A obesidade infantil vem se consolidando como um dos mais urgentes desafios de saúde pública, tanto no Brasil quanto no cenário global. Dados do IBGE apontam que cerca de 30% das crianças brasileiras estão acima do peso, sendo que aproximadamente 15% já apresentam um quadro de obesidade, o que representa um universo de cerca de cinco milhões de crianças afetadas.
O Ministério da Saúde destaca que três em cada dez crianças entre 5 e 9 anos estão com peso acima do recomendado. Já o Atlas da Obesidade Infantil no Brasil, divulgado em 2019, revelou que 14,4% das crianças com menos de cinco anos e 13,2% daquelas entre 5 e 9 anos já eram consideradas obesas.
Obesidade infantil
As projeções para o futuro também são preocupantes. O Atlas Mundial da Obesidade e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que, até 2030, o Brasil pode ocupar o quinto lugar no ranking global de países com o maior número de crianças e adolescentes obesos, reforçando a necessidade de ações urgentes para reverter essa tendência.
Pesquisas indicam que um tratamento eficaz da obesidade infantil pode reduzir significativamente os riscos de complicações futuras. O estudo “Effect of Pediatric Obesity Treatment on Long-Term Health”, conduzido pelo Instituto Karolinska, na Suécia, e publicado no JAMA Pediatrics, revelou que a remissão da obesidade na infância pode diminuir em até 88% o risco de mortalidade prematura.
Intervenções para combater o problema
Além disso, a intervenção precoce contribui para a prevenção de doenças como diabetes tipo 2, dislipidemias e hipertensão, além de reduzir a necessidade de procedimentos cirúrgicos, como a bariátrica. Para combater esse problema, é essencial adotar uma abordagem multidisciplinar, focada na reeducação alimentar e na incorporação de atividades físicas ao dia a dia.
No caso de crianças menores de 12 anos, a estratégia recomendada é incentivar hábitos saudáveis desde cedo, promovendo uma alimentação equilibrada e estimulando a prática de exercícios físicos regularmente. Já para adolescentes, em algumas situações, o uso de medicamentos pode ser avaliado como parte do tratamento, sempre sob orientação médica.