Um estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), estão investigando as razões para essa queda populacional dos tatuís.
Vale mencionar que a redução desses animais não apenas compromete o equilíbrio do ecossistema praiano, mas também pode indicar um alerta ambiental mais amplo.
Por que os tatuís estão desaparecendo?
Os pesquisadores trabalham com diferentes hipóteses para entender o sumiço dos tatuís. Uma das principais teorias é a distinção entre praias “fontes” e praias “sumidouros”. Enquanto algumas áreas favorecem o nascimento e desenvolvimento dos crustáceos, outras não oferecem condições adequadas para sua sobrevivência.
O ciclo de vida do Emerita brasiliensis, espécie mais comum no litoral brasileiro, também pode explicar essa redução. As fêmeas depositam cerca de 5.300 ovos, mas apenas uma pequena fração sobrevive até a fase adulta. Esse processo natural, no entanto, pode estar sendo intensificado por fatores externos, como a ação humana e a poluição das águas.
Além disso, o alto fluxo de banhistas em determinadas praias pode impactar diretamente a população de tatuís. Isso porque os jovens crustáceos, conhecidos como recrutas, vivem enterrados na região de espraiamento, exatamente onde as ondas tocam a areia.
Com a presença constante de pessoas, esses animais ficam mais suscetíveis ao pisoteamento e outras formas de interferência.
Problemas ambientais e a importância dos tatuís
Outro detalhe importante é que os tatuís desempenham um papel fundamental no ecossistema costeiro. Eles são parte da base da cadeia alimentar, servindo de alimento para diversas espécies marinhas e aves litorâneas. Dessa forma, a redução desses organismos pode afetar diretamente a biodiversidade das praias.
Além disso, os tatuís são considerados bioindicadores ambientais, ou seja, sua presença ou ausência reflete a qualidade do ecossistema em que vivem. Esses crustáceos se alimentam por filtragem, capturando micropartículas da água do mar. Caso haja contaminação por poluentes ou resíduos químicos, os níveis de mortalidade aumentam consideravelmente.
Sendo assim, o desaparecimento dos tatuís pode ser um sinal preocupante sobre a qualidade ambiental das praias brasileiras. Para acompanhar mais informações sobre a pesquisa e medidas de conservação, acesse o site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).