{"id":11329,"date":"2025-04-13T17:45:00","date_gmt":"2025-04-13T20:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/?p=11329"},"modified":"2025-04-08T23:55:10","modified_gmt":"2025-04-09T02:55:10","slug":"esses-macacos-formam-frases-ao-combinar-os-sons","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tribunademinas.com.br\/colunas\/maistendencias\/esses-macacos-formam-frases-ao-combinar-os-sons\/","title":{"rendered":"Esses macacos formam frases ao combinar os sons"},"content":{"rendered":"\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o entre seres humanos \u00e9 \u00fanica, n\u00e3o apenas por nossa capacidade de compreender e emitir sons, mas pela habilidade de combinar palavras e sons para formar frases complexas, criando um n\u00famero infinito de significados. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse fen\u00f4meno, que \u00e9 considerado uma das maiores distin\u00e7\u00f5es entre os seres humanos e outros animais, \u00e9 chamado de composicionalidade. Este conceito descreve a habilidade de organizar unidades lingu\u00edsticas independentes para criar significados novos e mais sofisticados. <\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 recentemente, acreditava-se que essa capacidade era exclusiva dos seres humanos, uma caracter\u00edstica \u00fanica da nossa esp\u00e9cie. No entanto, um estudo recente sobre os bonobos (Pan paniscus), macacos primatas pr\u00f3ximos aos chimpanz\u00e9s, desafia essa ideia e sugere que uma forma modesta de composicionalidade tamb\u00e9m pode ser observada entre os nossos parentes evolutivos mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Estudo inovador<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo publicado na revista Science por uma equipe de cientistas da Universidade de Harvard e da Universidade de Zurique oferece uma perspectiva nova sobre a comunica\u00e7\u00e3o animal. <\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi realizada ao longo de v\u00e1rios meses, com o registro e an\u00e1lise de centenas de horas de grava\u00e7\u00f5es das vocaliza\u00e7\u00f5es de bonobos em uma reserva natural na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo.<\/p>\n\n\n\n<p> O objetivo era identificar se os bonobos possuem a capacidade de combinar sons de forma a gerar significados mais complexos, caracter\u00edstica que, at\u00e9 ent\u00e3o, era considerada exclusiva dos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pesquisa, os cientistas n\u00e3o apenas gravaram os sons emitidos pelos bonobos, mas tamb\u00e9m coletaram informa\u00e7\u00f5es detalhadas sobre o contexto em que essas vocaliza\u00e7\u00f5es ocorreram. <\/p>\n\n\n\n<p>Eles analisaram o comportamento dos bonobos, o ambiente em que estavam e a intera\u00e7\u00e3o com outros indiv\u00edduos, criando uma esp\u00e9cie de &#8220;dicion\u00e1rio&#8221; de sons e seus respectivos significados. <\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa an\u00e1lise, os pesquisadores foram capazes de identificar padr\u00f5es que sugerem que os bonobos podem combinar sons espec\u00edficos para gerar novos sentidos, um fen\u00f4meno que \u00e9 um exemplo de composicionalidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Composicionalidade trivial vs. composicionalidade n\u00e3o-trivial<\/h2>\n\n\n\n<p>Antes de discutir a relev\u00e2ncia dessa descoberta, \u00e9 importante entender os dois tipos principais de composicionalidade. A composicionalidade trivial ocorre quando as unidades lingu\u00edsticas podem ser combinadas de forma simples e independente, como no exemplo da express\u00e3o &#8220;dan\u00e7arino loiro&#8221;, onde as palavras &#8220;dan\u00e7arino&#8221; e &#8220;loiro&#8221; t\u00eam significados independentes. <\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a composicionalidade n\u00e3o-trivial envolve a combina\u00e7\u00e3o de palavras ou sons cujos significados se alteram quando usados em conjunto, como na express\u00e3o &#8220;bom dan\u00e7arino&#8221;, onde o adjetivo &#8220;bom&#8221; tem seu significado ajustado pela palavra &#8220;dan\u00e7arino&#8221;, gerando um novo conceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00faltimo tipo de composicionalidade \u00e9 o que torna a comunica\u00e7\u00e3o humana t\u00e3o sofisticada e flex\u00edvel, permitindo-nos expressar uma infinidade de ideias complexas. At\u00e9 agora, a composicionalidade