Representantes das centrais sindicais se reuniram nesta terça-feira (25) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar de mudanças nas regras do saque-aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
A medida em debate busca corrigir uma situação que tem gerado insatisfação entre trabalhadores que aderiram à modalidade, mas enfrentam dificuldades para acessar os recursos após a demissão.
Liberação do FGTS vai ser discutida por centrais sindicais
Atualmente, quem optou pelo saque-aniversário pode retirar anualmente uma parcela do FGTS, mas, em contrapartida, perde o direito de sacar o valor integral em caso de demissão sem justa causa.
O governo federal pretende editar uma Medida Provisória (MP) para flexibilizar essa regra e permitir que trabalhadores demitidos possam acessar os valores retidos no fundo.
A proposta atende a uma antiga reivindicação das centrais sindicais, que argumentam que a regra atual prejudica aqueles que ficam desempregados e precisam do dinheiro para manter suas despesas.
Entre os principais pontos que foram debatidos na reunião está a criação de uma regra de transição que permita o saque dos valores retidos por trabalhadores que foram demitidos nos últimos dois anos e não puderam acessar o saldo do FGTS devido às restrições do saque-aniversário.
Outra questão envolve aqueles que utilizaram o FGTS como garantia para empréstimos. O governo estuda alternativas para que esses trabalhadores possam resgatar seus recursos sem comprometer as operações financeiras já realizadas.
Além disso, há expectativa sobre o anúncio de um novo modelo de crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
A proposta prevê a dispensa do acordo bilateral entre empresas e bancos, permitindo que os empréstimos sejam contratados diretamente pelo eSocial.
Com isso, os trabalhadores poderão comparar taxas e escolher a instituição financeira que oferecer melhores condições.
Mudança na regra do FGTS tem impactos e desafios
A possível mudança nas regras do FGTS gera preocupações no setor da construção civil, que utiliza os recursos do fundo para financiar projetos habitacionais.
As empresas temem que a liberação de grandes volumes de dinheiro possa comprometer a capacidade do fundo de continuar financiando essas iniciativas.
Por outro lado, o governo vê a medida como uma oportunidade de melhorar sua relação com os trabalhadores e ampliar a popularidade do presidente Lula.
A flexibilização do saque-aniversário pode ser um passo importante para atender reivindicações da classe trabalhadora sem comprometer completamente o equilíbrio financeiro do FGTS.
A reunião entre o governo e as centrais sindicais deve esclarecer os detalhes da proposta e definir os próximos passos para sua implementação.