O saque-aniversário do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) foi uma modalidade criada em 2019 com o intuito de dar mais flexibilidade ao trabalhador, permitindo que ele tivesse acesso a uma parte do saldo de sua conta de FGTS uma vez por ano, no mês de seu aniversário.
Contudo, essa medida, embora pareça vantajosa à vista, trouxe uma série de problemas e injustiças para muitos trabalhadores, especialmente em momentos de crise econômica e de incertezas, como a pandemia de COVID-19.
O governo, consciente das falhas dessa política, está agora tentando corrigir o erro com outra medida que, paradoxalmente, também traz consigo uma mudança que pode ser considerada uma nova injustiça. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi claro ao afirmar que muitas pessoas foram “induzidas ao erro” ao optarem pelo saque-aniversário sem o devido entendimento das consequências.
Agora, uma Medida Provisória (MP) está sendo discutida para liberar o saldo bloqueado do FGTS para aqueles trabalhadores que, mesmo após optarem por essa modalidade, se veem impossibilitados de acessar o valor em caso de demissão sem justa causa.
Saque-Aniversário
O saque-aniversário do FGTS, criado durante o governo de Jair Bolsonaro, foi uma proposta que visava, em teoria, oferecer mais autonomia financeira ao trabalhador. No entanto, a forma como a política foi estruturada não foi clara o suficiente e gerou efeitos colaterais devastadores para muitos cidadãos. Ao aderir ao saque-aniversário, o trabalhador abre a mão de sua capacidade de sacar o saldo total do FGTS em caso de demissão sem justa causa.
Esse detalhe foi amplamente desconsiderado no momento da adesão, e muitos trabalhadores, em busca de uma ajuda imediata, optaram por essa forma de saque sem compreender que estariam abrindo mão de uma grande segurança financeira.
Falha de comunicação e as consequências da pandemia
Quando a medida foi lançada, o país já enfrentava uma crise econômica e, logo depois, foi atingido pela pandemia de COVID-19. Isso gerou uma série de demissões em massa, com trabalhadores se vendo desempregados e em dificuldades financeiras.
Contudo, muitos daqueles que optaram pelo saque-aniversário não puderam acessar o saldo do seu FGTS, mesmo diante de um cenário de extrema necessidade. Isso os forçou a buscar alternativas como empréstimos, muitas vezes com juros altíssimos, para conseguir sobreviver até que encontrassem uma nova fonte de renda.
A falha mais notável dessa política foi a ausência de comunicação sobre suas implicações. O governo não alertou o trabalhador sobre as consequências de escolher essa modalidade, e muitos só perceberam o erro quando precisaram do recurso de forma urgente.
Medida provisória e a correção da falha
Agora, o governo federal corrige a falha e busca corrigir a injustiça cometida com a criação do saque-aniversário. A MP que está sendo discutida visa liberar o saldo retido do FGTS para aqueles que optarem pela modalidade, permitindo que eles possam acessar o total do valor, mesmo que sejam demitidos. Essa mudança busca resolver o problema da restrição que foi imposta sem o devido esclarecimento.
Contudo, essa correção pode ser vista como uma forma de “injustiça pela injustiça”. Afinal, a medida não extingue a modalidade do saque-aniversário, apenas remova a surra associada à escolha. A opção pelo saque-aniversário continua sendo válida para quem desejar manter essa modalidade de saque, mas, agora, sem o risco de perder o acesso ao saldo total do FGTS em caso de demissão.
O dinheiro é do trabalhador
É importante saber que o FGTS é uma poupança compulsória do trabalhador, que não tem acesso imediato ao saldo, mas que permite que esse recurso seja utilizado pelo governo para financiar o setor da construção civil.
Em uma economia com altas taxas de desemprego, como o Brasil enfrentou nos últimos anos, o trabalhador deve ter a prioridade de acesso a esse recurso, já que ele é o verdadeiro dono do dinheiro. O fato de que uma parte do valor é utilizada para financiar obras no setor imobiliário, enquanto o trabalhador fica com a mão vazia em momentos de crise, é um ponto que precisa ser reavaliado pelo governo.
A transparência e o esclarecimento das medidas são essenciais para evitar que o trabalhador seja novamente colocado em uma situação difícil, sem saber exatamente quais são as consequências de suas escolhas.