Em um cenário que mistura questões políticas, justiça internacional e imigração ilegal, quatro brasileiras se tornaram alvo de uma grande cobertura midiática, depois de serem presas nos Estados Unidos por ingressarem no país de forma ilegal.
Elas estavam sendo investigadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido aos atos antidemocráticos ocorridos no Brasil em 8 de janeiro de 2023. A busca por asilo nos Estados Unidos, que estava no governo de Donald Trump, acabou se tornando um episódio controverso e cheio de implicações políticas e jurídicas.
Atos de 8 de janeiro
Os eventos do dia 8 de janeiro de 2023, no Brasil, marcaram um dos momentos mais críticos da história recente do país. Na ocasião, manifestantes invadiram e depredaram importantes prédios públicos, incluindo o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Esse ato de vandalismo foi interpretado como um golpe contra a democracia brasileira, e as autoridades não hesitaram em iniciar investigações para identificar os responsáveis e garantir que a justiça fosse feita.
Entre os envolvidos estavam não apenas figuras públicas, mas também cidadãos comuns que participaram das manifestações. O STF, que liderou os processos legais, teve um papel central na identificação e responsabilização desses indivíduos. A repressão àqueles que foram envolvidos nos ataques foi rápida e, em muitos casos, severa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/G/5/3z3clgT926jS6n0x5Mmw/8-de-janeiro-1-.jpg)
As foragidas e suas prisões nos EUA
Quatro brasileiras que estavam sendo investigadas pelos atos de 8 de janeiro tentaram, de forma desesperada, fugir para os Estados Unidos, buscando asilo. Embora a história tenha ganhado atenção mundial, o fato de que elas entraram ilegalmente no país americano tornou a situação ainda mais complexa.
Raquel de Souza Lopes (52 anos)
Raquel foi a primeira a ser detida, ingressando ilegalmente nos Estados Unidos no dia 12 de janeiro de 2023. Ela foi rapidamente capturada pela patrulha de fronteira e transferida para o centro de detenção em Raymondville, Texas. Natural de Joinville (SC), Raquel é acusada de depredar o Palácio do Planalto.
Apesar de negar seu envolvimento nos atos de vandalismo, ela foi condenada a 17 anos de prisão no Brasil. Sua tentativa de escapar das investigações brasileiras, no entanto, levou a uma detenção nos EUA, país com políticas de imigração rigorosas.
Rosana Maciel Gomes (51 anos)
Natural de Goiás, Rosana foi condenada a 14 anos de prisão no Brasil. Sua defesa alegou que, ao presenciar os atos de depredação no Palácio do Planalto, ela entrou em “estado de choque” e não participou ativamente dos ataques.
Ela tentou, juntamente com outras brasileiras, buscar asilo nos Estados Unidos, sendo detida no dia 21 de janeiro, um dia após a posse de Donald Trump.
Michely Paiva Alves (38 anos)
Michely é uma das acusadas de ser responsável pela organização da viagem de pelo menos trinta pessoas para Brasília, com o intuito de participar dos protestos. Ela responde por cinco crimes no Brasil, incluindo incitação aos atos golpistas de 8 de janeiro.
Sua prisão nos EUA ocorreu junto com a de outras brasileiras, enquanto aguardam remoção para um centro de detenção no Texas.
Cristiane da Silva (33 anos)
Cristiane foi condenada a um ano de prisão no Brasil por incitação aos atos golpistas. Sua defesa alega que ela estava em Brasília apenas para passeio e que não tinha envolvimento direto nos protestos.
Apesar disso, ela se viu forçada a fugir para os Estados Unidos, onde também foi presa, aguardando deportação. Sua história, assim como a das outras, levanta questões sobre a verdade dos fatos e os motivos de sua fuga.
Política de imigração de Donald Trump
Embora o ex-presidente Donald Trump tenha sido aliado do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, sua postura em relação à imigração é bem conhecida. O governo de Trump implementou políticas rigorosas, especialmente em relação à imigração ilegal.
No começo de seu mandato, Trump fez declarações claras sobre a intolerância à imigração ilegal, chegando a caracterizar a situação da fronteira como uma “emergência nacional”. No contexto de sua política, ele promoveu deportações em massa de imigrantes indocumentados, como ocorreu recentemente com mais de duzentos venezuelanos, deportados para El Salvador.
Trump, em 2023, rechaçou a flexibilização da política de imigração promovida por seu antecessor, Joe Biden, e afirmou que não permitiria que os Estados Unidos fossem “invadidos” por imigrantes ilegais.
Em um contexto político polarizado, a tentativa das brasileiras de buscar asilo nos Estados Unidos, em um governo que criticava a imigração ilegal, gerou um cenário tenso e sem garantias de um futuro seguro para elas.
Processo judicial
As quatro brasileiras enfrentam agora um dilema difícil. Presas nos Estados Unidos, elas aguardam os procedimentos legais que podem levar à sua deportação para o Brasil. No entanto, o governo de Trump, que mantinha uma postura rígida em relação à imigração ilegal, pode não ser tão flexível quanto as brasileiras esperavam ao buscar refúgio.
Enquanto isso, o Brasil continua a investigar e a processar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A Justiça brasileira, representada pelo STF, segue firme em sua missão de punir os responsáveis pelos ataques, e a extradição de foragidos que buscam asilo em outros países pode ser um próximo passo importante.