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Quem entra nesta cidade pela primeira vez nunca sabe onde está

Por Leticia Florenço
05/02/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Chongqing (China) - Foto: (Imagem/Reprodução)

Chongqing (China) - Foto: (Imagem/Reprodução)

A cidade de Chongqing, na China, é um exemplo fascinante de como a urbanização acelerada e a topografia acidentada podem gerar uma paisagem urbana única, capaz de confundir até os moradores mais experientes.

Para aqueles que a visitam pela primeira vez, a sensação de estar perdido é quase garantida. “Quem entra nesta cidade pela primeira vez nunca sabe onde está” – uma frase que poderia definir perfeitamente a experiência de se deslocar por suas ruas e edifícios.

A criadora de conteúdo Marina Guaragna, em um de seus vídeos, compartilhou com seus seguidores a confusão que experimentou ao andar por Chongqing. O que ela encontrou foi uma cidade onde os andares dos edifícios parecem não seguir a lógica tradicional, com prédios de formatos irregulares e diferentes níveis de construção, criando uma verdadeira labirintização vertical.

Um exemplo disso é o fato de ela ter visitado uma praça localizada no topo de um edifício de 22 andares, desafiando qualquer noção comum de o que seria um “andar superior” ou “térreo”.

Topografia irregular e a urbanização desordenada

Chongqing é uma das maiores cidades do mundo, tanto em termos de população quanto de extensão territorial. Localizada na bacia do rio Yangtze, a cidade possui áreas de planície, mas também é cortada por montanhas, o que faz com que sua distribuição urbana seja um tanto caótica.

Além disso, o rápido crescimento urbano durante o século XX gerou uma migração desordenada, o que aumentou consideravelmente a densidade de sua população central, resultando em um tipo de arquitetura “vertical” difícil de decifrar para quem não é local.

A topografia acidentada, somada ao crescimento urbano desordenado, fez com que os arquitetos buscassem soluções criativas para integrar as diferentes camadas da cidade. Isso inclui, por exemplo, o design de um metrô que passa por um edifício de 19 andares, ou o fato de muitos prédios possuírem andares mistos, onde o térreo pode abrigar um shopping ou escritórios, enquanto os andares superiores são residenciais.

Arquitetura como marca da cidade

Com o crescimento acelerado e os desafios impostos pela geografia, Chongqing desenvolveu uma arquitetura única, que, com o tempo, se tornou um grande atrativo turístico. A cidade é famosa pelas suas pontes interligando prédios situados em diferentes níveis, criando uma paisagem urbana que lembra um jogo de Tetris gigante.

Além disso, edifícios com formatos inusitados, como o Raffles City Chongqing, que possui um arranha-céu horizontal que conecta três outros prédios a 250 metros de altura, são exemplos de como a criatividade e a adaptação ao espaço urbano podem criar cenários impressionantes.

O Raffles City Chongqing, projetado pelo arquiteto israelense Moshe Safdie, é um exemplo claro dessa inovação. Esse complexo não só integra diferentes tipos de edificações, mas também cria um sistema de acessibilidade através de passarelas e ruas elevadas, conectando diversas áreas de lazer, comércios e até mesmo um parque. Esse design futurista e a utilização criativa do espaço fazem de Chongqing um destino que atrai turistas e profissionais da arquitetura do mundo inteiro.

Desafios e soluções criativas

Um dos desafios enfrentados pelos moradores de Chongqing é a falta de luz solar em algumas áreas. A disposição irregular dos edifícios, somada à grande quantidade de prédios altos e próximos uns dos outros, acaba dificultando o acesso à luz natural em determinados pontos da cidade.

Isso fez com que os planejadores urbanos adotassem soluções criativas, como a construção de pontes interligando prédios, garantindo maior fluidez e conectividade, e proporcionando mais opções de mobilidade entre diferentes níveis da cidade.

Além disso, a complexidade do layout urbano exige que os visitantes e moradores estejam atentos às várias saídas de edifícios, que podem dar acesso a diferentes ruas em diferentes níveis da cidade. A noção de “andar” ou “nível” acaba se tornando fluida, dificultando a localização exata de um lugar.

A cidade como uma obra de arte

Apesar das dificuldades que a cidade apresenta para quem a visita pela primeira vez, a beleza e a complexidade de Chongqing fazem dela uma obra de arte urbana. A combinação de arquitetura futurista, arranha-céus interligados por pontes e a iluminação noturna com neons coloridos transformam a cidade em um espetáculo visual.

A visão aérea de Chongqing é deslumbrante, com seus arranha-céus que parecem saltar das montanhas e se estender para o horizonte, criando uma paisagem única, reconhecida e admirada mundialmente. E mais do que apenas um centro comercial e urbano, a cidade é um reflexo da constante busca pela inovação e adaptação à natureza e à necessidade de espaços urbanos eficientes.

Para quem chega pela primeira vez, a sensação de estar perdido é quase inevitável. Mas, ao mesmo tempo, é esse caos aparentemente desordenado que faz da cidade um lugar fascinante e único. Ela representa a capacidade humana de inovar e criar soluções para viver em um ambiente urbano complexo, provando que, às vezes, o que parece confuso à primeira vista pode ser, na verdade, uma obra-prima de design e funcionalidade.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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