{"id":19440,"date":"2025-06-08T23:00:00","date_gmt":"2025-06-09T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=19440"},"modified":"2025-06-04T20:12:29","modified_gmt":"2025-06-04T23:12:29","slug":"idosos-abandonados-pelos-filhos-podem-entrar-com-processo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/idosos-abandonados-pelos-filhos-podem-entrar-com-processo\/","title":{"rendered":"Idosos abandonados pelos filhos podem entrar com processo"},"content":{"rendered":"\n<p>No Brasil, a legisla\u00e7\u00e3o estabelece que o cuidado com os pais idosos n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o moral ou familiar, mas tamb\u00e9m uma obriga\u00e7\u00e3o legal. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim como os pais t\u00eam o dever de cuidar dos filhos menores, os filhos, ao alcan\u00e7arem a maioridade, passam a ter responsabilidade pelos seus genitores quando estes envelhecem e passam a necessitar de cuidados. <\/p>\n\n\n\n<p>O Estatuto do Idoso e o C\u00f3digo Civil determinam que os filhos devem prover amparo material e afetivo aos pais em idade avan\u00e7ada. Quando essa responsabilidade \u00e9 negligenciada, surgem consequ\u00eancias legais, inclusive com possibilidade de processos judiciais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estatuto do Idoso e o direito \u00e0 dignidade na velhice<\/h2>\n\n\n\n<p>O Estatuto do Idoso, criado pela Lei n\u00ba 10.741\/2003, garante uma s\u00e9rie de direitos a todas as pessoas com 60 anos ou mais. Entre esses direitos est\u00e3o o acesso \u00e0 sa\u00fade, transporte gratuito, moradia digna, lazer e educa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas o estatuto vai al\u00e9m dos servi\u00e7os p\u00fablicos: ele reconhece o papel da fam\u00edlia como n\u00facleo central de prote\u00e7\u00e3o e afeto ao idoso. O abandono, seja ele financeiro ou emocional, \u00e9 visto como uma viola\u00e7\u00e3o desses direitos e pode ser punido na esfera c\u00edvel ou criminal. <\/p>\n\n\n\n<p>O abandono n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de aus\u00eancia f\u00edsica; ele tamb\u00e9m abrange a falta de contato, cuidado e aten\u00e7\u00e3o emocional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As implica\u00e7\u00f5es do abandono material e afetivo<\/h2>\n\n\n\n<p>O abandono material ocorre quando os filhos deixam de contribuir financeiramente com os cuidados b\u00e1sicos do idoso, como alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, sa\u00fade e medicamentos. J\u00e1 o abandono afetivo refere-se \u00e0 aus\u00eancia de v\u00ednculo emocional, \u00e0 nega\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a, carinho e conviv\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Embora o abandono afetivo ainda seja um campo em amadurecimento no Judici\u00e1rio, h\u00e1 precedentes em que ju\u00edzes reconheceram o sofrimento emocional causado ao idoso como pass\u00edvel de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais. Ambos os tipos de abandono, no entanto, violam o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana, previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diz o C\u00f3digo Penal sobre o abandono de idosos<\/h2>\n\n\n\n<p>O artigo 244 do C\u00f3digo Penal estabelece pena de deten\u00e7\u00e3o de um a quatro anos, al\u00e9m de multa, para quem abandonar pessoa idosa que esteja sob seu cuidado, guarda ou responsabilidade e que esteja impossibilitada de prover sua pr\u00f3pria subsist\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa penaliza\u00e7\u00e3o se aplica mesmo quando h\u00e1 mais de um filho, uma vez que a responsabilidade \u00e9 compartilhada entre todos os descendentes. O Estatuto do Idoso refor\u00e7a que a fam\u00edlia, de forma solid\u00e1ria, deve garantir os cuidados necess\u00e1rios, n\u00e3o sendo admiss\u00edvel que um \u00fanico filho arque com todas as responsabilidades enquanto os demais se omitem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando o caso vai parar na Justi\u00e7a<\/h2>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, \u00e9 comum que apenas um dos filhos assuma a responsabilidade pelos pais idosos, enquanto os outros se afastam. Quando essa situa\u00e7\u00e3o se torna insustent\u00e1vel, muitas vezes o filho cuidador decide buscar apoio jur\u00eddico para dividir os custos e as responsabilidades. <\/p>\n\n\n\n<p>Nessas situa\u00e7\u00f5es, o Poder Judici\u00e1rio pode determinar que os demais irm\u00e3os contribuam financeiramente ou participem ativamente dos cuidados. A Justi\u00e7a tamb\u00e9m pode reconhecer o direito do idoso de receber pens\u00e3o aliment\u00edcia dos filhos, proporcional \u00e0 capacidade financeira de cada um, assegurando sua sobreviv\u00eancia e bem-estar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exce\u00e7\u00f5es em caso de abandono parental anterior<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a legisla\u00e7\u00e3o imponha o dever dos filhos de cuidar dos pais idosos, existem exce\u00e7\u00f5es que podem ser analisadas pela Justi\u00e7a. Uma delas envolve casos em que o pr\u00f3prio pai ou m\u00e3e n\u00e3o cumpriu com seus deveres parentais no passado, abandonando o filho na inf\u00e2ncia ou submetendo-o a situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e neglig\u00eancia. <\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, a Justi\u00e7a pode entender que o v\u00ednculo foi rompido por iniciativa do pr\u00f3prio genitor. Quando o filho apresenta provas como medidas protetivas, hist\u00f3rico de agress\u00e3o ou aus\u00eancia prolongada e injustificada do genitor, \u00e9 poss\u00edvel que seja desobrigado de prestar assist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O rompimento do v\u00ednculo e a retirada do sobrenome<\/h2>\n\n\n\n<p>Em casos extremos, quando o v\u00ednculo afetivo entre pai e filho nunca foi constru\u00eddo e h\u00e1 provas concretas de abandono, \u00e9 poss\u00edvel que o filho pe\u00e7a judicialmente a retirada do sobrenome do genitor. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa medida, al\u00e9m de simb\u00f3lica, representa o rompimento formal com uma figura paterna ou materna que nunca exerceu suas responsabilidades. Tal decis\u00e3o, no entanto, deve ser fundamentada em provas e argumentos consistentes, pois envolve quest\u00f5es de identidade e direitos da personalidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A import\u00e2ncia de garantir a dignidade na velhice<\/h2>\n\n\n\n<p>A sociedade brasileira ainda carrega tra\u00e7os culturais que naturalizam o abandono de idosos, como se o envelhecimento fosse um problema exclusivamente individual. No entanto, envelhecer com dignidade \u00e9 um direito de todos, e garantir esse direito \u00e9 dever do Estado, da sociedade e, principalmente, da fam\u00edlia. <\/p>\n\n\n\n<p>Ignorar essa responsabilidade \u00e9 n\u00e3o apenas injusto, mas tamb\u00e9m ilegal. Cabe \u00e0s fam\u00edlias compreender que a velhice dos pais n\u00e3o deve ser enfrentada com indiferen\u00e7a, mas com acolhimento, respeito e solidariedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, a legisla\u00e7\u00e3o estabelece que o cuidado com os pais idosos n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o moral ou familiar, mas tamb\u00e9m uma obriga\u00e7\u00e3o legal. 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