Um ecossistema marinho inédito foi descoberto no fundo do oceano Antártico após o desprendimento do iceberg A-84, em janeiro deste ano. A separação, que ocorreu na Plataforma de Gelo George VI, expôs uma área submersa que permaneceu isolada da luz solar por séculos.
Vale mencionar que a descoberta foi feita por uma equipe internacional de cientistas do Schmidt Ocean Institute, que redirecionou sua expedição para explorar a região recém-revelada da Antártida.
Com a ajuda de um veículo submarino operado remotamente, os pesquisadores identificaram uma biodiversidade impressionante, incluindo corais centenários, esponjas marinhas gigantes e espécies raras de invertebrados.
Vida marinha próspera em um ambiente hostil da Antártida
Vale mencionar que a existência de um ecossistema tão diverso em águas profundas da Antártida surpreendeu os cientistas. Isso porque, em condições normais, organismos marinhos dependem de matéria orgânica proveniente da superfície para sobreviver.
No entanto, a região estudada esteve coberta por uma camada de gelo de 150 metros de espessura, impedindo qualquer contato direto com fontes de luz e nutrientes superficiais.
Os pesquisadores acreditam que as correntes oceânicas profundas desempenham um papel fundamental na sustentação da vida no local, transportando nutrientes essenciais para a fauna marinha. Outro detalhe importante é que o tamanho de alguns organismos indica que esse ecossistema pode existir há décadas ou até mesmo séculos.
Mudanças climáticas e a biodiversidade
Além da relevância ecológica da descoberta, o estudo também trouxe novos dados sobre o comportamento da camada de gelo da Antártida. Com o avanço das mudanças climáticas, o derretimento das plataformas de gelo pode alterar significativamente os ecossistemas marinhos da região, levando à emergência de novos habitats e à redistribuição de espécies.
Dessa forma, a pesquisa reforça a importância de monitorar os impactos das mudanças climáticas sobre os oceanos. Isso porque o aumento das temperaturas pode acelerar o degelo, alterar a circulação oceânica e afetar profundamente a biodiversidade local.