A recente suspensão da interdição cautelar do creme dental Total Clean Mint da Colgate pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) causou repercussão no Brasil. Após a empresa recorrer à decisão, a Anvisa reconsiderou a medida, permitindo o retorno do produto ao mercado.
No entanto, a decisão veio acompanhada de um alerta importante sobre os possíveis riscos de reações adversas associadas ao uso de cremes dentais com fluoreto de estanho em sua composição.
O que levou à interdição inicial?
Na quinta-feira, 27 de março, a Anvisa decidiu interdir cautelarmente o creme dental Total Clean Mint após um número significativo de relatos de reações adversas entre os consumidores.
Estes relatos foram direcionados à agência, que identificou pelo menos 13 eventos adversos distintos, como dor, inchaço, lesões na boca e até dificuldades para movimentar a língua. A substância ativa que causou preocupação foi o fluoreto de estanho, substituído pelo fluoreto de sódio em outras versões do produto.
A mudança na fórmula levantou questionamentos sobre a segurança do ingrediente e gerou receios entre os consumidores.
Recurso da Colgate e a suspensão da interdição
No mesmo dia da interdição, a Colgate-Palmolive recorreu à decisão, defendendo a segurança do produto e garantindo que nenhuma substância presente na fórmula ofereceria risco à saúde.
A empresa afirmou que algumas pessoas poderiam ser sensíveis ao fluoreto de estanho, corantes ou sabores presentes no creme dental, mas que isso não implicaria em um risco maior para a maioria dos consumidores. O recurso foi aceito pela Anvisa, que, neste domingo (30), suspendeu a interdição, permitindo que o produto voltasse a ser comercializado.
Apesar dessa decisão favorável, a Anvisa emitiu um alerta sobre as reações adversas, destacando a importância de notificar qualquer evento negativo relacionado ao uso do produto. A agência também enfatizou que este é o primeiro alerta de segurança no Brasil envolvendo cremes dentais com fluoreto de estanho.
Fluoreto de estanho e seus efeitos colaterais
O fluoreto de estanho é uma substância amplamente utilizada em cremes dentais devido à sua eficácia na redução de placas bacterianas e prevenção de cáries. No entanto, o uso dessa substância pode ser associado a reações adversas, especialmente em indivíduos sensíveis. Entre os efeitos colaterais reportados estão:
- Lesões na boca e gengiva: Irritação e inflamação nas mucosas bucais são algumas das reações mais comuns.
- Dor e inchaço: O fluoreto de estanho pode causar desconforto em algumas pessoas, levando a dor nas gengivas e até inchaço na região.
- Aftas: Algumas pessoas relataram o aparecimento de feridas na boca após o uso do produto.
- Problemas na língua: Dificuldades para mover a língua e sensação de ardência também foram observadas por consumidores.
A Anvisa recomendou que tanto profissionais de saúde quanto consumidores fizessem notificações de qualquer sintoma ou evento adverso à autoridade sanitária, por meio dos sistemas Notivisa, Limesurvey ou e-Notivisa, a fim de ajudar na identificação de padrões que possam proteger outros usuários.
Reação do Mercado e dos profissionais de saúde
Nos dias que se seguiram à interdição, as redes sociais se tornaram um campo de troca de experiências entre consumidores e profissionais de saúde. Muitos relatos surgiram, principalmente no Twitter (agora conhecido como X), em que internautas discutiram os efeitos colaterais do produto.
Médicos e dentistas também se manifestaram sobre a questão, com alguns sugerindo que a substituição do fluoreto de sódio pelo fluoreto de estanho poderia ser a causa das reações adversas.
A troca de informações nas redes sociais gerou grande engajamento, com muitas pessoas afirmando ter experienciado sintomas semelhantes, como dor intensa na gengiva, sensação de queimação na boca e dificuldade para mover a língua.
Esses relatos alimentaram a especulação de que o fluoreto de estanho poderia ser o principal vilão dos efeitos adversos.
A colaboração entre consumidores, profissionais de saúde e autoridades sanitárias será fundamental para garantir que qualquer risco seja minimizado, assegurando a confiança do público em produtos tão essenciais quanto o creme dental.