{"id":17265,"date":"2025-05-20T08:30:00","date_gmt":"2025-05-20T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=17265"},"modified":"2025-05-19T17:59:13","modified_gmt":"2025-05-19T20:59:13","slug":"dessa-vez-o-el-nino-nao-e-responsavel-pelas-chuvas-intensas-no-brasil-entenda-o-motivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/dessa-vez-o-el-nino-nao-e-responsavel-pelas-chuvas-intensas-no-brasil-entenda-o-motivo\/","title":{"rendered":"Dessa vez o El Ni\u00f1o n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelas chuvas intensas no Brasil; entenda o motivo"},"content":{"rendered":"\n<p>Eventos de chuvas extremas v\u00eam se multiplicando ao redor do planeta, revelando uma mudan\u00e7a nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos globais. Um exemplo recente e alarmante foi a tempestade hist\u00f3rica em Bah\u00eda Blanca, na Argentina, em 7 de mar\u00e7o de 2025. <\/p>\n\n\n\n<p>Em apenas 12 horas, a cidade recebeu impressionantes 290 mil\u00edmetros de chuva, o que provocou grandes inunda\u00e7\u00f5es, causou a morte de pelo menos 16 pessoas e destruiu parte da infraestrutura local.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse desastre lembra as chuvas catastr\u00f3ficas que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024, quando 478 cidades ficaram debaixo d\u2019\u00e1gua. Mais de uma centena de vidas foi perdida e milh\u00f5es de pessoas foram afetadas. <\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma \u00e9poca, a regi\u00e3o de Val\u00eancia, na Espanha, sofreu com uma violenta \u201cgota fria\u201d (Dana), resultando em centenas de mortos. Esses epis\u00f3dios n\u00e3o s\u00e3o isolados: secas severas, inc\u00eandios florestais, furac\u00f5es e enchentes t\u00eam ocorrido com frequ\u00eancia e intensidade crescente em diversos continentes. <\/p>\n\n\n\n<p>A principal explica\u00e7\u00e3o para esse cen\u00e1rio n\u00e3o est\u00e1 em fen\u00f4menos isolados como o El Ni\u00f1o, mas sim no avan\u00e7o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocadas pela a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel do El Ni\u00f1o e por que ele n\u00e3o \u00e9 o vil\u00e3o da vez<\/h2>\n\n\n\n<p>Historicamente, o El Ni\u00f1o, fen\u00f4meno caracterizado pelo aquecimento anormal das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico Equatorial, sempre esteve associado a extremos clim\u00e1ticos no Brasil. Em geral, ele altera padr\u00f5es de vento e temperatura, promovendo chuvas acima da m\u00e9dia no Sul do pa\u00eds e secas no Norte e Nordeste. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, o El Ni\u00f1o teve um papel importante no aumento das temperaturas globais e na intensifica\u00e7\u00e3o de chuvas. No entanto, em 2025, os meteorologistas apontam que esse fen\u00f4meno n\u00e3o est\u00e1 mais ativo nem forte o suficiente para explicar as chuvas torrenciais que ainda continuam a ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) e do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), o El Ni\u00f1o perdeu for\u00e7a desde o final de 2024 e caminha para a neutralidade ou para uma fraca La Ni\u00f1a. <\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, os eventos extremos persistem. Isso indica que h\u00e1 outros fatores mais determinantes em a\u00e7\u00e3o, com destaque para o aquecimento dos oceanos e as mudan\u00e7as no comportamento atmosf\u00e9rico global.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aquecimento dos oceanos e a influ\u00eancia direta nas chuvas<\/h2>\n\n\n\n<p>Os oceanos est\u00e3o funcionando como grandes reservat\u00f3rios de calor. Com a intensifica\u00e7\u00e3o do aquecimento global, as \u00e1guas superficiais dos oceanos t\u00eam atingido temperaturas recordes. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso altera a din\u00e2mica da atmosfera, j\u00e1 que o calor excessivo provoca maior evapora\u00e7\u00e3o e libera mais umidade no ar. Esse processo resulta em nuvens mais carregadas e chuvas mais intensas, mesmo sem a influ\u00eancia direta do El Ni\u00f1o.