n\u00e3o-trivial era considerada um fen\u00f4meno exclusivamente humano. <\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o estudo revelou que os bonobos exibem uma forma modesta dessa capacidade, desafiando nossa compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da linguagem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como os bonobos usam sons para criar significados novos<\/h2>\n\n\n\n<p>Os cientistas descobriram que os bonobos s\u00e3o capazes de combinar diferentes sons para criar novos significados, com um n\u00edvel de complexidade semelhante \u00e0 composicionalidade n\u00e3o-trivial. <\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, um som denominado &#8220;Peep&#8221;, que significa &#8220;Venha!&#8221;, pode ser combinado com outro som chamado &#8220;High-hoot&#8221;, que significa &#8220;Preste aten\u00e7\u00e3o em mim!&#8221;. Juntos, esses sons s\u00e3o usados pelos bonobos para coordenar o grupo antes de iniciar uma viagem, criando um novo significado que vai al\u00e9m do simples som de alerta ou convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa descoberta \u00e9 significativa porque demonstra que os bonobos, ao combinarem sons de maneira complexa e interdependente, est\u00e3o utilizando uma forma rudimentar de linguagem que pode ser comparada, de forma simplificada, \u00e0 nossa pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>Isso representa um avan\u00e7o importante no estudo da evolu\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, sugerindo que a capacidade de combinar sons para formar significados mais elaborados pode ter surgido muito antes do que se imaginava.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Implica\u00e7\u00f5es evolutivas<\/h2>\n\n\n\n<p>A implica\u00e7\u00e3o mais profunda desse estudo \u00e9 que ele levanta quest\u00f5es importantes sobre a evolu\u00e7\u00e3o da linguagem e das capacidades cognitivas nos primatas. Se os bonobos, nossos parentes evolutivos mais pr\u00f3ximos, s\u00e3o capazes de demonstrar um tipo de composicionalidade, isso sugere que a origem da linguagem pode ter ocorrido muito antes do que se pensava. <\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os pesquisadores, como humanos e bonobos compartilham um ancestral comum que viveu h\u00e1 cerca de 7 a 13 milh\u00f5es de anos, \u00e9 poss\u00edvel que essa habilidade de combinar sons e criar significados mais complexos tenha se desenvolvido nesse ponto da \u00e1rvore evolutiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A revolu\u00e7\u00e3o no estudo da linguagem animal<\/h2>\n\n\n\n<p>Esse estudo inaugura uma nova linha de pesquisa sobre a linguagem animal, desafiando as concep\u00e7\u00f5es tradicionais de que a comunica\u00e7\u00e3o complexa \u00e9 uma capacidade exclusivamente humana. <\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m abre um novo campo de investiga\u00e7\u00e3o para compreender como a linguagem, em suas diversas formas, se desenvolveu ao longo da evolu\u00e7\u00e3o. Se bonobos e chimpanz\u00e9s j\u00e1 exibem formas rudimentares de composicionalidade, isso pode indicar que caracter\u00edsticas lingu\u00edsticas complexas surgiram muito mais cedo do que imagin\u00e1vamos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a ideia de que a composicionalidade \u00e9 uma caracter\u00edstica compartilhada por humanos e bonobos ainda precisa ser confirmada por mais estudos. Outros cientistas podem ser c\u00e9ticos quanto \u00e0s conclus\u00f5es da pesquisa, e novas descobertas provavelmente trar\u00e3o mais informa\u00e7\u00f5es sobre a extens\u00e3o da capacidade de comunica\u00e7\u00e3o dos bonobos. <\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, este estudo estabelece uma base s\u00f3lida para futuras pesquisas, que poder\u00e3o revelar mais detalhes sobre a origem e a evolu\u00e7\u00e3o da linguagem em nossa linhagem evolutiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comunica\u00e7\u00e3o entre seres humanos \u00e9 \u00fanica, n\u00e3o apenas por nossa capacidade de compreender e emitir sons, mas pela habilidade de combinar palavras e sons para formar frases complexas, criando um n\u00famero infinito de significados. Esse fen\u00f4meno, que \u00e9 considerado uma das maiores distin\u00e7\u00f5es entre os seres humanos e outros animais, \u00e9 chamado de composicionalidade. 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