{"id":18887,"date":"2025-06-02T12:00:00","date_gmt":"2025-06-02T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=18887"},"modified":"2025-05-30T18:14:49","modified_gmt":"2025-05-30T21:14:49","slug":"o-onibus-mais-longo-do-mundo-pode-levar-350-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/o-onibus-mais-longo-do-mundo-pode-levar-350-pessoas\/","title":{"rendered":"O \u00f4nibus mais longo do mundo pode levar 350 pessoas"},"content":{"rendered":"\n<p>Em um mundo cada vez mais urbanizado, a busca por solu\u00e7\u00f5es eficientes para o transporte coletivo se tornou essencial. Com avenidas congestionadas e uma demanda crescente por mobilidade acess\u00edvel, surgem projetos ousados que desafiam os limites da engenharia. <\/p>\n\n\n\n<p>Um desses projetos foi o DAF Super CityTrain, o \u00f4nibus mais longo j\u00e1 fabricado, com capacidade para transportar at\u00e9 350 passageiros em uma \u00fanica viagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um gigante sobre rodas<\/h2>\n\n\n\n<p>Fabricado na Holanda em 1989, o DAF Super CityTrain era um verdadeiro colosso do asfalto. Com 32,2 metros de comprimento, ele superava em muito o tamanho dos \u00f4nibus convencionais. <\/p>\n\n\n\n<p>Seu projeto contava com uma unidade tratora DAF FT2600 na frente e dois m\u00f3dulos articulados na traseira, formando um ve\u00edculo composto por tr\u00eas partes. A velocidade m\u00e1xima era limitada a 41 km\/h por quest\u00f5es de seguran\u00e7a, e o peso total ultrapassava 28 toneladas.<\/p>\n\n\n\n<p>Internamente, o \u00f4nibus contava com bancos simples, ventila\u00e7\u00e3o natural e um layout espa\u00e7oso, privilegiando a circula\u00e7\u00e3o de passageiros em p\u00e9. O embarque era feito por m\u00faltiplas portas laterais, o que acelerava o fluxo nos hor\u00e1rios de pico. A articula\u00e7\u00e3o entre os m\u00f3dulos permitia certo grau de flexibilidade, essencial para as curvas nas ruas da cidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Circulando em Kinshasa<\/h2>\n\n\n\n<p>O Super CityTrain foi concebido para operar em Kinshasa, capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, uma metr\u00f3pole que sofria com o transporte coletivo prec\u00e1rio. A proposta era ousada: atender a grandes volumes de passageiros com um \u00fanico ve\u00edculo, melhorando o sistema com menor n\u00famero de viagens. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a realidade urbana se imp\u00f4s. As vias de Kinshasa n\u00e3o tinham a largura e o refor\u00e7o estrutural necess\u00e1rios para comportar o peso e o comprimento do \u00f4nibus. O modelo, que exigia um n\u00edvel de manuten\u00e7\u00e3o elevado, tamb\u00e9m enfrentava dificuldades na reposi\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as e exigia motoristas com treinamento muito espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, a opera\u00e7\u00e3o foi limitada a alguns corredores mais largos e planos da cidade. Mesmo assim, o projeto n\u00e3o teve vida longa. A combina\u00e7\u00e3o entre infraestrutura inadequada, custos elevados e dificuldades log\u00edsticas levou o DAF Super CityTrain a ser retirado de circula\u00e7\u00e3o pouco tempo depois de sua estreia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma inova\u00e7\u00e3o que virou legado<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar de sua curta trajet\u00f3ria operacional, o DAF Super CityTrain n\u00e3o passou despercebido. Seu feito entrou para o Guinness Book, consagrando-o como o \u00f4nibus mais longo j\u00e1 constru\u00eddo. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas mais do que isso, ele serviu de inspira\u00e7\u00e3o para novas abordagens no transporte urbano, influenciando projetos que vieram depois. A proposta de maximizar o transporte de passageiros com um menor n\u00famero de ve\u00edculos passou a ser considerada por empresas e governos ao redor do mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Novos concorrentes no cen\u00e1rio global<\/h2>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, diversas na\u00e7\u00f5es passaram a explorar solu\u00e7\u00f5es semelhantes. Um exemplo not\u00e1vel \u00e9 o AutoTram Extra Grand, um prot\u00f3tipo alem\u00e3o desenvolvido pelo Instituto Fraunhofer IVI. <\/p>\n\n\n\n<p>Com 30,7 metros de comprimento e capacidade para at\u00e9 256 passageiros, o ve\u00edculo possui tr\u00eas m\u00f3dulos articulados e dire\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica assistida, que permite manobras surpreendentemente \u00e1geis para um ve\u00edculo t\u00e3o extenso. No entanto, assim como o CityTrain, o AutoTram nunca passou da fase experimental.