Neste domingo, 30 de março de 2025, surgiram graves acusações contra o príncipe Harry, filho mais novo do rei Charles III. Sophie Chandauka, presidente de uma ONG africana que o príncipe cofundou, acusou-o publicamente de “intimidação e assédio”.
A acusação ocorre em meio a uma disputa interna que envolveu o afastamento do príncipe da organização Sentebale, a qual ele havia apoiado e sido patrono desde sua fundação.
O surgimento da controvérsia
O príncipe Harry sempre manteve uma imagem pública de defensor de causas humanitárias, e a Sentebale era uma das instituições mais associadas ao seu trabalho. Contudo, a relação do príncipe com a organização foi marcada por tensões nos últimos meses, culminando em sua saída em 2025.
A Sentebale, cofundada por Harry em 2006, tem como foco o apoio a crianças órfãs no Lesoto e em Botsuana, vítimas da epidemia de HIV/AIDS.
Em sua saída, Harry expressou tristeza, mas também revelou um conflito com Sophie Chandauka, nomeada presidente da ONG em 2023. A crise começou a ganhar visibilidade quando Chandauka acusou o príncipe de tentar forçá-la a deixar seu cargo por meio de práticas intimidatórias.
Acusações de assédio e intimidação
Sophie Chandauka não hesitou em expor as alegações contra o príncipe Harry. Ela afirmou que ele usou métodos de “intimidação e assédio” durante meses para pressioná-la a sair da posição de presidente. A presidente alegou ter provas dessa conduta e afirmou que os esforços de Harry para afastá-la foram persistentes, o que, segundo ela, afetou o ambiente interno da organização.
A acusação gerou repercussão, principalmente considerando a fama internacional de Harry e seu vínculo com a ONG. Essa denúncia coloca em cheque a relação do príncipe com as causas que sempre defendeu, trazendo à tona o dilema entre sua imagem pública de filantropo e as alegações de comportamentos questionáveis dentro da organização.
Reações e divisões dentro da Sentebale
O conflito se aprofundou com a declaração de membros do conselho da Sentebale, que demonstraram ceticismo em relação à versão de Chandauka. Fontes próximas aos administradores afirmaram que as acusações de assédio seriam uma “invenção” e uma tentativa de gerar um “golpe publicitário”.
De acordo com essas fontes, a disputa parece ter mais relação com questões internas e pessoais do que com um comportamento realmente abusivo de Harry.
Chandauka também denunciou uma “cultura do silêncio” dentro da organização, onde membros do conselho seriam relutantes em se posicionar contra figuras proeminentes como o príncipe Harry.
A alegação de que a saída de Harry de Londres em 2020 prejudicou a organização também foi um ponto de conflito, com Chandauka sugerindo que isso resultou na perda de apoio financeiro de doadores importantes.
A controvérsia durante o evento de arrecadação
Outro ponto que gerou discórdia foi a decisão de Harry de levar uma equipe de filmagem da Netflix, com a qual possui um contrato lucrativo – para cobrir um evento de arrecadação de fundos da Sentebale, realizado durante uma partida de polo.
As imagens geraram desconforto, especialmente uma cena em que Chandauka e Meghan Markle, esposa de Harry, disputaram a posse do troféu no palco, o que foi visto por alguns como uma tentativa de “encenar” um momento para a câmera.
Em meio a essa situação, Sophie Chandauka revelou que Harry lhe pediu para fazer uma declaração pública de apoio à sua esposa, Meghan Markle. No entanto, membros do conselho como Kelello Lerotholi negaram a alegação, dizendo que não haviam testemunhado tal pedido, o que gerou ainda mais especulações e desconfiança.
A cultura de gestão e o estilo de Sophie Chandauka
A gestão de Sophie Chandauka na Sentebale foi questionada por vários membros do conselho. A ex-membro Lynda Chalker, que fez parte da ONG por quase 20 anos, descreveu o estilo de liderança de Chandauka como “quase ditatorial”, o que pode ter exacerbado os conflitos internos.
A falta de consenso entre os membros da organização reflete a instabilidade na gestão, com críticas sobre como questões delicadas estavam sendo tratadas.
Impacto na imagem pública de Harry
Essas acusações têm o potencial de impactar negativamente a imagem pública do príncipe Harry, que já enfrentou diversas controvérsias desde sua ruptura com a monarquia britânica em 2020.
Se as alegações de assédio e intimidação se confirmarem, isso pode prejudicar ainda mais a sua imagem, principalmente considerando seu papel como defensor dos direitos humanos e causas sociais.
Por outro lado, a controvérsia também expõe as dificuldades que figuras públicas enfrentam ao equilibrar suas responsabilidades em instituições filantrópicas com suas ambições pessoais e profissionais. A tensão entre o status de celebridade e a gestão de organizações não governamentais é algo que muitos líderes filantrópicos enfrentam, mas que raramente chega a ser publicamente discutido com a intensidade desse caso.
Próximos passos
A situação deve seguir para os tribunais, onde as acusações de má gestão e as alegações de assédio e intimidação serão formalmente analisadas. Enquanto isso, a Sentebale e seus fundadores terão que enfrentar um período de instabilidade, com uma possível reestruturação interna e uma reavaliação de suas práticas de governança.
O caso também traz à tona uma reflexão mais ampla sobre as dinâmicas de poder e as dificuldades encontradas por organizações filantrópicas ao tentar equilibrar o envolvimento de figuras públicas com a gestão eficaz e ética de suas atividades.