{"id":19844,"date":"2025-06-10T08:30:00","date_gmt":"2025-06-10T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=19844"},"modified":"2025-06-09T18:12:37","modified_gmt":"2025-06-09T21:12:37","slug":"clima-do-mundo-pode-piorar-em-apenas-15-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/clima-do-mundo-pode-piorar-em-apenas-15-anos\/","title":{"rendered":"Clima do mundo pode piorar em apenas 15 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>A crise clim\u00e1tica deixou de ser um alerta futuro para se tornar uma realidade presente e crescente. Durante um recente evento promovido pela Rede T\u00e9cnica Cooperativa (RTC), em Gramado (RS), o engenheiro florestal Marcos Kazmierczak fez um diagn\u00f3stico direto: estamos vivendo uma emerg\u00eancia clim\u00e1tica. <\/p>\n\n\n\n<p>Os pr\u00f3ximos 15 anos ser\u00e3o determinantes, n\u00e3o para evitar o colapso, mas para mitigar seus efeitos mais severos. <\/p>\n\n\n\n<p>Kazmierczak n\u00e3o amenizou a situa\u00e7\u00e3o. Ele afirma que, para reverter o aquecimento global, seria necess\u00e1rio reduzir em 87% as emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono, algo que, segundo ele, n\u00e3o vai acontecer. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso nos coloca numa posi\u00e7\u00e3o delicada: n\u00e3o h\u00e1 mais como evitar os efeitos dr\u00e1sticos, apenas como se adaptar a eles. O cen\u00e1rio \u00e9 de urg\u00eancia. Esperar mais 80 anos para novos desastres clim\u00e1ticos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 realista. O impacto est\u00e1 batendo \u00e0 porta com frequ\u00eancia e for\u00e7a redobrada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Previs\u00f5es at\u00e9 2040<\/h2>\n\n\n\n<p>As proje\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas at\u00e9 2040 mostram um aumento da precipita\u00e7\u00e3o, mas de forma desigual e imprevis\u00edvel. Isso significa chuvas extremas em alguns lugares e per\u00edodos prolongados de seca em outros. <\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de dias secos consecutivos poder\u00e1 saltar de 40 para at\u00e9 90 dias de calor intenso, o que comprometer\u00e1 diretamente a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, o abastecimento h\u00eddrico e a sa\u00fade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os eventos extremos, como temporais, enchentes e vendavais, se tornar\u00e3o mais frequentes e mais severos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, 491 munic\u00edpios devem enfrentar esse novo padr\u00e3o clim\u00e1tico hostil.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto direto na agricultura e na produ\u00e7\u00e3o animal<\/h2>\n\n\n\n<p>O agro brasileiro, especialmente no Sul, ser\u00e1 profundamente afetado. Segundo Kazmierczak:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A fotoss\u00edntese ser\u00e1 prejudicada;<\/li>\n\n\n\n<li>A produ\u00e7\u00e3o de leite e de frangos pode sofrer redu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas de produtividade;<\/li>\n\n\n\n<li>O arroz, cultura essencial, poder\u00e1 perder entre 4% e 6% de rendimento at\u00e9 2040, por falta de \u00e1gua para irriga\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Isso reflete a vulnerabilidade da cadeia produtiva rural, que depende de estabilidade clim\u00e1tica para operar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">N\u00fameros assustadores<\/h2>\n\n\n\n<p>Entre 1994 e 2023, o aumento de eventos clim\u00e1ticos extremos no Brasil foi de 225,76%, e no Rio Grande do Sul, 190,77%. Mais impressionante ainda \u00e9 o impacto socioecon\u00f4mico:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O n\u00famero de habita\u00e7\u00f5es afetadas cresceu 653,65% no pa\u00eds;<\/li>\n\n\n\n<li>Os preju\u00edzos somados chegaram a R$ 1,17 trilh\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>No Rio Grande do Sul, as perdas foram ainda mais devastadoras: aumento de 4.519,64% nas moradias afetadas e um preju\u00edzo de R$ 1,32 trilh\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Esses dados revelam o pre\u00e7o real, humano e financeiro, da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que podemos fazer? <\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar da gravidade do cen\u00e1rio, h\u00e1 caminhos poss\u00edveis, embora limitados. Kazmierczak apresentou medidas de redu\u00e7\u00e3o, destacando as mais importantes:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Melhorar a sa\u00fade do solo, aumentando o teor de carbono em 3%;<\/li>\n\n\n\n<li>Reduzir o uso de fertilizantes nitrogenados;<\/li>\n\n\n\n<li>Diminuir o consumo de carne bovina em 25% at\u00e9 2030 e 50% at\u00e9 2050;<\/li>\n\n\n\n<li>Cortar pela metade as emiss\u00f5es de metano e \u00f3xido nitroso na produ\u00e7\u00e3o de arroz;<\/li>\n\n\n\n<li>Reduzir o desperd\u00edcio de alimentos de 33% para 10% at\u00e9 2050.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Contudo, ele \u00e9 c\u00e9tico sobre a viabilidade de todas essas a\u00e7\u00f5es, com exce\u00e7\u00e3o da melhoria do solo. Por isso, destaca que o mais urgente agora \u00e9 investir em adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o deve ser o pilar da resposta \u00e0 crise. Entre as estrat\u00e9gias vi\u00e1veis est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Desenvolvimento de cultivares resilientes \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas;<\/li>\n\n\n\n<li>Gest\u00e3o integrada de recursos h\u00eddricos;<\/li>\n\n\n\n<li>Programas de transfer\u00eancia de tecnologia e assist\u00eancia t\u00e9cnica espec\u00edfica para pequenos e m\u00e9dios produtores.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>O arroz, por exemplo, precisar\u00e1 de novas variedades adaptadas ao calor e \u00e0 escassez de \u00e1gua. A agricultura familiar depender\u00e1 de conhecimento t\u00e9cnico acess\u00edvel e pol\u00edticas p\u00fablicas bem direcionadas para sobreviver ao novo cen\u00e1rio clim\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>O mundo tem pouco mais de uma d\u00e9cada para preparar-se, adaptar-se e tentar reduzir os impactos mais severos. Ignorar essa realidade \u00e9 um risco que nenhum pa\u00eds, empresa ou cidad\u00e3o pode se dar ao luxo de correr.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise clim\u00e1tica deixou de ser um alerta futuro para se tornar uma realidade presente e crescente. Durante um recente evento promovido pela Rede T\u00e9cnica Cooperativa (RTC), em Gramado (RS), o engenheiro florestal Marcos Kazmierczak fez um diagn\u00f3stico direto: estamos vivendo uma emerg\u00eancia clim\u00e1tica. 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