{"id":18223,"date":"2025-05-27T09:30:00","date_gmt":"2025-05-27T12:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=18223"},"modified":"2025-05-26T19:11:14","modified_gmt":"2025-05-26T22:11:14","slug":"maduro-diz-que-guiana-tera-que-aceitar-dominio-da-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/maduro-diz-que-guiana-tera-que-aceitar-dominio-da-venezuela\/","title":{"rendered":"Maduro diz que Guiana ter\u00e1 que aceitar dom\u00ednio da Venezuela"},"content":{"rendered":"\n<p>A disputa entre Venezuela e Guiana pelo controle da regi\u00e3o do Essequibo tem mais de um s\u00e9culo de dura\u00e7\u00e3o. Esse territ\u00f3rio de aproximadamente 160 mil km\u00b2 \u00e9 rico em recursos naturais e estrat\u00e9gico para ambos os pa\u00edses. <\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia remonta ao laudo arbitral de 1899, que definiu as fronteiras entre os dois pa\u00edses, decis\u00e3o esta que a Venezuela nunca reconheceu oficialmente, alegando irregularidades e viola\u00e7\u00e3o dos seus direitos territoriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1966, antes da independ\u00eancia da Guiana do Reino Unido, foi assinado o Acordo de Genebra, que estabeleceu a necessidade de buscar uma solu\u00e7\u00e3o negociada para a disputa. Desde ent\u00e3o, a tens\u00e3o entre os pa\u00edses permanece, com epis\u00f3dios espor\u00e1dicos de negocia\u00e7\u00f5es e confrontos diplom\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Intensifica\u00e7\u00e3o da disputa com a descoberta de petr\u00f3leo<\/h2>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o territorial ganhou nova intensidade a partir de 2015, quando a ExxonMobil anunciou a descoberta de grandes jazidas de petr\u00f3leo na costa da Guiana, na \u00e1rea do Essequibo. Este fato atraiu o interesse geopol\u00edtico e econ\u00f4mico da Venezuela, que passou a reivindicar com mais veem\u00eancia a soberania sobre a regi\u00e3o rica em recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>A Guiana, por sua vez, tem buscado respaldo internacional, especialmente da Corte Internacional de Justi\u00e7a (CIJ), para validar a demarca\u00e7\u00e3o de fronteira conforme o laudo de 1899. A CIJ est\u00e1 analisando o caso, enquanto o governo venezuelano rejeita a jurisdi\u00e7\u00e3o da corte, reafirmando seu direito baseado no Acordo de Genebra.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Elei\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas venezuelanas no Essequibo<\/h2>\n\n\n\n<p>Em 2024, a Venezuela deu um passo pol\u00eamico ao realizar elei\u00e7\u00f5es locais na regi\u00e3o do Essequibo, elegendo um governador e representantes para o Parlamento venezuelano referentes \u00e0 \u00e1rea, mesmo sem controle f\u00edsico do territ\u00f3rio, que est\u00e1 sob administra\u00e7\u00e3o da Guiana. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse ato foi interpretado por Caracas como um &#8220;nascimento da nova soberania venezuelana&#8221;, buscando consolidar a reivindica\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o governo da Guiana, essa movimenta\u00e7\u00e3o representa uma provoca\u00e7\u00e3o e uma amea\u00e7a \u00e0 sua integridade territorial, aumentando a tens\u00e3o bilateral. O presidente Irfaan Ali classificou as elei\u00e7\u00f5es como parte da &#8220;propaganda chavista&#8221; e denunciou o ato como um desafio direto \u00e0 soberania guianense.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Declara\u00e7\u00f5es de Nicol\u00e1s Maduro e o discurso de soberania<\/h2>\n\n\n\n<p>No dia das elei\u00e7\u00f5es venezuelanas para governadores e deputados, o presidente Nicol\u00e1s Maduro afirmou que &#8220;mais cedo do que nunca&#8221; a Guiana ter\u00e1 que aceitar a soberania da Venezuela sobre o Essequibo. Ele classificou a presen\u00e7a guianense na regi\u00e3o como uma &#8220;ocupa\u00e7\u00e3o ilegal&#8221; herdada do imp\u00e9rio brit\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<p>Maduro refor\u00e7ou a disposi\u00e7\u00e3o venezuelana de recuperar o territ\u00f3rio por meio de processos pol\u00edticos e, se necess\u00e1rio, pressionar diplomaticamente. Ao mesmo tempo, criticou interfer\u00eancias externas, sobretudo de pa\u00edses como Brasil e Estados Unidos, que t\u00eam realizado exerc\u00edcios militares na regi\u00e3o em apoio \u00e0 Guiana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Diplomacia e tens\u00f5es militares na regi\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar das declara\u00e7\u00f5es r\u00edspidas, Maduro e o presidente guianense Irfaan Ali se reuniram em dezembro de 2023 para tentar amenizar as tens\u00f5es e buscar solu\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas. Contudo, o clima entre os dois pa\u00edses segue tenso, com frequentes ataques verbais e movimenta\u00e7\u00f5es militares que levantam alertas sobre a possibilidade de um conflito armado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil e os Estados Unidos, preocupados com a estabilidade regional, t\u00eam participado de manobras militares conjuntas com a Guiana, enviando um recado claro para a Venezuela sobre a prote\u00e7\u00e3o da soberania guianense.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Papel da Corte Internacional de Justi\u00e7a (CIJ)<\/h2>\n\n\n\n<p>A Corte Internacional de Justi\u00e7a tem um papel central na tentativa de resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica da disputa. A Guiana apelou ao tribunal para que este ratifique as fronteiras definidas no laudo de 1899, enquanto a Venezuela questiona a validade desse documento e prefere uma solu\u00e7\u00e3o negociada.<\/p>\n\n\n\n<p>A CIJ chegou a solicitar a suspens\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es venezuelanas no Essequibo, ressaltando a import\u00e2ncia da conten\u00e7\u00e3o para evitar escaladas. No entanto, o governo de Maduro desconsiderou essa recomenda\u00e7\u00e3o, afirmando que a soberania sobre o territ\u00f3rio \u00e9 inegoci\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise entre Venezuela e Guiana transcende uma mera disputa territorial. Envolve interesses econ\u00f4micos estrat\u00e9gicos, especialmente relacionados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera, al\u00e9m de impactar a estabilidade e seguran\u00e7a na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>O futuro depender\u00e1 da capacidade de ambos os pa\u00edses de dialogar, com a media\u00e7\u00e3o da comunidade internacional, para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o que respeite o direito internacional e os interesses regionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A disputa entre Venezuela e Guiana pelo controle da regi\u00e3o do Essequibo tem mais de um s\u00e9culo de dura\u00e7\u00e3o. Esse territ\u00f3rio de aproximadamente 160 mil km\u00b2 \u00e9 rico em recursos naturais e estrat\u00e9gico para ambos os pa\u00edses. 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