Estudos científicos recentes apontam para uma conclusão surpreendente, mas cada vez mais aceita pela comunidade médica: manter amigos e interações sociais constantes pode, sim, prolongar a vida.
Pesquisadores têm reunido dados ao longo de décadas e, ao cruzar diversos fatores de saúde, chegaram a uma constatação clara — pessoas que cultivam relações próximas vivem mais.
Embora existam críticas ao método de pesquisa, os achados se consolidaram como referência por apresentarem resultados consistentes e aplicáveis em diferentes contextos.
Podemos aumentar o nosso tempo de vida por causa dos amigos
Um dos estudos mais citados nesse campo relacionando amigos e a longevidade foi conduzido por Lisa Berkman e S. Leonard Syme, ainda nos anos 1970.
Eles analisaram dados de milhares de participantes no condado de Alameda, na Califórnia, e observaram que o número e a qualidade dos laços sociais tinham impacto direto na longevidade.
Mesmo controlando variáveis como tabagismo, dieta, renda e estado de saúde, a rede de relações interpessoais, ou seja, o convívio diário com amigos, familiares e conhecidos, continuava sendo um fator determinante para a saúde e a expectativa de vida.
A pesquisa mostrou que pessoas com conexões sociais mais amplas tinham um risco significativamente menor de morte prematura, além de apresentarem menor incidência de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e até demência.
O convívio regular com amigos, familiares e colegas parecia atuar como um escudo contra enfermidades, fortalecendo o sistema imunológico e reduzindo inflamações crônicas — condições que estão entre as maiores causas de mortalidade global.
Pesquisa que relaciona amigos e longevidade sofreu críticas, mas ainda é a mais aceita
Apesar da robustez dos dados, a pesquisa não passou imune a críticas, já que muitos disseram que não houve a comparação direta de pessoas com contatos com amigos e pessoas sem contato com ninguém.
Especialistas apontam que, sem um experimento controlado — o que exigiria isolar pessoas socialmente para compara-las com pessoas com relações sociais frequentes, algo ética e praticamente inviável —, é impossível afirmar com 100% de certeza que as amizades são a causa direta da longevidade.
Ainda assim, o estudo atende a diversos critérios científicos que indicam uma relação causal, como a ordem cronológica dos dados, a repetição dos resultados em diferentes populações e o aumento do risco proporcional à redução dos vínculos sociais.
Com base nisso, a ideia de que amigos fazem bem à saúde deixou de ser apenas um clichê. Hoje, especialistas consideram o convívio social tão importante quanto manter uma alimentação equilibrada ou praticar exercícios.
Em tempos de individualismo e conexões digitais superficiais, o alerta é claro: cultivar amizades reais pode ser uma das escolhas mais eficazes para viver mais — e melhor.