As críticas direcionadas ao Banco Central (BC) nas redes sociais, após a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano passado, trouxeram à tona o papel de páginas e perfis de entretenimento em ações coordenadas de comunicação digital.
Antes restritos a conteúdos ligados a fofocas e celebridades, esses canais passaram a ser incorporados a estratégias estruturadas de difusão de narrativas sobre temas sensíveis da economia e do funcionamento das instituições públicas.
Investigações da PF
O episódio assumiu contornos institucionais após o ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a instauração de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar indícios de ações coordenadas contra o BC.
A apuração busca identificar a eventual contratação de influenciadores digitais para a disseminação de críticas recorrentes e conteúdos enviesados sobre a atuação da autoridade monetária, além da construção de narrativas que questionam as razões da liquidação e retratam o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, como prejudicados.
Dados reunidos pelo setor bancário apontam que, no fim de 2025, ocorreu uma ofensiva digital concentrada, com duração estimada de 36 horas, voltada tanto ao BC quanto à Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Pelo menos 46 perfis teriam participado da mobilização, entre eles páginas de grande alcance ligadas ao entretenimento, escolhidas principalmente pelo baixo custo de contratação e pela alta capacidade de disseminação das mensagens.
Influenciadores contra o BC
Esse tipo de ação costuma seguir um fluxo escalonado. Inicialmente, a narrativa é introduzida por perfis com linguagem técnica ou especializada, o que confere aparência de credibilidade ao conteúdo.
Na etapa seguinte, páginas com alto índice de engajamento entram em cena para ampliar o alcance e adaptar a mensagem a um público mais amplo.
A grande quantidade de influenciadores digitais em atuação no país favorece esse modelo, viabilizando a rápida disseminação de conteúdos e a obtenção de milhões de visualizações em curto espaço de tempo.
O caso reacendeu o debate sobre a fragilidade da regulação de campanhas coordenadas no ambiente digital, expondo lacunas que afetam o debate público e a credibilidade institucional.






