A Prefeitura de Salvador sancionou uma nova legislação que dispensa a obrigatoriedade do capelo tradicional para pessoas com cabelos crespos, cacheados e volumosos em cerimônias de formatura.
Vale mencionar que a medida, publicada no Diário Oficial do Município no dia 30 de março de 2025, estabelece que instituições de ensino devem oferecer modelos de capelos que respeitem a diversidade capilar dos formandos.
Além de garantir mais representatividade e inclusão, a nova norma proíbe a exigência do capelo tradicional e determina que as entidades organizadoras das solenidades disponibilizem opções adaptadas, como capelo durag, capelo turbante, capelo tiara e capelo pente garfo.
Inclusão e diversidade nas cerimônias de formatura
A nova legislação tem como objetivo evitar a imposição de padrões estéticos eurocêntricos, garantindo que estudantes negros possam celebrar suas conquistas acadêmicas sem precisar modificar seus cabelos para se adequar a um modelo único de capelo.
A obrigatoriedade do acessório tradicional, que muitas vezes não se ajusta aos fios volumosos, gerava desconforto e exclusão, levando muitos formandos a recorrerem a técnicas de alisamento ou até mesmo a não usarem o capelo na cerimônia.
Com essa mudança, Salvador dá um passo importante na valorização da identidade negra, reconhecendo a diversidade capilar como parte da cultura e da história de seu povo
Movimentos sociais impulsionaram a mudança para cabelos crespos
Vale mencionar que a sanção da lei foi influenciada pelo movimento #RespeitaMeuCapelo, criado pela GUT São Paulo, Vult e Dendezeiro, que desenvolveu modelos de capelos adaptados para cabelos crespos e volumosos.
A iniciativa ganhou força após a adoção dos novos modelos pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e contou com o apoio de instituições como a Universidade Zumbi dos Palmares e a Universidade Federal do Sul da Bahia.
Outro detalhe importante é que a proposta também reflete a necessidade de combater o racismo estrutural dentro dos espaços acadêmicos. Isso porque, apesar do avanço de políticas como as cotas raciais, a estética negra ainda é frequentemente invisibilizada em ambientes de ensino.
Dessa forma, a lei busca garantir que os formandos possam expressar sua identidade de forma autêntica no momento da celebração de suas conquistas.
Com isso, Salvador se torna referência na adoção de medidas que promovem a representatividade e a equidade racial dentro das instituições de ensino. Espera-se que a iniciativa inspire outras cidades e estados a adotarem legislações semelhantes, consolidando o respeito à diversidade capilar em cerimônias acadêmicas por todo o país.