Uma pesquisa publicada na Science Advances revelou que o corpo feminino sofre alterações substanciais durante a gravidez, e muitas dessas mudanças exigem meses para voltar ao estado anterior e deixar o puerpério para trás. O estudo envolveu um grande número de mulheres e analisou dados de mais de 300 mil partos e 44 milhões de exames, como sangue, urina e outros testes fisiológicos.
No período pós-parto, os pesquisadores observaram que, no primeiro mês, 47% dos indicadores analisados já haviam se estabilizado nos níveis prévios à gestação. Contudo, 41% desses indicadores levaram mais de dez semanas para atingir o equilíbrio novamente, como foi o caso da função hepática. O colesterol, por exemplo, demorou cerca de seis meses para retornar aos níveis normais, enquanto a saúde óssea levou aproximadamente um ano. Alguns indicadores, como os relacionados à inflamação e à saúde sanguínea, não conseguiram voltar ao estado anterior à gravidez, mesmo após 80 semanas de acompanhamento.
Indicadores pré-gestação
Os pesquisadores também identificaram que, antes da gravidez, é possível detectar sinais de risco para complicações como:
- Pré-eclâmpsia: Marcadores elevados, como plaquetas e alanina aminotransferase (ALT), desde o período pré-gestação, além de pressão arterial elevada durante o estudo.
- Hemorragia pós-parto: Mulheres que desenvolveram hemorragia apresentaram plaquetas levemente reduzidas antes da gestação, além de alterações em outros marcadores.
- Diabetes gestacional: Foram encontrados 20 marcadores distintos, incluindo: alterações nos testes de hemoglobina glicada. Níveis elevados de triglicerídeos, indicando risco de resistência à insulina.
Puerpério
As descobertas indicam que o corpo feminino continua a passar por mudanças significativas mesmo após o parto, evidenciando a complexidade do período pós-parto, ou puerpério, que pode ser afetado por fatores como a amamentação e modificações no estilo de vida.
O estudo também destaca a relevância de uma rede de apoio para as mães durante o puerpério, considerando a intensa demanda de cuidados com o bebê. Além disso, a tristeza pós-parto, conhecida como blues puerperal, acomete mais de 80% das mulheres e pode dificultar a adaptação ao novo papel de mãe.