O que deveria ser um refúgio humanitário tornou-se cenário de destruição. Em mais um capítulo alarmante do conflito na Faixa de Gaza, as instalações da Organização Mundial da Saúde (OMS) foram alvo direto de ataques militares israelenses na cidade de Deir al-Balah, no coração do território palestino.
O ataque atingiu tanto a residência de funcionários quanto o principal armazém de suprimentos médicos da organização. O que restou foi um cenário de cinzas, medo e colapso logístico.
Tanques na cidade, fogo no armazém
Pela primeira vez desde o início da guerra, há 21 meses, tanques israelenses adentraram Deir al-Balah, gerando explosões e incêndios em áreas civis e estruturas essenciais.
No centro dos alvos, estava o armazém central da OMS, que estocava medicamentos, kits de emergência e equipamentos médicos vitais para toda a população de Gaza. O ataque não só destruiu parte do prédio como também desencadeou saques em massa, protagonizados por uma população exausta, faminta e em desespero.
Não bastasse a destruição da infraestrutura logística, a residência da equipe da OMS foi bombardeada três vezes. Famílias inteiras, entre elas crianças, ficaram encurraladas no fogo cruzado, com relatos de trauma psicológico.
Mulheres e menores foram forçados a evacuar sob tensão, enquanto os homens da equipe foram submetidos a procedimentos humilhantes: algemados, despidos, interrogados sob ameaça de armas e, em alguns casos, detidos.
Sistema de saúde em ruínas
Com a destruição do armazém e o bloqueio de insumos médicos, a OMS declara estar quase incapacitada de oferecer suporte a hospitais e socorristas.
A crise se agrava em meio a uma situação de total colapso: falta de medicamentos, combustível escasso, hospitais funcionando sem anestésicos ou antibióticos e mortes por inanição sendo registradas diariamente. Em apenas 24 horas, ao menos 15 pessoas morreram de fome, segundo o ministério local.
Ajuda encurralada
A destruição das estruturas da OMS não é apenas uma violação de tratados internacionais, é uma afronta direta ao esforço global de preservar vidas em zonas de guerra.
A organização denuncia que “as linhas vermelhas estão sendo repetidamente cruzadas”, enquanto o espaço de atuação humanitária em Gaza diminui dia após dia. Cada ataque restringe ainda mais o alcance das missões médicas e agrava o sofrimento de milhões de civis.
Em comunicado oficial, a OMS lança um apelo urgente: pede a libertação imediata de um de seus funcionários ainda sob custódia militar, a proteção de suas instalações e equipes e, sobretudo, a entrada irrestrita de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.
Ao atingir diretamente instalações da OMS, o conflito ultrapassou mais um limite. Armazéns e residências de agentes humanitários não são alvos militares. São espaços protegidos pelo direito internacional e fundamentais à manutenção da vida em zonas de guerra.