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro destaque \u00e9 o Volvo Gran Artic 300, orgulho brasileiro lan\u00e7ado em 2016. Com 30 metros de comprimento e capacidade para 300 passageiros, foi projetado para operar em sistemas BRT, como os existentes em Curitiba e Goi\u00e2nia. <\/p>\n\n\n\n<p>Seu desempenho \u00e9 otimizado por operar em faixas exclusivas e esta\u00e7\u00f5es pr\u00e9-embarque, aproveitando a infraestrutura criada para \u00f4nibus de grande porte.<\/p>\n\n\n\n<p>Na China, o modelo Youngman JNP6250G, com 25 metros, se destaca por sua presen\u00e7a nos corredores de cidades como Pequim. Com dezenas de unidades em circula\u00e7\u00e3o, a China mostra que, com planejamento urbano adequado, \u00e9 poss\u00edvel integrar \u00f4nibus gigantes ao cotidiano metropolitano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A tecnologia por tr\u00e1s das manobras<\/h2>\n\n\n\n<p>Conduzir um ve\u00edculo de mais de 30 metros exige muito mais do que habilidade ao volante. A engenharia envolvida nesses projetos inclui sistemas de articula\u00e7\u00e3o que ajustam os \u00e2ngulos entre os m\u00f3dulos automaticamente durante as curvas. <\/p>\n\n\n\n<p>Alguns modelos contam com dire\u00e7\u00e3o ativa nas rodas traseiras, sensores de estabilidade e freios adaptativos. Essas tecnologias permitem que o \u00f4nibus acompanhe a trajet\u00f3ria do eixo dianteiro de maneira precisa, mesmo em ruas complexas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, limitadores eletr\u00f4nicos de velocidade e sistemas de controle de tra\u00e7\u00e3o garantem seguran\u00e7a em ambientes urbanos densos. Essa combina\u00e7\u00e3o de recursos faz com que esses ve\u00edculos operem com efici\u00eancia mesmo em contextos desafiadores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vantagens e desafios dos \u00f4nibus extralongos<\/h2>\n\n\n\n<p>A principal vantagem desses gigantes \u00e9 a capacidade de transportar um grande n\u00famero de passageiros com um \u00fanico ve\u00edculo. Isso representa economia em termos de combust\u00edvel, m\u00e3o de obra e manuten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de reduzir as emiss\u00f5es por passageiro. Em sistemas BRT, onde a demanda \u00e9 constante e o fluxo \u00e9 elevado, eles se mostram extremamente eficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, h\u00e1 obst\u00e1culos a superar. As vias precisam ser mais largas, com pavimenta\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada. Os pontos de embarque devem ser maiores, e a opera\u00e7\u00e3o exige motoristas treinados e manuten\u00e7\u00e3o especializada. Sem esses requisitos b\u00e1sicos, o uso de ve\u00edculos t\u00e3o grandes se torna invi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O futuro sobre rodas<\/h2>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e a crescente preocupa\u00e7\u00e3o ambiental, o foco atual do setor est\u00e1 na sustentabilidade. Fabricantes como BYD, Mercedes-Benz e Volvo investem fortemente em \u00f4nibus extralongos movidos a eletricidade ou hidrog\u00eanio. <\/p>\n\n\n\n<p>Alguns modelos el\u00e9tricos com mais de 24 metros de comprimento j\u00e1 circulam experimentalmente em cidades da Europa e da \u00c1sia.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro n\u00e3o pertence apenas ao tamanho, mas \u00e0 efici\u00eancia. Com energia limpa, intelig\u00eancia embarcada e infraestrutura adaptada, os \u00f4nibus gigantes est\u00e3o cada vez mais prontos para atender \u00e0s exig\u00eancias do transporte urbano moderno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um mundo cada vez mais urbanizado, a busca por solu\u00e7\u00f5es eficientes para o transporte coletivo se tornou essencial. Com avenidas congestionadas e uma demanda crescente por mobilidade acess\u00edvel, surgem projetos ousados que desafiam os limites da engenharia. 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