{"id":15532,"date":"2025-05-09T10:00:00","date_gmt":"2025-05-09T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=15532"},"modified":"2025-05-08T17:43:51","modified_gmt":"2025-05-08T20:43:51","slug":"gravida-entregava-atestados-falsos-e-levou-justa-causa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/gravida-entregava-atestados-falsos-e-levou-justa-causa\/","title":{"rendered":"Gr\u00e1vida entregava atestados falsos e levou justa causa"},"content":{"rendered":"\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de uma atendente gr\u00e1vida, empregada de um restaurante localizado no bairro da Gra\u00e7a, em Salvador, ganhou destaque ap\u00f3s a funcion\u00e1ria ser demitida por justa causa. <\/p>\n\n\n\n<p>A demiss\u00e3o ocorreu ap\u00f3s a empresa descobrir que ela havia apresentado, ao longo de um per\u00edodo, seis atestados m\u00e9dicos falsificados para justificar suas faltas ao trabalho. O caso gerou pol\u00eamica, n\u00e3o s\u00f3 pela fraude cometida pela trabalhadora, mas tamb\u00e9m pela quest\u00e3o da estabilidade gestacional, que, nesse contexto, n\u00e3o foi suficiente para reverter a decis\u00e3o judicial. <\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-BA) se posicionou de maneira firme, mantendo a demiss\u00e3o e afastando os pedidos de verbas rescis\u00f3rias e outros direitos da ex-funcion\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A descoberta da fraude<\/h2>\n\n\n\n<p>O enredo dessa hist\u00f3ria come\u00e7ou em novembro de 2022, quando a funcion\u00e1ria entregou um atestado m\u00e9dico com um erro de grafia no nome do m\u00e9dico respons\u00e1vel. Esse erro levantou suspeitas, e a empresa, buscando esclarecer a situa\u00e7\u00e3o, entrou em contato com a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) San Martin, onde a funcion\u00e1ria alegava ter sido atendida. <\/p>\n\n\n\n<p>Para surpresa da empresa, foi confirmado que o m\u00e9dico mencionado no atestado n\u00e3o atuava na unidade de sa\u00fade e que, al\u00e9m disso, a trabalhadora n\u00e3o havia sido atendida por nenhum profissional daquela institui\u00e7\u00e3o. A partir dessa constata\u00e7\u00e3o, a fraude foi revelada e a empresa tomou medidas legais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Atitude da funcion\u00e1ria e suas consequ\u00eancias<\/h2>\n\n\n\n<p>A trabalhadora, ao ser confrontada com a descoberta da falsifica\u00e7\u00e3o, apresentou diversos outros atestados, todos com o mesmo problema de autenticidade. De acordo com o TRT-BA, a empresa conseguiu confirmar que apenas um dos sete atestados apresentados pela funcion\u00e1ria era genu\u00edno. <\/p>\n\n\n\n<p>A falta de transpar\u00eancia nos documentos, incluindo o envio de fotos e n\u00e3o de originais, alimentou ainda mais a suspeita de que a funcion\u00e1ria estava tentando enganar a empresa. Esse comportamento foi considerado um ato de improbidade, comprometendo a confian\u00e7a essencial para a manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Justa causa e seus efeitos legais<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com a decis\u00e3o da ju\u00edza Cec\u00edlia Pontes, da 25\u00aa Vara do Trabalho de Salvador, a atitude da atendente configurou um motivo suficiente para sua demiss\u00e3o por justa causa. <\/p>\n\n\n\n<p>A ju\u00edza negou os pedidos da ex-funcion\u00e1ria, incluindo o direito \u00e0s verbas rescis\u00f3rias, horas extras, vale-transporte e, principalmente, a indeniza\u00e7\u00e3o pela estabilidade gestacional, que \u00e9 um direito assegurado por lei a mulheres gr\u00e1vidas durante o per\u00edodo de gesta\u00e7\u00e3o e at\u00e9 cinco meses ap\u00f3s o parto.<\/p>\n\n\n\n<p>O tribunal entendeu que, embora a funcion\u00e1ria estivesse gr\u00e1vida no momento da dispensa, a estabilidade gestacional n\u00e3o se aplica quando a rescis\u00e3o do contrato ocorre por justa causa comprovada. Isso reflete a premissa de que a estabilidade n\u00e3o deve ser utilizada como prote\u00e7\u00e3o para comportamentos fraudulentos no ambiente de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Decis\u00e3o un\u00e2nime e repercuss\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>A 4\u00aa Turma do TRT-BA, em sua an\u00e1lise, manteve a decis\u00e3o de primeiro grau por unanimidade, considerando que a conduta da trabalhadora afetou a confian\u00e7a necess\u00e1ria para a continuidade do v\u00ednculo empregat\u00edcio. <\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o foi clara ao afirmar que a fraude e a quebra de confian\u00e7a geraram um dano irrepar\u00e1vel \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de trabalho, tornando imposs\u00edvel a manuten\u00e7\u00e3o do contrato, mesmo em um contexto de gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa decis\u00e3o \u00e9 relevante pois demonstra que, em situa\u00e7\u00f5es de fraude ou deslealdade no ambiente de trabalho, o direito \u00e0 estabilidade gestacional n\u00e3o pode ser visto como um escudo para a impunidade. A penalidade de justa causa foi mantida, refor\u00e7ando a ideia de que a confian\u00e7a m\u00fatua entre empregador e empregado \u00e9 essencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da demiss\u00e3o por justa causa, a ex-funcion\u00e1ria foi condenada ao pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios. Contudo, o valor da cobran\u00e7a foi suspenso em virtude do benef\u00edcio da justi\u00e7a gratuita, que foi concedido \u00e0 trabalhadora devido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto da fraude no mercado de trabalho e na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista<\/h2>\n\n\n\n<p>Este caso chama aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia de pol\u00edticas de controle interno nas empresas, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autentica\u00e7\u00e3o de documentos m\u00e9dicos, que s\u00e3o comumente apresentados para justificar aus\u00eancias. <\/p>\n\n\n\n<p>A facilidade com que documentos podem ser falsificados, somada \u00e0 falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o, pode prejudicar n\u00e3o s\u00f3 as empresas, mas tamb\u00e9m os trabalhadores que verdadeiramente necessitam de afastamento m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o caso reflete a aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista no que se refere \u00e0s demiss\u00f5es por justa causa. Embora o direito \u00e0 estabilidade gestacional seja amplamente reconhecido, ele n\u00e3o pode ser usado como uma forma de proteger comportamentos fraudulentos, como demonstrado na decis\u00e3o judicial. <\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho honesto e a boa-f\u00e9 s\u00e3o princ\u00edpios fundamentais que orientam as rela\u00e7\u00f5es de emprego.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o de uma atendente gr\u00e1vida, empregada de um restaurante localizado no bairro da Gra\u00e7a, em Salvador, ganhou destaque ap\u00f3s a funcion\u00e1ria ser demitida por justa causa. A demiss\u00e3o ocorreu ap\u00f3s a empresa descobrir que ela havia apresentado, ao longo de um per\u00edodo, seis atestados m\u00e9dicos falsificados para justificar suas faltas ao trabalho. 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