{"id":19696,"date":"2025-06-09T08:30:00","date_gmt":"2025-06-09T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=19696"},"modified":"2025-06-06T18:25:41","modified_gmt":"2025-06-06T21:25:41","slug":"comunidades-protestam-contra-megaponte-na-bahia-por-riscos-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/comunidades-protestam-contra-megaponte-na-bahia-por-riscos-sociais\/","title":{"rendered":"Comunidades protestam contra megaponte na Bahia por riscos sociais"},"content":{"rendered":"\n<p>Nas ruas enlameadas do Barro Branco, comunidade tradicional da Ilha de Itaparica, tratores j\u00e1 provocam mudan\u00e7as significativas antes mesmo do in\u00edcio oficial das obras da megaponte. <\/p>\n\n\n\n<p>A derrubada de \u00e1rvores, o aterramento de mangues e o fechamento de caminhos sagrados geram apreens\u00e3o entre moradores e l\u00edderes religiosos. \u00c1reas verdes usadas em cultos aos orix\u00e1s e eguns, s\u00edmbolos da cultura afro-brasileira, est\u00e3o amea\u00e7adas pelo avan\u00e7o das m\u00e1quinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com extens\u00e3o prevista de 12,4 km, a ponte entre Salvador e Itaparica ser\u00e1 a maior da Am\u00e9rica Latina, conectando o continente \u00e0 ilha e prometendo um fluxo di\u00e1rio de 28 mil ve\u00edculos. <\/p>\n\n\n\n<p>Prevista para reduzir dist\u00e2ncias e integrar rotas, a obra, que foi idealizada em 2009 e licitada apenas em 2019, ainda enfrenta atrasos e revis\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias, que j\u00e1 elevaram seu custo inicial de R$ 6,3 bilh\u00f5es para mais de R$ 10 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Press\u00f5es financeiras <\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a assinatura de um novo acordo entre o governo estadual e o cons\u00f3rcio chin\u00eas respons\u00e1vel pela obra, foram reajustados os prazos e o or\u00e7amento, incluindo pagamentos anuais elevados ao longo de quase tr\u00eas d\u00e9cadas. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o cons\u00f3rcio justifica os aumentos devido \u00e0 pandemia e dificuldades t\u00e9cnicas, como a presen\u00e7a de rochas que elevam a complexidade da constru\u00e7\u00e3o. Essas quest\u00f5es acendem debates sobre a viabilidade econ\u00f4mica e social do projeto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consequ\u00eancias para comunidades tradicionais<\/h2>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o da megaponte j\u00e1 pressiona ao menos 114 \u00e1reas consideradas sens\u00edveis para os modos de vida das comunidades locais, incluindo territ\u00f3rios para pesca, mariscagem, fontes de \u00e1gua e trilhas de manguezais. <\/p>\n\n\n\n<p>As comunidades do Barro Branco e do Mocambo sentem o peso da invas\u00e3o imobili\u00e1ria e dos aterros, que amea\u00e7am ecossistemas ricos e o patrim\u00f4nio cultural das religi\u00f5es afro-brasileiras. Terreiros centen\u00e1rios, como o Il\u00ea Tuntun Olukotun, \u00fanico na di\u00e1spora negra com culto a Baba Egum, enfrentam riscos de destrui\u00e7\u00e3o e perda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Movimentos sociais e protestos<\/h2>\n\n\n\n<p>Lideran\u00e7as comunit\u00e1rias e membros do Movimento pela Defesa do Territ\u00f3rio Sagrado denunciam a falta de consulta pr\u00e9via e participa\u00e7\u00e3o popular no processo de decis\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Para eles, o projeto n\u00e3o respeita os direitos das popula\u00e7\u00f5es tradicionais e alimenta a press\u00e3o imobili\u00e1ria que amea\u00e7a expulsar moradores locais e desfigurar o modo de vida secular. A constru\u00e7\u00e3o de uma via expressa que cortar\u00e1 a ilha pode impactar diretamente 124 terreiros e diversos pontos de refer\u00eancia cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas inqu\u00e9ritos em andamento, conduzidos pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e do Estado da Bahia, avaliam os impactos socioambientais da obra e a legalidade dos processos envolvendo comunidades tradicionais. <\/p>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o central \u00e9 o respeito aos direitos territoriais, o meio ambiente e a sustentabilidade da ba\u00eda de Todos-os-Santos, que abriga biomas sens\u00edveis e enfrenta problemas cr\u00f4nicos de saneamento e acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafios ambientais<\/h2>\n\n\n\n<p>Manguezais, como os do Mocambo e do Parque das Mangueiras, sofrem press\u00e3o direta da obra e das constru\u00e7\u00f5es adjacentes, amea\u00e7ando habitats de caranguejos, lambretas e aratus. <\/p>\n\n\n\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o desses ambientes compromete a pesca artesanal e a seguran\u00e7a alimentar local, al\u00e9m de desequilibrar o ecossistema costeiro. Ambientalistas alertam que o impacto urban\u00edstico pode gerar um efeito domin\u00f3 de ocupa\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Respostas oficiais<\/h2>\n\n\n\n<p>A concession\u00e1ria respons\u00e1vel afirma que o projeto seguir\u00e1 normas de desenvolvimento sustent\u00e1vel e direitos coletivos, apresentando 40 programas socioambientais com or\u00e7amento de R$ 250 milh\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre as a\u00e7\u00f5es previstas est\u00e3o capacita\u00e7\u00e3o profissional, incentivo ao empreendedorismo local e preserva\u00e7\u00e3o cultural. O governo da Bahia promete ampliar consultas \u00e0s comunidades e refor\u00e7ar medidas mitigat\u00f3rias na fase de instala\u00e7\u00e3o da obra, com aten\u00e7\u00e3o especial aos acessos tradicionais de pesca e mariscagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas ruas enlameadas do Barro Branco, comunidade tradicional da Ilha de Itaparica, tratores j\u00e1 provocam mudan\u00e7as significativas antes mesmo do in\u00edcio oficial das obras da megaponte. 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