{"id":15743,"date":"2025-05-12T08:00:00","date_gmt":"2025-05-12T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=15743"},"modified":"2025-05-09T17:15:07","modified_gmt":"2025-05-09T20:15:07","slug":"toxina-que-poucos-conhecem-pode-ter-causado-intoxicacao-em-medicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/toxina-que-poucos-conhecem-pode-ter-causado-intoxicacao-em-medicas\/","title":{"rendered":"Toxina que poucos conhecem pode ter causado intoxica\u00e7\u00e3o em m\u00e9dicas"},"content":{"rendered":"\n<p>A intoxica\u00e7\u00e3o alimentar que levou duas m\u00e9dicas \u00e0 UTI ap\u00f3s consumirem peixe em um restaurante em Natal acendeu o alerta para um risco at\u00e9 ent\u00e3o pouco discutido no Brasil: a ciguatera. <\/p>\n\n\n\n<p>Embora a intoxica\u00e7\u00e3o por ciguatera seja mais comum no Caribe, ela tem sido cada vez mais registrada na costa brasileira, colocando em evid\u00eancia uma toxina originada de algas marinhas, conhecida como ciguatoxina, e sua dissemina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da cadeia alimentar marinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O incidente que envolveu as duas m\u00e9dicas internadas em estado grave ap\u00f3s o consumo de peixe em um restaurante em Natal gerou uma investiga\u00e7\u00e3o urgente das autoridades sanit\u00e1rias. Embora a causa exata da intoxica\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tenha sido confirmada, a suspeita \u00e9 de que a ciguatera tenha sido a respons\u00e1vel. <\/p>\n\n\n\n<p>As autoridades de sa\u00fade coletaram amostras dos alimentos consumidos pelas v\u00edtimas para an\u00e1lise, e a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo acompanhada pelo Departamento de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade de Natal e pela Secretaria Estadual da Sa\u00fade P\u00fablica do Rio Grande do Norte (Sesap).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 ciguatera?<\/h2>\n\n\n\n<p>A ciguatera \u00e9 uma intoxica\u00e7\u00e3o alimentar rara, mas grave, que ocorre ap\u00f3s o consumo de peixes marinhos contaminados por toxinas produzidas por dinoflagelados, organismos microsc\u00f3picos que se desenvolvem em recifes de corais, particularmente em regi\u00f5es tropicais e subtropicais. As toxinas mais comuns associadas a essa condi\u00e7\u00e3o s\u00e3o ciguatoxinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas toxinas n\u00e3o t\u00eam cheiro, sabor, nem s\u00e3o destru\u00eddas pelo cozimento ou congelamento, o que torna o diagn\u00f3stico e a preven\u00e7\u00e3o extremamente desafiadores. Ciguatera n\u00e3o pode ser detectada antes do consumo, uma vez que os peixes contaminados aparentam estar perfeitamente normais. <\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 tratamento espec\u00edfico, sendo fundamental o atendimento m\u00e9dico r\u00e1pido, geralmente focado em aliviar os sintomas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cadeia alimentar da ciguatera<\/h2>\n\n\n\n<p>A ciguatoxina se acumula ao longo da cadeia alimentar marinha. Algas t\u00f3xicas como o Gambierdiscus toxicus, presente em recifes de corais, s\u00e3o ingeridas por peixes herb\u00edvoros, que por sua vez s\u00e3o consumidos por peixes carn\u00edvoros. Quando seres humanos consomem esses peixes, o ciclo se fecha, e as toxinas entram no organismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os peixes que frequentemente acumular\u00e3o essas toxinas s\u00e3o aqueles de grande porte e carn\u00edvoros, como o dourado, envolvido no caso em quest\u00e3o. Embora o dourado n\u00e3o seja um peixe t\u00edpico de recife, sua alimenta\u00e7\u00e3o carn\u00edvora pode fazer com que ele bioacumule a toxina, tornando-o perigoso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sintomas e manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas<\/h2>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias de consumir peixe contaminado por ciguatera podem ser severas. Os sintomas iniciais incluem dor abdominal, n\u00e1useas, v\u00f4mitos e diarreia. <\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, o quadro pode evoluir para sintomas neurol\u00f3gicos graves, como invers\u00e3o t\u00e9rmica, onde a sensa\u00e7\u00e3o de calor e frio se invertem, al\u00e9m de formigamento, fraqueza muscular e at\u00e9 problemas card\u00edacos como bradicardia (batimento card\u00edaco lento) e hipotens\u00e3o (press\u00e3o arterial baixa).