat\u00f3rio joga luz sobre a urg\u00eancia de medidas mais eficazes de controle, fiscaliza\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nova lei europeia<\/h2>\n\n\n\n<p>Prevista para entrar em vigor no final de 2025, a nova legisla\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia veta a entrada de produtos ligados ao desmatamento. No entanto, h\u00e1 uma tentativa nos bastidores da ind\u00fastria de retirar o couro do escopo da lei. <\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores e ambientalistas alertam: enfraquecer a regulamenta\u00e7\u00e3o pode anular os avan\u00e7os no combate \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rastreabilidade como solu\u00e7\u00e3o e desafio<\/h2>\n\n\n\n<p>Para mudar esse cen\u00e1rio, o Brasil precisa implementar um sistema de rastreamento p\u00fablico e completo, que integre dados ambientais com as Guias de Tr\u00e2nsito Animal. <\/p>\n\n\n\n<p>O controle j\u00e1 avan\u00e7ou no setor de carne, mas no setor de couro, o apag\u00e3o informativo ainda \u00e9 profundo. A Earthsight prop\u00f5e que marcas de alto padr\u00e3o usem seu peso financeiro e reputacional para liderar uma transforma\u00e7\u00e3o \u00e9tica no setor.<\/p>\n\n\n\n<p>O couro brasileiro, envolto em opacidade e ilegalidade, desafia a ind\u00fastria a provar que \u00e9 poss\u00edvel conciliar moda, \u00e9tica e sustentabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto bolsas e acess\u00f3rios de couro desfilam nas vitrines mais sofisticadas da Europa, a floresta amaz\u00f4nica sangra. Um relat\u00f3rio da ONG inglesa Earthsight revela uma conex\u00e3o chocante entre grifes mundialmente famosas e o desmatamento ilegal no Brasil. A pesquisa tra\u00e7a um caminho oculto, ligando o couro de gado criado em \u00e1reas invadidas, como a Terra [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":21950,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[83,84],"tags":[],"class_list":["post-21949","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-colunas","category-mais-tendencias"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21949","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21949"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21949\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21951,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21949\/revisions\/21951"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21950"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}