{"id":17837,"date":"2025-05-23T10:30:00","date_gmt":"2025-05-23T13:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=17837"},"modified":"2025-05-22T18:00:40","modified_gmt":"2025-05-22T21:00:40","slug":"minas-gerais-volta-a-abrigar-ave-extinta-por-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/minas-gerais-volta-a-abrigar-ave-extinta-por-50-anos\/","title":{"rendered":"Minas Gerais volta a abrigar ave extinta por 50 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>Ap\u00f3s 50 anos considerado extinto na natureza de Minas Gerais, o mutum-do-bico-vermelho (Crax blumenbachii) finalmente voltou a habitar seu territ\u00f3rio original. O renascimento da esp\u00e9cie se deu no cora\u00e7\u00e3o da maior reserva cont\u00ednua de Mata Atl\u00e2ntica no Estado, o Parque Estadual do Rio Doce, com seus impressionantes 36 mil hectares de floresta preservada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que uma simples ave, o mutum-do-bico-vermelho \u00e9 uma esp\u00e9cie-chave para a regenera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Especialistas o chamam de \u201cplantador de florestas\u201d, pois ele atua diretamente na dispers\u00e3o de sementes, contribuindo para o renascimento de \u00e1rvores e a manuten\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio ambiental. <\/p>\n\n\n\n<p>Seu retorno representa muito mais que biodiversidade: \u00e9 um passo estrat\u00e9gico para o reflorestamento natural da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O projeto &#8220;De Volta ao Lar&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>A fa\u00e7anha de reintroduzir uma esp\u00e9cie extinta h\u00e1 d\u00e9cadas n\u00e3o acontece por acaso. \u00c9 fruto de anos de trabalho articulado. O projeto \u201cDe Volta ao Lar\u201d, conduzido pela Associa\u00e7\u00e3o de Amigos do Parque (DuPERD) em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), tem sido essencial para transformar a ideia em realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2023, 30 indiv\u00edduos foram reintroduzidos na \u00e1rea conhecida como Ponte Perdida, escolhida criteriosamente por suas condi\u00e7\u00f5es ambientais favor\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Primeiros resultados<\/h2>\n\n\n\n<p>Monitoramentos iniciais trazem sinais animadores, aves j\u00e1 foram vistas a mais de 20 km do ponto de soltura, o que indica uma boa adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente. Mais surpreendente ainda \u00e9 o fato de que filhotes nascidos em liberdade j\u00e1 foram registrados. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso mostra que a esp\u00e9cie est\u00e1 voltando a se reproduzir naturalmente e readquirindo seu espa\u00e7o no ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho atual se baseia em d\u00e9cadas de esfor\u00e7os iniciados nos anos 1990, quando come\u00e7aram as primeiras iniciativas de reprodu\u00e7\u00e3o em cativeiro. A partir da Reserva Particular Fazenda Maced\u00f4nia, em Ipaba, mais de 200 indiv\u00edduos j\u00e1 foram soltos na natureza ao longo dos anos, pavimentando o caminho para este momento hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ecologia e cultura<\/h2>\n\n\n\n<p>Para os idealizadores do projeto, o objetivo vai al\u00e9m da ecologia. \u201cQueremos que o mutum volte a fazer parte da identidade cultural das comunidades locais\u201d, diz Gabriel \u00c1vila, coordenador do projeto. <\/p>\n\n\n\n<p>O retorno da ave representa tamb\u00e9m a valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio natural de Minas Gerais e o resgate de tradi\u00e7\u00f5es que estavam desaparecendo com a perda da biodiversidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto de sucesso \u00e9 o envolvimento da popula\u00e7\u00e3o local. Relatos crescentes de avistamentos da ave por moradores mostram que o projeto tamb\u00e9m tem gerado consci\u00eancia ambiental e orgulho regional. A educa\u00e7\u00e3o ambiental, promovida junto \u00e0s a\u00e7\u00f5es de campo, est\u00e1 aproximando comunidades da causa da conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafios <\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, os desafios s\u00e3o grandes: garantir a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie a longo prazo, combater a ca\u00e7a ilegal, proteger os habitats e monitorar geneticamente as popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o tarefas permanentes. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os sinais s\u00e3o otimistas, e o sucesso em Minas pode servir de modelo para outras regi\u00f5es da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s 50 anos considerado extinto na natureza de Minas Gerais, o mutum-do-bico-vermelho (Crax blumenbachii) finalmente voltou a habitar seu territ\u00f3rio original. 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