O consumo de água engarrafada é motivado, principalmente, pelo sabor e odor mais agradáveis, além de preocupações com a saúde. No entanto, além de ser mais cara que a água da torneira, ela contém uma quantidade maior de micro e nanoplásticos do que se pensava.
Um estudo na Espanha analisou 280 amostras de 20 marcas e encontrou aditivos plásticos em todas, exceto uma. A média de micro e nanoplásticos foi de 359 nanogramas por litro, semelhante à água da torneira, mas com diferenças na composição dos polímeros: a engarrafada continha mais PET e polietileno, enquanto a da torneira apresentava polietileno e polipropileno.
Análise de garrafas
Pesquisadores da Universidade de Columbia analisaram três marcas de água engarrafada nos EUA e encontraram cerca de 240.000 fragmentos de plástico por litro, um número muito superior às estimativas anteriores. Usando uma técnica avançada de microscopia e um algoritmo para interpretar os dados, identificaram microplásticos entre 100 nanômetros e 5 mm, e nanoplásticos ainda menores.
O PET, usado em garrafas plásticas, foi um dos materiais mais comuns, mas a poliamida, possivelmente vinda de filtros de purificação, foi ainda mais frequente. Outros plásticos detectados incluíram poliestireno, PVC e polimetilmetacrilato. No entanto, a maioria das nanopartículas presentes ainda é desconhecida.
Consumo de água
Com o consumo médio de dois litros de água por dia, uma pessoa ingere cerca de 262 microgramas de partículas plásticas por ano. Além disso, foram identificados 28 aditivos plásticos, três dos quais apresentam risco potencial à saúde. Estudos indicam que o ser humano consome cerca de 5 gramas de plástico por semana, parte eliminada, mas outra parte pode se acumular no organismo.
A exposição prolongada tem sido associada a doenças como câncer de intestino e pâncreas, especialmente em trabalhadores da indústria plástica. Recentemente, cientistas detectaram resquícios de plástico no cérebro humano, levantando novas preocupações sobre seus impactos na saúde.
Microplásticos
Os microplásticos podem ser primários, quando fabricados intencionalmente nessa escala para uso em cosméticos e pastas de dente, ou secundários, resultantes da degradação de plásticos maiores. A contaminação dos corpos d’água por microplásticos é um problema crescente, e a remoção dessas partículas do meio ambiente ainda é inviável economicamente.
Dessa forma, a solução mais eficaz é a prevenção, evitando que o plástico chegue aos ecossistemas naturais. A conscientização sobre o descarte adequado e o desenvolvimento de alternativas sustentáveis são essenciais para mitigar esse impacto ambiental e proteger a saúde humana.