O litoral do Ceará, uma das regiões mais admiradas do Brasil por suas paisagens deslumbrantes e seu papel fundamental na economia local, está enfrentando uma ameaça sem precedentes. A erosão costeira, intensificada por mudanças climáticas e práticas ambientais irresponsáveis, pode resultar na perda de até 50% das áreas costeiras do estado.
Este fenômeno coloca em risco não apenas as belezas naturais, mas também setores econômicos vitais, como turismo, pesca e a geração de energia renovável. O estado, com uma faixa litorânea que se estende por mais de 570 km, enfrenta um desafio em como lidar com a destruição de suas praias e como reduzir os efeitos dessa degradação para preservar o futuro da região.
O que está acontecendo no Ceará?
Estudos recentes revelaram que cerca de 47,5% da costa do Ceará está sendo afetada por processos erosivos. Isso significa que uma boa parte das praias, que antes eram símbolo de beleza e atração turística, pode desaparecer nos próximos anos.
O avanço do mar, causado principalmente por mudanças climáticas, está transformando o litoral em um cenário de destruição iminente. E a situação não é isolada: outras regiões do Brasil, como o litoral de São Paulo, também enfrentam processos semelhantes, mas a situação do Ceará é um dos casos mais alarmantes.
A erosão costeira é um fenômeno natural, mas que vem sendo acelerado pela ação humana e pelas mudanças climáticas. No caso do Ceará, especialistas apontam que o aumento da temperatura global, a elevação do nível do mar e o desmatamento das áreas de manguezais são os principais fatores que contribuem para esse avanço acelerado da erosão.
Alerta para o futuro
Em fevereiro de 2025, durante a 5ª Conferência Estadual do Meio Ambiente, foi apresentado um estudo inédito que mapeou as áreas mais críticas da costa cearense. O estudo, que deu origem ao Plano de Ações de Contingência para Processos de Erosão Costeira do Ceará (PCEC), revelou que 16 praias estão entre as mais afetadas, necessitando de medidas urgentes.
Além disso, o levantamento identificou 215 pontos de erosão crítica, com perdas superiores a 1 metro por ano, o que evidencia a gravidade do problema.
Áreas mais vulneráveis
As áreas mais afetadas pela erosão estão concentradas no litoral Oeste do Ceará, onde as perdas são mais rápidas e intensas. Em algumas regiões, o mar avança mais de 1 metro por ano, comprometendo a infraestrutura das cidades litorâneas. As consequências não são apenas ambientais, mas também econômicas.
O turismo, que é uma das principais fontes de renda do estado, pode ser severamente prejudicado pela destruição de praias e da infraestrutura turística. Barracas de praia, pousadas e hotéis à beira-mar estão em risco de serem engolidos pelo mar, afetando diretamente os empregos de milhares de pessoas que dependem dessa atividade.
Outro setor que sofre com a erosão é a pesca artesanal, que é a principal fonte de sustento para muitas comunidades litorâneas. O avanço do mar sobre as áreas de pesca pode comprometer a produção e afetar a subsistência dessas populações. A perda de biodiversidade e a alteração dos ecossistemas também são impactos diretos da erosão, o que agrava ainda mais a crise.
O que pode ser feito?
Diante desse cenário alarmante, especialistas e autoridades governamentais têm alertado para a necessidade de ações rápidas e eficazes. O Plano de Ações de Contingência lançado em fevereiro de 2025 é um passo importante, mas as soluções precisam ser ainda mais abrangentes.
Investir em tecnologias sustentáveis, como a construção de barreiras naturais, o reflorestamento das áreas de manguezais e a utilização de soluções baseadas na natureza, pode ajudar a mitigar os efeitos da erosão.
Além disso, é importante que haja uma conscientização da população local e o engajamento das empresas do setor privado. A colaboração entre governo, sociedade civil e setor privado é essencial para garantir a preservação do litoral cearense e a proteção dos meios de vida das comunidades que dependem diretamente dessas áreas.