Receber o diagnóstico de autismo na vida adulta é um desafio para muitas pessoas que passaram anos sem compreender suas dificuldades e diferenças. Esse processo envolve autoconhecimento, avaliação profissional e aceitação, tornando-se uma jornada complexa para quem nunca teve acesso às informações adequadas sobre o transtorno.
A terapeuta ocupacional Silvia Neri Marinho, especialista em Análise do Comportamento Aplicada, destaca que a falta de conhecimento sobre o espectro autista, tanto na sociedade quanto entre profissionais da saúde, é um dos principais fatores que levam ao diagnóstico tardio. Durante muito tempo, acreditou-se que o autismo só era identificado na infância, o que levou muitos adultos a passarem despercebidos, sem o suporte necessário.
Diagnóstico tardio em adultos
Por muito tempo, o autismo foi considerado um transtorno exclusivamente infantil, sendo associado apenas a casos mais evidentes, como a ausência de fala ou comportamentos repetitivos marcantes. Essa concepção restrita contribuiu para a criação de um estigma que relacionava o autismo apenas a déficits graves, deixando de lado a ampla variação de características dentro do espectro.
Como resultado, sinais mais sutis foram frequentemente ignorados ou confundidos com dificuldades emocionais ou traços de personalidade. A falta de capacitação dos profissionais de saúde também dificulta a identificação do transtorno em adultos, fazendo com que muitos passem anos em consultas e terapias sem obter um diagnóstico preciso.
Marinho ressalta que, embora a descoberta tardia possa trazer alívio ao esclarecer desafios enfrentados ao longo da vida, ela também pode ser acompanhada por sofrimento, já que evidencia a falta de suporte que poderia ter facilitado o desenvolvimento e a adaptação da pessoa autista.
Sinais do autismo
O autismo se manifesta de formas variadas na vida adulta, mas alguns sinais são recorrentes. Dificuldade em interpretar expressões faciais e tom de voz, preferência por rotinas rígidas, hiperfoco em interesses específicos e sensibilidade alterada a estímulos como luzes e sons são indícios comuns.
Além disso, muitas pessoas no espectro enfrentam desafios para manter relacionamentos sociais e amorosos, lidando com ansiedade intensa em interações. Por isso, a necessidade de isolamento após momentos de grande envolvimento social também é frequente.
Identificar esses sinais é essencial para obter um diagnóstico preciso e acesso ao suporte adequado. Com a avaliação de um profissional especializado, é possível compreender melhor a condição e direcionar intervenções que contribuem para uma melhora significativa na qualidade de vida da pessoa autista.