{"id":16489,"date":"2025-05-14T08:30:00","date_gmt":"2025-05-14T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=16489"},"modified":"2025-05-13T20:12:28","modified_gmt":"2025-05-13T23:12:28","slug":"experimento-que-dura-98-anos-entrou-para-o-guiness-book","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/experimento-que-dura-98-anos-entrou-para-o-guiness-book\/","title":{"rendered":"Experimento que dura 98 anos entrou para o Guiness Book"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 98 anos, em um laborat\u00f3rio da Universidade de Queensland, na Austr\u00e1lia, repousa um funil de vidro contendo uma subst\u00e2ncia negra e viscosa conhecida como piche, ou betume. Este material, derivado do petr\u00f3leo, tem sido o foco de um dos experimentos cient\u00edficos mais fascinantes e duradouros j\u00e1 realizados. <\/p>\n\n\n\n<p>O experimento, iniciado em 1927, foi projetado para mostrar ao mundo um comportamento singular da mat\u00e9ria: como um l\u00edquido pode se comportar de maneira quase s\u00f3lida em escalas de tempo extremas. Esse estudo n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 um exemplo not\u00e1vel da paci\u00eancia cient\u00edfica, como tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o sobre os limites da nossa percep\u00e7\u00e3o sobre a natureza da mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Origem do experimento<\/h2>\n\n\n\n<p>A ideia por tr\u00e1s do &#8220;Experimento do Piche&#8221; foi concebida pelo professor Thomas Parnell, do Departamento de F\u00edsica da Universidade de Queensland. O objetivo era ilustrar a diferen\u00e7a no comportamento dos materiais quando observados em diferentes escalas temporais. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 1927, Parnell aqueceu o piche, despejou-o em um funil de vidro e deixou que o material se acomodasse por tr\u00eas anos, de forma a garantir que estivesse totalmente compactado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1930, o experimento finalmente foi iniciado, com Parnell cortando o bico do funil e permitindo que o piche come\u00e7asse a escorrer. Desde ent\u00e3o, o material tem se comportado de forma impressionante, deixando cair, de maneira extremamente lenta, gotas de piche. <\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo era provar que, apesar de parecer s\u00f3lido, o piche \u00e9, na verdade, um l\u00edquido com uma viscosidade t\u00e3o alta que suas gotas caem de forma quase impercept\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Comportamento surpreendente do piche<\/h2>\n\n\n\n<p>O piche \u00e9 uma subst\u00e2ncia com uma viscosidade impressionante, cerca de 230 bilh\u00f5es de vezes maior que a da \u00e1gua. Isso significa que, embora seja tecnicamente um l\u00edquido, sua fluidez \u00e9 extremamente lenta, o que torna a queda de cada gota um evento rar\u00edssimo. <\/p>\n\n\n\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, a queda de uma \u00fanica gota pode levar d\u00e9cadas, ou at\u00e9 mais, para acontecer. At\u00e9 o momento, apenas nove gotas ca\u00edram, e a d\u00e9cima pode levar ainda mais anos para ser registrada, provavelmente na pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Espera e os desafios tecnol\u00f3gicos<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora o experimento tenha come\u00e7ado oficialmente em 1930, a observa\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno da queda das gotas de piche foi um processo demorado. A primeira gota a cair foi registrada em 2014, ap\u00f3s anos de tentativas frustradas de documentar o evento. <\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, em 2000, a oitava gota caiu pouco antes que a c\u00e2mera de v\u00eddeo, que hoje grava o experimento, fosse instalada. Mais tarde, um problema t\u00e9cnico impediu a grava\u00e7\u00e3o da nona gota, o que tornou a captura de cada evento uma grande expectativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, finalmente, a primeira gota foi registrada em v\u00eddeo, em um experimento semelhante realizado no Trinity College, em Dublin. Esse marco representou um grande feito para a ci\u00eancia, e tamb\u00e9m para o pr\u00f3prio experimento da Universidade de Queensland, que at\u00e9 hoje continua a ser monitorado de perto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Persist\u00eancia e os recordes<\/h2>\n\n\n\n<p>O &#8220;Experimento do Piche&#8221; foi reconhecido pelo Guinness Book como o experimento cient\u00edfico cont\u00ednuo mais longo do mundo, uma fa\u00e7anha impressionante, que evidencia a persist\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o dos cientistas envolvidos. <\/p>\n\n\n\n<p>Em 2005, o experimento foi premiado com o Pr\u00eamio Ig Nobel de F\u00edsica, uma par\u00f3dia do famoso Pr\u00eamio Nobel, por sua originalidade e pela paci\u00eancia necess\u00e1ria para manter o estudo vivo por tantas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o funil de piche original est\u00e1 armazenado em uma vitrine de acr\u00edlico, sob constante vigil\u00e2ncia. O atual curador do experimento, professor Andrew White, \u00e9 o respons\u00e1vel por garantir que o estudo continue a ser monitorado, e o legado de Thomas Parnell e John Mainstone, que assumiu a responsabilidade pela pesquisa ap\u00f3s a morte de Parnell em 1948, seja mantido.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto aguardamos a d\u00e9cima gota de piche, este experimento permanece um testemunho da busca incessante por respostas, e uma prova de que, na ci\u00eancia, nem todo fen\u00f4meno precisa ser apressado, alguns podem ser apreciados ao longo de d\u00e9cadas, ou at\u00e9 mesmo de um s\u00e9culo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 98 anos, em um laborat\u00f3rio da Universidade de Queensland, na Austr\u00e1lia, repousa um funil de vidro contendo uma subst\u00e2ncia negra e viscosa conhecida como piche, ou betume. Este material, derivado do petr\u00f3leo, tem sido o foco de um dos experimentos cient\u00edficos mais fascinantes e duradouros j\u00e1 realizados. 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