Cientistas do Instituto Max Planck de Psicolinguística (MPI) exploraram os fundamentos genéticos dos chamados “arrepios estéticos”, experiências que provocam calafrios ou tremores em algumas pessoas ao ouvir música, ler poesia ou apreciar pinturas.
O estudo, publicado na PLOS Genetics, baseou-se em dados da corte Lifelines, um amplo levantamento populacional realizado no norte da Holanda.
Mais de 15 mil participantes forneceram informações genéticas completas e relataram, por meio de questionários, a frequência com que experimentaram arrepios diante de diferentes manifestações artísticas.
Reação do DNA às pinturas
- Método de análise: Aplicaram-se métodos estatísticos que comparam similaridade genética entre indivíduos com padrões semelhantes de resposta, com foco em variantes genéticas comuns (SNPs).
- Contribuição familiar: Cerca de 30% da variação na propensão a sentir arrepios estéticos é atribuída a fatores familiares.
- Parte genética mensurável: Aproximadamente um quarto dessa influência familiar pode ser explicada por variantes genéticas observáveis (SNPs), evidenciando contribuição genética significativa.
- Predomínio de ambiente e vivência: A maior parte da variação individual permanece explicada por experiências pessoais, fatores ambientais e interações gene–ambiente.
- Relação com personalidade: O estudo investigou a ligação com abertura à experiência (curiosidade, imaginação, envolvimento artístico).
- Índice poligênico: Foi construído um índice poligênico para abertura à experiência com base em dados genéticos de mais de 220 mil pessoas; esse índice se associou à propensão a sentir arrepios, mas explica apenas uma fração pequena da variação.
- Correlação entre modalidades: A correlação genética entre arrepios musicais, visuais e literários foi estimada em 0,58, indicando que parte das influências genéticas é compartilhada entre formas de arte, embora também existam efeitos específicos por modalidade.
Limitações e avanços
O estudo apresenta algumas limitações, como a predominância de participantes de ascendência europeia, o que pode restringir a aplicação dos resultados a outras populações, e o uso de autorrelatos, que estão sujeitos a interpretações subjetivas.
Mesmo assim, os pesquisadores destacam que a pesquisa avança na compreensão da base biológica da experiência estética, mostrando que respostas emocionais intensas à arte têm fundamentos genéticos mensuráveis e apontando caminhos para estudar como genes, ambiente e experiências individuais influenciam o impacto emocional da arte.






