{"id":14513,"date":"2025-05-05T22:00:00","date_gmt":"2025-05-06T01:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=14513"},"modified":"2025-05-02T13:00:15","modified_gmt":"2025-05-02T16:00:15","slug":"quase-50-anistias-foram-aprovadas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/quase-50-anistias-foram-aprovadas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Quase 50 anistias foram aprovadas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil est\u00e1 prestes a alcan\u00e7ar a marca de 50 anistias federais aprovadas desde a Independ\u00eancia, em 1822. Segundo levantamento realizado pelo jornal digital <a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Poder360<\/a>, foram 48 anistias concedidas at\u00e9 mar\u00e7o de 2025, com a 49\u00aa atualmente em an\u00e1lise no Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O requerimento de urg\u00eancia para vota\u00e7\u00e3o do projeto que prop\u00f5e o perd\u00e3o aos condenados pelos atos de 8 de janeiro foi protocolado em 14 de abril de 2025 pelo l\u00edder do PL na C\u00e2mara dos Deputados, S\u00f3stenes Cavalcante (RJ).<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta reacende o debate sobre o uso pol\u00edtico da anistia no pa\u00eds. Historicamente, esses perd\u00f5es foram utilizados em diferentes contextos, como repress\u00f5es a revoltas, reconcilia\u00e7\u00e3o nacional, redemocratiza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo para evitar puni\u00e7\u00f5es a agentes do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que a primeira anistia brasileira, em 1822, perdoou cidad\u00e3os que se opuseram \u00e0 separa\u00e7\u00e3o de Portugal. Desde ent\u00e3o, epis\u00f3dios como a Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata e a ditadura militar foram contemplados com medidas semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Anistias \u00e9 um instrumento de reconcilia\u00e7\u00e3o ou de impunidade?<\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a anistia tenha base legal no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del2848compilado.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Penal<\/a> e na <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<\/a>, seu uso frequente levanta questionamentos sobre sua real fun\u00e7\u00e3o. A legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea que a concess\u00e3o da anistia \u00e9 compet\u00eancia do Congresso Nacional, com san\u00e7\u00e3o presidencial, sendo uma ferramenta que extingue a punibilidade de crimes cometidos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante mencionar que a amplitude dessa medida permite que ela v\u00e1 al\u00e9m da simples liberta\u00e7\u00e3o de condenados, eliminando o pr\u00f3prio fato criminoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, seu car\u00e1ter muitas vezes transcende a t\u00e9cnica jur\u00eddica e adentra o campo pol\u00edtico, como observado em diversos momentos da hist\u00f3ria brasileira. A anistia de 1979, por exemplo, foi marcante na transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica, mas tamb\u00e9m criticada por ter deixado impunes torturadores do regime militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro detalhe importante \u00e9 que a anistia pode representar riscos \u00e0 estabilidade democr\u00e1tica. Isso porque, ao perdoar crimes graves, ela pode promover a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade, desvalorizar o sistema de justi\u00e7a e gerar frustra\u00e7\u00e3o em v\u00edtimas e seus familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o brasileira pro\u00edbe expressamente o perd\u00e3o para crimes como tortura, tr\u00e1fico de drogas, terrorismo e crimes hediondos, estabelecendo limites \u00e0 sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3rico mostra uso estrat\u00e9gico ao longo dos s\u00e9culos<\/h2>\n\n\n\n<p>Vale mencionar que as anistias no Brasil sempre foram concedidas em momentos estrat\u00e9gicos. Durante a Rep\u00fablica Velha, atos como a Revolta Armada e a Revolta do Juazeiro foram perdoados. No per\u00edodo Vargas, beneficiaram-se tanto opositores da Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista de 1932 quanto desertores da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1951 e 1979, foram aprovadas 12 anistias federais. Algumas visavam crimes eleitorais, inj\u00farias contra autoridades, greves e persegui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. A mais conhecida, a Lei n\u00ba 6.683, de 28 de agosto de 1979, beneficiou n\u00e3o apenas opositores do regime, mas tamb\u00e9m agentes do Estado envolvidos em repress\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil est\u00e1 prestes a alcan\u00e7ar a marca de 50 anistias federais aprovadas desde a Independ\u00eancia, em 1822. Segundo levantamento realizado pelo jornal digital Poder360, foram 48 anistias concedidas at\u00e9 mar\u00e7o de 2025, com a 49\u00aa atualmente em an\u00e1lise no Congresso Nacional. 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