{"id":18333,"date":"2025-05-31T12:30:00","date_gmt":"2025-05-31T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=18333"},"modified":"2025-05-27T16:31:30","modified_gmt":"2025-05-27T19:31:30","slug":"conheca-o-marinheiro-que-foi-abandonado-para-morrer-em-uma-ilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/conheca-o-marinheiro-que-foi-abandonado-para-morrer-em-uma-ilha\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o marinheiro que foi abandonado para morrer em uma ilha"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao longo da hist\u00f3ria, pessoas LGBTQIA+ das mais variadas profiss\u00f5es, inclusive marinheiros, enfrentaram persegui\u00e7\u00f5es que muitas vezes ultrapassaram os limites da crueldade. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos casos mais impactantes \u2014 e menos conhecidos \u2014 remonta ao s\u00e9culo 18, quando um marinheiro holand\u00eas foi deliberadamente deixado para morrer em uma ilha remota no meio do Atl\u00e2ntico, punido por sua orienta\u00e7\u00e3o sexual. <\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria, esquecida por s\u00e9culos, ressurgiu gra\u00e7as ao trabalho de historiadores que se dedicaram a reconstruir esse tr\u00e1gico epis\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Conhe\u00e7a o marinheiro que foi abandonado para morrer em uma ilha<\/h2>\n\n\n\n<p>O nome do marinheiro era Leendert Hasenbosch. Nascido em Haia, em 1695, ele serviu por anos \u00e0 poderosa Companhia Holandesa das \u00cdndias Orientais, a VOC. <\/p>\n\n\n\n<p>O jovem iniciou sua carreira como soldado e posteriormente se tornou contador \u2014 um cargo de confian\u00e7a dentro da organiza\u00e7\u00e3o. Em 1724, ele embarcou em uma jornada de retorno \u00e0 Europa, mas nunca chegou ao destino final. <\/p>\n\n\n\n<p>Durante a travessia, foi acusado de sodomia, uma ofensa considerada grav\u00edssima \u00e0 \u00e9poca, e por isso recebeu uma senten\u00e7a incomum: foi exilado vivo na Ilha de Ascens\u00e3o, localizada entre a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul, um territ\u00f3rio \u00e1rido e praticamente inabit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Hasenbosch foi deixado com poucos recursos \u2014 uma barraca, uma b\u00edblia, algumas sementes e quase nenhuma \u00e1gua. <\/p>\n\n\n\n<p>Em desespero, manteve um di\u00e1rio onde relatava sua luta di\u00e1ria por sobreviv\u00eancia, registrando suas tentativas de cultivar alimentos, a solid\u00e3o extrema e at\u00e9 a busca por conforto em um p\u00e1ssaro que tentou domesticar. <\/p>\n\n\n\n<p>Aos poucos, a escassez de \u00e1gua e comida o levou a medidas desesperadas, como beber sua pr\u00f3pria urina e o sangue de tartarugas. Suas anota\u00e7\u00f5es cessam em outubro de 1725. Ele provavelmente morreu pouco tempo depois.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3ria do marinheiro passa a ser contada da maneira correta<\/h3>\n\n\n\n<p>D\u00e9cadas e s\u00e9culos se passaram at\u00e9 que seu di\u00e1rio, inicialmente publicado de forma an\u00f4nima e distorcida na Inglaterra, fosse conectado \u00e0 verdadeira identidade de Hasenbosch. <\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores como Michiel Koolbergen e Alex Ritsema foram fundamentais para revelar sua<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/crmknkdrxypo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong> hist\u00f3ria<\/strong><\/a>, transformando o marinheiro esquecido em s\u00edmbolo de um passado brutal e ainda muito relevante.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos em que direitos LGBTQIA+ ainda s\u00e3o amea\u00e7ados em diversas partes do mundo, o caso de Leendert Hasenbosch serve como alerta. A persegui\u00e7\u00e3o, agora revestida por discursos pol\u00edticos ou <a href=\"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/nova-regra-do-cfm-restringe-terapias-hormonais-para-menores-de-18-anos\/\"><strong>leis conservadoras<\/strong><\/a>, continua sendo uma realidade. <\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria desse marinheiro abandonado ecoa como um lembrete de que a intoler\u00e2ncia, mesmo camuflada, ainda persiste \u2014 e deve ser enfrentada.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo da hist\u00f3ria, pessoas LGBTQIA+ das mais variadas profiss\u00f5es, inclusive marinheiros, enfrentaram persegui\u00e7\u00f5es que muitas vezes ultrapassaram os limites da crueldade. Um dos casos mais impactantes \u2014 e menos conhecidos \u2014 remonta ao s\u00e9culo 18, quando um marinheiro holand\u00eas foi deliberadamente deixado para morrer em uma ilha remota no meio do Atl\u00e2ntico, punido por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":18334,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[84,83],"tags":[],"class_list":["post-18333","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mais-tendencias","category-colunas"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18333"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18333\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18337,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18333\/revisions\/18337"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}