{"id":16266,"date":"2025-05-14T09:00:00","date_gmt":"2025-05-14T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=16266"},"modified":"2025-05-13T16:28:31","modified_gmt":"2025-05-13T19:28:31","slug":"diabetes-tipo-2-deve-ser-rastreada-a-partir-dos-35-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/diabetes-tipo-2-deve-ser-rastreada-a-partir-dos-35-anos\/","title":{"rendered":"Diabetes tipo 2 deve ser rastreada a partir dos 35 anos"},"content":{"rendered":"\n<p>A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recentemente publicou uma atualiza\u00e7\u00e3o importante em suas diretrizes para o rastreamento e diagn\u00f3stico do diabetes tipo 2. <\/p>\n\n\n\n<p>A nova recomenda\u00e7\u00e3o, que foi publicada na revista cient\u00edfica Diabetology &amp; Metabolic Syndrome em mar\u00e7o deste ano, reflete uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as nas pr\u00e1ticas m\u00e9dicas que visam aumentar a detec\u00e7\u00e3o precoce dessa condi\u00e7\u00e3o silenciosa e suas complica\u00e7\u00f5es associadas. <\/p>\n\n\n\n<p>A principal mudan\u00e7a envolve a redu\u00e7\u00e3o da faixa et\u00e1ria de triagem, que passa a incluir todos os adultos a partir dos 35 anos, al\u00e9m de ajustes em alguns crit\u00e9rios de diagn\u00f3stico e uma \u00eanfase na preven\u00e7\u00e3o desde a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Redu\u00e7\u00e3o da idade para in\u00edcio da triagem<\/h2>\n\n\n\n<p>Uma das principais altera\u00e7\u00f5es nas novas diretrizes \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da idade m\u00ednima para o rastreamento de diabetes tipo 2. Anteriormente, a triagem era indicada para adultos a partir dos 45 anos, agora passando a ser recomendada para todos os adultos a partir dos 35 anos, independentemente da presen\u00e7a de sintomas ou fatores de risco conhecidos. <\/p>\n\n\n\n<p>Esta mudan\u00e7a visa identificar precocemente os casos de diabetes, antes que o paciente desenvolva complica\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 doen\u00e7a, como problemas cardiovasculares, que podem come\u00e7ar a surgir mesmo com n\u00edveis discretos de glicose elevados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, para pessoas com menos de 35 anos, o rastreamento tamb\u00e9m se aplica aos que possuem sobrepeso ou obesidade, desde que associados a outros fatores de risco, como hist\u00f3rico familiar de diabetes tipo 2, hipertens\u00e3o, n\u00edveis elevados de triglicer\u00eddeos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inclus\u00e3o do rastreamento em crian\u00e7as e adolescentes<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro ponto importante das novas diretrizes \u00e9 a inclus\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes assintom\u00e1ticos, especialmente aqueles com sobrepeso ou obesidade, no grupo de risco para o diabetes tipo 2. <\/p>\n\n\n\n<p>O rastreamento nestes casos deve ser iniciado a partir dos 10 anos de idade ou ap\u00f3s o in\u00edcio da puberdade, o que ocorrer primeiro, caso apresentem pelo menos um fator de risco adicional. Fatores como a presen\u00e7a de diabetes gestacional na m\u00e3e s\u00e3o levados em considera\u00e7\u00e3o, assim como a s\u00edndrome dos ov\u00e1rios polic\u00edsticos e o sedentarismo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exames para diagn\u00f3stico<\/h2>\n\n\n\n<p>As novas diretrizes mant\u00eam os exames de glicemia de jejum e hemoglobina glicada (A1c) como os principais m\u00e9todos de triagem para o diabetes tipo 2. Ambos os testes devem ser realizados em conjunto para confirma\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica. <\/p>\n\n\n\n<p>Se os resultados da glicemia de jejum forem iguais ou superiores a 126 mg\/dl, ou se a hemoglobina glicada estiver acima de 6,5%, o diagn\u00f3stico de diabetes \u00e9 confirmado, sem a necessidade de exames adicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, se apenas um dos exames apresentar altera\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio repetir os testes para confirmar o diagn\u00f3stico. Para os casos onde os n\u00edveis de glicose n\u00e3o s\u00e3o suficientemente elevados para indicar diabetes, mas ainda est\u00e3o fora da faixa normal, recomenda-se a realiza\u00e7\u00e3o do Teste de Toler\u00e2ncia \u00e0 Glicose Oral (TTGO), agora com um novo protocolo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mudan\u00e7a no protocolo do Teste de Toler\u00e2ncia \u00e0 Glicose Oral (TTGO)<\/h2>\n\n\n\n<p>O TTGO, tradicionalmente realizado com uma coleta de sangue duas horas ap\u00f3s a ingest\u00e3o de glicose, agora ser\u00e1 feito uma hora ap\u00f3s a ingest\u00e3o, o que proporciona uma detec\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida e precoce de casos de pr\u00e9-diabetes. Essa mudan\u00e7a tem como objetivo facilitar o acesso ao exame, especialmente em centros de diagn\u00f3stico, uma vez que o teste se torna mais simples e menos custoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, esse protocolo de uma hora tem a capacidade de identificar precocemente casos de pr\u00e9-diabetes, aumentando em at\u00e9 40% a detec\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos em risco de desenvolver a doen\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 fundamental, pois, mesmo antes do diagn\u00f3stico de diabetes, n\u00edveis elevados de glicose j\u00e1 podem desencadear processos inflamat\u00f3rios que favorecem o desenvolvimento de aterosclerose, aumentando o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Orienta\u00e7\u00e3o para profissionais de sa\u00fade<\/h2>\n\n\n\n<p>Outra novidade das novas diretrizes \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um fluxograma cl\u00ednico que orienta os profissionais de sa\u00fade sobre como conduzir o rastreamento de forma pr\u00e1tica e eficiente. <\/p>\n\n\n\n<p>Este material foi desenvolvido com base em evid\u00eancias cient\u00edficas, com o intuito de facilitar o diagn\u00f3stico precoce em diferentes contextos do sistema de sa\u00fade, garantindo que os m\u00e9dicos possam agir de forma segura e no tempo certo, otimizando os recursos dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Crescimento do diabetes tipo 2 no Brasil e no mundo<\/h2>\n\n\n\n<p>A atualiza\u00e7\u00e3o das diretrizes ocorre em um momento cr\u00edtico, diante do aumento global do diabetes tipo 2. A 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Diabetes (IDF) estima que cerca de 589 milh\u00f5es de adultos entre 20 e 79 anos vivam com a doen\u00e7a no mundo. <\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a SBD estima que aproximadamente 20 milh\u00f5es de pessoas convivam com o diabetes tipo 2, representando cerca de 10,2% da popula\u00e7\u00e3o. Esse cen\u00e1rio torna ainda mais urgente a implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de rastreamento e diagn\u00f3stico precoce.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao antecipar o in\u00edcio da triagem para os 35 anos e ampliar os crit\u00e9rios de rastreamento para diferentes faixas et\u00e1rias e perfis cl\u00ednicos, a SBD demonstra um compromisso com a preven\u00e7\u00e3o, o diagn\u00f3stico precoce e a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recentemente publicou uma atualiza\u00e7\u00e3o importante em suas diretrizes para o rastreamento e diagn\u00f3stico do diabetes tipo 2. 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