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Menopausa e gordura no fígado estão relacionadas? Entenda

Por Leticia Florenço
19/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Menopausa - Reprodução/iStock

Menopausa - Reprodução/iStock

A menopausa é um período natural da vida da mulher que traz mudanças hormonais e metabólicas significativas.

Além dos sintomas clássicos como ondas de calor, insônia e alterações de humor, uma preocupação que vem ganhando destaque é o acúmulo de gordura no fígado, uma condição chamada de esteatose hepática.

O que é a gordura no fígado?

A gordura no fígado ocorre quando há excesso de acúmulo de lipídios nas células hepáticas. Essa condição pode ser causada por diversos fatores, como excesso de peso, resistência à insulina, consumo de álcool, e agora, observa-se uma ligação crescente com o declínio hormonal da menopausa.

Consequências da esteatose hepática:

  • Fibrose hepática (cicatrização do fígado)
  • Cirrose
  • Câncer de fígado
  • Risco aumentado de doenças cardiovasculares

A esteatose, em sua fase inicial, costuma ser silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce.

Menopausa e suas alterações hormonais

Durante a menopausa, o corpo da mulher passa por uma queda acentuada na produção de estrogênio, um hormônio fundamental para a proteção metabólica.

Como a queda de estrogênio afeta o corpo?

  • Alterações no metabolismo da glicose (açúcar no sangue)
  • Aumento do colesterol ruim (LDL) e redução do colesterol bom (HDL)
  • Redistribuição da gordura corporal, com maior acúmulo na região abdominal (gordura visceral)
  • Redução da massa muscular

Essa mudança favorece o acúmulo de gordura no fígado, especialmente porque o estrogênio possui ação anti-inflamatória e antioxidante que protege o fígado.

Por que a gordura no fígado aparece mais na menopausa?

Estudos indicam que a prevalência de esteatose hepática em mulheres pós-menopausa é cerca de 20% maior do que naquelas em fase reprodutiva. Isso se dá porque:

  • A queda do estrogênio aumenta o estresse oxidativo e a resistência à insulina.
  • A gordura visceral, que é inflamatória, aumenta consideravelmente.
  • O fígado passa a acumular gordura de forma mais intensa, levando ao desenvolvimento da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).

O período mais crítico é a transição menopausal, que começa cerca de três anos antes da última menstruação e se estende até três anos após.

Sintomas e diagnóstico

A esteatose hepática é conhecida como uma doença silenciosa. Seus sintomas podem ser vagos e inespecíficos, incluindo:

  • Cansaço excessivo
  • Desconforto abdominal leve
  • Alterações discretas em exames laboratoriais (enzimas hepáticas elevadas)

Por isso, muitas mulheres só descobrem o problema durante exames de rotina, como ultrassonografia abdominal.

Diagnósticos possíveis:

  • Ultrassonografia abdominal (mais comum e não invasiva)
  • Exames laboratoriais do perfil metabólico (glicose, colesterol, enzimas hepáticas)
  • Biópsia hepática (padrão ouro, indicada em casos complexos)

Tratamento e prevenção

Terapia de reposição hormonal (TRH): Quando usada dentro da “janela de oportunidade” (até 10 anos após a menopausa), a TRH pode:

  • Reduzir a gordura no fígado
  • Melhorar a sensibilidade à insulina
  • Controlar o colesterol e a glicose no sangue

Mas não é um tratamento isolado, e seu uso deve ser sempre supervisionado por um especialista.

Mudanças no estilo de vida:

  • Alimentação saudável e balanceada
  • Atividade física regular
  • Controle do peso corporal
  • Evitar álcool em excesso

Medicamentos como a semaglutida vêm mostrando resultados promissores no controle da gordura no fígado ao melhorar o metabolismo e promover a perda de peso.

O acompanhamento médico especializado, a conscientização sobre os riscos e a adoção de hábitos saudáveis são as melhores armas para manter a saúde em dia durante e após a menopausa.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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