Nos últimos dias, o estado de São Paulo tem enfrentado uma onda de intoxicações graves causadas por bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, uma substância altamente tóxica.
Casos de internações e mortes vêm sendo registrados, acendendo o alerta entre consumidores e autoridades. A gravidade da situação ultrapassou as fronteiras paulistas e já há relatos em outros estados do país.
Diante do medo crescente, muitos brasileiros têm receio até de consumir uma bebida comum, temendo reações adversas ou consequências fatais.
Bebidas adulteradas já vinham sendo alertadas por bares desde março
Apesar do clima de surpresa e insegurança, uma reportagem do portal UOL revelou que o problema não surgiu de repente.
Desde março, moradores de bairros periféricos da capital paulista e do ABC já vinham ouvindo relatos e recebendo alertas informais de comerciantes sobre a circulação de bebidas “batizadas”.
O termo se refere à adulteração de produtos alcoólicos, geralmente com substâncias de baixa qualidade ou perigosas, usadas para baratear custos e aumentar lucros de forma criminosa.
Segundo a apuração, donos de bares e adegas já orientavam clientes de confiança a evitarem certos rótulos ou optarem apenas por garrafas lacradas de long necks.
Houve casos em que os próprios comerciantes admitiram a adulteração nos estoques, alertando consumidores mais próximos, especialmente os idosos, sobre os riscos de comprar determinadas marcas ou tamanhos de garrafa.
Essas recomendações ocorriam, principalmente, nas zonas leste e sul da cidade, e em cidades como Santo André e São Bernardo do Campo. Esses relatos sugerem que o problema já existe desde o início desse ano.
Bebidas estão sendo adulteradas com metanol
A presença do metanol, substância usada em produtos como solventes e anticongelantes, é o fator mais preocupante. Mesmo em pequenas quantidades, pode causar envenenamento severo.
Os sintomas incluem náuseas, vômitos, dores de cabeça, visão embaçada, e em casos mais graves, cegueira, coma e morte.
O consumo acidental desse composto tem causado ao menos três mortes, segundo o governo federal, e diversos outros casos estão sendo investigados em São Paulo e em cidades do interior.
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a origem das bebidas contaminadas e se há envolvimento de organizações criminosas. Enquanto isso, alguns bares já foram interditados e o governo estadual afirmou que irá rastrear a cadeia de distribuição para identificar os responsáveis.
A suspeita de que o esquema já operava há meses torna o caso ainda mais grave, revelando uma rede que pode ser maior do que se imaginava.






