Em 21 de março de 2025, o Governo da Bahia realizou o afundamento controlado do ferryboat Juracy Magalhães, no mar de Salvador, com o objetivo de criar um novo recife artificial.
Esta medida, que visa beneficiar tanto a biodiversidade marinha quanto o turismo local, gerou bastante atenção e tem provocado debates sobre seus impactos e benefícios.
O ferryboat, que já estava fora de operação desde 2018, possui aproximadamente 800 toneladas e operou por quase 46 anos na travessia Salvador-Ilha de Itaparica. Agora, com seu afundamento a quatro quilômetros da costa e a 30 metros de profundidade, ele se tornará um novo lar para diversas espécies marinhas.
Objetivo ambiental e turístico
O afundamento do Juracy Magalhães faz parte de uma iniciativa do Governo da Bahia, com a colaboração de diversas instituições, como a Secretaria do Turismo do Estado (Setur-BA), o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e a Marinha do Brasil.
A principal motivação para a criação de um recife artificial é aumentar a biodiversidade na região e, ao mesmo tempo, incentivar o turismo de mergulho. Esse novo recife servirá de habitat para uma ampla gama de espécies marinhas, além de ser uma atração para os turistas, especialmente os praticantes de mergulho, que poderão explorar o naufrágio.
Histórico do Ferryboat
O Juracy Magalhães foi um ferryboat de grande importância para a travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica durante 46 anos. Após ser desativado em 2018, o governo decidiu dar a ele uma nova função.
Em 2020, um projeto semelhante foi realizado com outro ferryboat, o Agenor Gordilho, que também foi afundado de maneira planejada. Esse tipo de ação faz parte de um esforço contínuo de criar recifes artificiais na costa baiana, utilizando embarcações desativadas, o que, além de gerar benefícios ecológicos, atrai turistas e cria novos pontos de interesse para o mergulho.
Processo de afundamento controlado
A operação de afundamento foi cuidadosamente planejada, levando em consideração os impactos ambientais. O biólogo Marcelo Peres, do Inema, relatou que, antes do afundamento, foram realizados estudos detalhados sobre os sedimentos e a biodiversidade do local.
Além disso, o afundamento foi monitorado por meio de vistorias para garantir que não houvesse resíduos ou elementos prejudiciais ao meio ambiente. Esse cuidado visa assegurar que o novo recife artificial não gere danos aos ecossistemas locais, mas, sim, contribua para a sua preservação e aumento da biodiversidade.
O secretário de Turismo, Maurício Bacelar, destacou que o objetivo do governo é transformar Salvador no maior parque de turismo de mergulho do mundo urbano. A proximidade das embarcações naufragadas com a costa permite que mergulhadores amadores, com o treinamento adequado, possam realizar imersões em naufrágios históricos e ecológicos.
Com iniciativas como essa, Salvador se posiciona como um destino favorável para os amantes do ecoturismo e do mergulho.