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses sintomas podem persistir por dias ou at\u00e9 meses, dependendo da intensidade da intoxica\u00e7\u00e3o, e a recupera\u00e7\u00e3o pode ser demorada. A condi\u00e7\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de diagnosticar, pois n\u00e3o existem exames laboratoriais espec\u00edficos para confirmar a presen\u00e7a de ciguatoxina nos humanos. O diagn\u00f3stico depende do hist\u00f3rico alimentar e da an\u00e1lise dos sintomas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafio da preven\u00e7\u00e3o e monitoramento<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora as autoridades de sa\u00fade alertem para o risco de ciguatera, a intoxica\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um fen\u00f4meno subnotificado no Brasil, o que contribui para a dificuldade em estimar a verdadeira magnitude do problema. <\/p>\n\n\n\n<p>Casos registrados no estado de Pernambuco e no arquip\u00e9lago de Fernando de Noronha desde 2022 indicam que a ciguatera est\u00e1 se tornando uma preocupa\u00e7\u00e3o crescente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Secretaria Estadual de Sa\u00fade P\u00fablica (Sesap) j\u00e1 emitiu uma nota informativa para alertar os profissionais da sa\u00fade sobre a possibilidade de intoxica\u00e7\u00f5es ex\u00f3genas associadas ao consumo de peixes contaminados por toxinas como a ciguatera, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia da vigil\u00e2ncia e do acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Outras hip\u00f3teses de intoxica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da ciguatera, outras causas de intoxica\u00e7\u00e3o alimentar tamb\u00e9m precisam ser consideradas, como a intoxica\u00e7\u00e3o por histamina, que ocorre quando h\u00e1 falhas na cadeia de frio durante o transporte ou manuseio do pescado. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de intoxica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode provocar sintomas gastrointestinais semelhantes, como n\u00e1useas e v\u00f4mitos, e ocorre quando os peixes n\u00e3o s\u00e3o armazenados adequadamente ap\u00f3s a captura.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do Sindicato da Ind\u00fastria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindpesca\/RN), Arimar Filho, mencionou essa possibilidade, embora tamb\u00e9m tenha destacado que os sintomas observados nas m\u00e9dicas s\u00e3o compat\u00edveis com a ciguatera, uma intoxica\u00e7\u00e3o natural e dif\u00edcil de detectar antes do consumo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Papel da Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria <\/h2>\n\n\n\n<p>O caso destaca a necessidade de rastreabilidade do pescado e da inspe\u00e7\u00e3o rigorosa de estabelecimentos que comercializam frutos do mar. Mesmo com a inspe\u00e7\u00e3o federal, que realiza an\u00e1lises regulares de pescado, a ciguatera n\u00e3o pode ser evitada, pois a contamina\u00e7\u00e3o ocorre naturalmente e \u00e9 invis\u00edvel ao olho humano. <\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a higieniza\u00e7\u00e3o adequada e o controle da cadeia de frio s\u00e3o essenciais para minimizar o risco de outras intoxica\u00e7\u00f5es alimentares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A intoxica\u00e7\u00e3o alimentar que levou duas m\u00e9dicas \u00e0 UTI ap\u00f3s consumirem peixe em um restaurante em Natal acendeu o alerta para um risco at\u00e9 ent\u00e3o pouco discutido no Brasil: a ciguatera. 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