<\/p>\n\n\n\n<p>Regina Rodrigues, especialista da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial em ondas de calor oce\u00e2nicas, destaca que o atual aquecimento das \u00e1guas \u00e9 um dos principais respons\u00e1veis por eventos como os de 2024 e os que se desenham em 2025. <\/p>\n\n\n\n<p>A umidade atmosf\u00e9rica elevada, originada desses oceanos mais quentes, tem potencializado chuvas curtas, por\u00e9m extremamente volumosas, que causam alagamentos, enchentes e deslizamentos. <\/p>\n\n\n\n<p>O calor acumulado pelos mares tem vida longa e continuar\u00e1 impactando o clima por muitos meses, mesmo com o enfraquecimento dos fen\u00f4menos naturais c\u00edclicos como o El Ni\u00f1o e La Ni\u00f1a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/h2>\n\n\n\n<p>Relat\u00f3rios do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas) afirmam com clareza que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o alterando a frequ\u00eancia, a intensidade e a localiza\u00e7\u00e3o das chuvas no mundo. \u00c0 medida que o planeta se aquece, o ciclo hidrol\u00f3gico se intensifica. <\/p>\n\n\n\n<p>O ar mais quente ret\u00e9m mais vapor de \u00e1gua, o que aumenta a probabilidade de tempestades intensas. A cada aumento de 1\u00b0C na temperatura da Terra, a atmosfera pode reter cerca de 7% mais vapor d\u2019\u00e1gua, o que contribui diretamente para chuvas mais fortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, o efeito n\u00e3o \u00e9 uniforme: enquanto algumas regi\u00f5es enfrentam estiagens prolongadas, outras passam por inunda\u00e7\u00f5es devastadoras. No Brasil, por exemplo, o Norte e Nordeste devem continuar sofrendo com a seca, ao passo que o Sul poder\u00e1 ter chuvas volumosas em um curto per\u00edodo de tempo. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse padr\u00e3o irregular \u00e9 agravado por pr\u00e1ticas humanas como o desmatamento, a urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada e a destrui\u00e7\u00e3o de \u00e1reas naturais que absorvem e drenam a \u00e1gua da chuva. Assim, o impacto das tempestades se torna ainda mais destrutivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A dificuldade crescente em prever e reduzir desastres<\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos principais desafios enfrentados pela ci\u00eancia clim\u00e1tica hoje \u00e9 a r\u00e1pida mudan\u00e7a nos padr\u00f5es atmosf\u00e9ricos. Modelos utilizados por d\u00e9cadas para prever o comportamento do tempo se tornam menos eficazes diante de um planeta em aquecimento acelerado. <\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado, os alertas meteorol\u00f3gicos ainda n\u00e3o conseguem prever com precis\u00e3o a real magnitude de determinados eventos, como as chuvas no Rio Grande do Sul em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas do Cemaden explicam que, embora o alerta sobre chuvas intensas tenha sido emitido com anteced\u00eancia, ningu\u00e9m imaginava a propor\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia que se abateu sobre o estado. <\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo vale para outras regi\u00f5es do Brasil e do mundo, onde os sistemas de defesa civil ainda n\u00e3o est\u00e3o preparados para desastres dessa magnitude. A falta de investimento em preven\u00e7\u00e3o, infraestrutura urbana resiliente e educa\u00e7\u00e3o ambiental contribui para o alto n\u00famero de mortos e os preju\u00edzos bilion\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que esperar de 2025?<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do enfraquecimento do El Ni\u00f1o, 2025 ser\u00e1 mais um ano marcado por extremos clim\u00e1ticos. A previs\u00e3o do Met Office brit\u00e2nico e do programa europeu Copernicus indica que o ano estar\u00e1 entre os tr\u00eas mais quentes j\u00e1 registrados. <\/p>\n\n\n\n<p>Temperaturas elevadas, chuvas abaixo da m\u00e9dia em algumas regi\u00f5es e a persist\u00eancia da seca, especialmente na regi\u00e3o central do Brasil, s\u00e3o os principais elementos do cen\u00e1rio previsto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com uma breve La Ni\u00f1a se formando, sua dura\u00e7\u00e3o e intensidade n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para reverter o quadro. A escassez de chuvas deve se manter, enquanto ondas de calor continuar\u00e3o a afetar milh\u00f5es de pessoas. <\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia direta disso \u00e9 a perman\u00eancia de secas severas e o risco cont\u00ednuo de enchentes repentinas, quando as chuvas finalmente ca\u00edrem em \u00e1reas com solo j\u00e1 endurecido ou sem vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio em que os extremos clim\u00e1ticos se tornam cada vez mais frequentes, a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o principal fator para reduzir trag\u00e9dias e proteger vidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eventos de chuvas extremas v\u00eam se multiplicando ao redor do planeta, revelando uma mudan\u00e7a nos padr\u00f5es clim\u00e1ticos globais. Um exemplo recente e alarmante foi a tempestade hist\u00f3rica em Bah\u00eda Blanca, na Argentina, em 7 de mar\u00e7o de 2025. 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