O Banco do Brasil elevou significativamente suas provisões para devedores duvidosos (PDD), atingindo um patamar recorde de R$ 41,9 bilhões. A decisão contrasta com a estratégia de outros grandes bancos brasileiros, como Bradesco, Santander e Itaú Unibanco, que optaram por reduzir suas reservas para inadimplência.
Vale mencionar que o movimento do Banco do Brasil reflete uma postura mais cautelosa diante de um cenário desafiador para o setor do agronegócio e a economia como um todo.
Inadimplência e do Plano Safra
O agronegócio brasileiro vem atravessando um momento delicado, com um aumento expressivo de 529% nos pedidos de recuperação judicial em 2024 em relação ao ano anterior. Isso, aliado à alta da taxa Selic e à recente suspensão das linhas de crédito do Plano Safra 2024/2025, impacta diretamente as instituições financeiras com grande exposição ao setor, como é o caso do Banco do Brasil.
Vale mencionar que a suspensão do Plano Safra ocorreu devido ao atraso na aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025. O Tesouro Nacional interrompeu os financiamentos para grandes produtores, mantendo apenas as linhas destinadas a pequenos agricultores e à agricultura familiar.
Com isso, o Governo Federal vem buscando soluções para retomar os créditos, mas o impasse ainda gera incertezas no mercado.
Efeitos da medida do Banco do Brasil para a economia
Apesar do momento desafiador, alguns sinais de otimismo surgem no mercado financeiro. Segundo uma pesquisa do Bank of America, gestores de fundos estão mais confiantes com o desempenho do Ibovespa, projetando crescimento para 130 mil pontos.
Além disso, há uma expectativa positiva em relação à estabilidade do dólar, o que pode beneficiar a economia como um todo.
Outro detalhe importante é que, no setor varejista, as previsões apontam para uma queda de 2,86% nas vendas entre fevereiro e abril de 2025, conforme dados da Ibevar-FIA Business School.
Isso porque, no varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, a retração pode chegar a 3,26%. Em contrapartida, supermercados e setores ligados à alimentação tendem a apresentar um leve crescimento nas vendas.
Além disso, o Banco Central prepara o lançamento de uma nova funcionalidade para o Pix, permitindo pagamentos por aproximação. Essa inovação deve estar disponível até o final de fevereiro de 2025 e pode impulsionar ainda mais a digitalização das transações financeiras no Brasil.