O Crédito do Trabalhador, lançado em 21 de março, é uma nova modalidade de empréstimo consignado voltada para trabalhadores com carteira assinada (CLT), oferecendo taxas de juros mais baixas e descontos diretos na folha de pagamento.
Uma das dúvidas mais frequentes é o que ocorre caso o trabalhador seja demitido após ter contratado o empréstimo. Além do desconto automático no salário, que pode atingir até 35% da remuneração, o trabalhador pode optar por vincular até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia.
Caso de demissão
Se ocorrer a demissão, esses valores serão usados para quitar parte da dívida, com o desconto sendo processado automaticamente através do eSocial, o que elimina o risco de inadimplência. Isso significa que, em caso de desligamento, o trabalhador CLT só poderá retirar a quantia do FGTS que não tenha sido comprometida com o pagamento do empréstimo.
É importante destacar que a adesão ao saque-aniversário também influencia o acesso ao FGTS em caso de demissão. Quem escolhe essa modalidade não poderá sacar o valor integral do fundo se for desligado. Contudo, o Crédito do Trabalhador não substitui a opção do saque-aniversário, que continua disponível para os trabalhadores.
Contratação do consignado CLT
O processo para contratar o empréstimo consignado para CLTs é simples: o trabalhador deve acessar o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, autorizar o compartilhamento de dados como salário e tempo de serviço, aguardar até 24 horas para receber as propostas e, em seguida, concluir a contratação diretamente no banco escolhido.
De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), o aumento da adesão de instituições financeiras à modalidade pode gerar maior concorrência, o que tende a reduzir as taxas de juros. A partir de 25 de abril, os 80 bancos que já oferecem o empréstimo consignado do INSS passarão a disponibilizar essa nova linha de crédito.
Números
Nos primeiros cinco dias de operação, o programa já gerou R$ 1,28 bilhão em contratos, conforme dados da Dataprev e do Ministério do Trabalho. A previsão é de que, nos próximos quatro anos, até 19 milhões de trabalhadores utilizem essa linha de crédito.
Com 47 milhões de trabalhadores CLTs no Brasil, incluindo empregados domésticos e rurais, a expectativa é que o Crédito do Trabalhador tenha um impacto significativo no mercado de crédito pessoal, movimentando mais de R$ 120 bilhões nesse período.