A plataforma de educação médica Paciente 360 interrompeu as negociações para a venda de uma participação minoritária a fundos de investimento após fechar um contrato com um grupo americano do setor educacional, que poderá futuramente se tornar acionista.
A decisão também foi impulsionada pela possibilidade de expansão do negócio, com a criação de 95 novos cursos de medicina no âmbito da nova edição do Programa Mais Médicos, anunciado recentemente pelo Ministério da Educação (MEC).
Atores para treinamento de médicos
Na formação médica, a exposição a diferentes casos clínicos é fundamental, mas o custo elevado desse aprendizado impõe desafios às instituições de ensino. A Paciente 360 propõe uma alternativa inovadora ao empregar atores profissionais como pacientes simulados, proporcionando uma experiência de atendimento realista e interativa.
Além da realização de anamneses, os alunos têm a oportunidade de conduzir exames clínicos básicos e acompanhar o ciclo completo de atendimento dentro de um ambiente supervisionado. Esse método não só fortalece as habilidades interpessoais dos futuros médicos, como também reduz custos para as instituições, otimiza o processo de ensino e possibilita uma avaliação mais criteriosa do desempenho acadêmico de cada estudante.
Pioneirismo no Brasil
Embora a prática de pacientes simulados exista há décadas, ela era aplicada de maneira improvisada, com alunos e professores assumindo os papéis de pacientes. A Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) foi uma das primeiras a profissionalizar essa abordagem, contratando atores para tornar as avaliações mais justas e padronizadas, por volta de 2007.
O ator Emerson Rossini, ex-produtor de elenco da FMUSP, explica ao UOL que essa técnica exige um briefing detalhado, garantindo que os atores representem os casos clínicos de forma uniforme. Durante exames médicos, um mesmo papel pode ser interpretado por vários atores simultaneamente para assegurar equidade na avaliação.
Além de aprimorar a precisão dos testes, esse método tem um impacto social relevante. Em algumas simulações, médicos são desafiados a ir além do conhecimento técnico, sendo treinados para reconhecer sinais de violência doméstica em seus pacientes.