A menopausa é um período natural da vida da mulher que traz mudanças hormonais e metabólicas significativas.
Além dos sintomas clássicos como ondas de calor, insônia e alterações de humor, uma preocupação que vem ganhando destaque é o acúmulo de gordura no fígado, uma condição chamada de esteatose hepática.
O que é a gordura no fígado?
A gordura no fígado ocorre quando há excesso de acúmulo de lipídios nas células hepáticas. Essa condição pode ser causada por diversos fatores, como excesso de peso, resistência à insulina, consumo de álcool, e agora, observa-se uma ligação crescente com o declínio hormonal da menopausa.
Consequências da esteatose hepática:
- Fibrose hepática (cicatrização do fígado)
- Cirrose
- Câncer de fígado
- Risco aumentado de doenças cardiovasculares
A esteatose, em sua fase inicial, costuma ser silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce.
Menopausa e suas alterações hormonais
Durante a menopausa, o corpo da mulher passa por uma queda acentuada na produção de estrogênio, um hormônio fundamental para a proteção metabólica.
Como a queda de estrogênio afeta o corpo?
- Alterações no metabolismo da glicose (açúcar no sangue)
- Aumento do colesterol ruim (LDL) e redução do colesterol bom (HDL)
- Redistribuição da gordura corporal, com maior acúmulo na região abdominal (gordura visceral)
- Redução da massa muscular
Essa mudança favorece o acúmulo de gordura no fígado, especialmente porque o estrogênio possui ação anti-inflamatória e antioxidante que protege o fígado.
Por que a gordura no fígado aparece mais na menopausa?
Estudos indicam que a prevalência de esteatose hepática em mulheres pós-menopausa é cerca de 20% maior do que naquelas em fase reprodutiva. Isso se dá porque:
- A queda do estrogênio aumenta o estresse oxidativo e a resistência à insulina.
- A gordura visceral, que é inflamatória, aumenta consideravelmente.
- O fígado passa a acumular gordura de forma mais intensa, levando ao desenvolvimento da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).
O período mais crítico é a transição menopausal, que começa cerca de três anos antes da última menstruação e se estende até três anos após.
Sintomas e diagnóstico
A esteatose hepática é conhecida como uma doença silenciosa. Seus sintomas podem ser vagos e inespecíficos, incluindo:
- Cansaço excessivo
- Desconforto abdominal leve
- Alterações discretas em exames laboratoriais (enzimas hepáticas elevadas)
Por isso, muitas mulheres só descobrem o problema durante exames de rotina, como ultrassonografia abdominal.
Diagnósticos possíveis:
- Ultrassonografia abdominal (mais comum e não invasiva)
- Exames laboratoriais do perfil metabólico (glicose, colesterol, enzimas hepáticas)
- Biópsia hepática (padrão ouro, indicada em casos complexos)
Tratamento e prevenção
Terapia de reposição hormonal (TRH): Quando usada dentro da “janela de oportunidade” (até 10 anos após a menopausa), a TRH pode:
- Reduzir a gordura no fígado
- Melhorar a sensibilidade à insulina
- Controlar o colesterol e a glicose no sangue
Mas não é um tratamento isolado, e seu uso deve ser sempre supervisionado por um especialista.
Mudanças no estilo de vida:
- Alimentação saudável e balanceada
- Atividade física regular
- Controle do peso corporal
- Evitar álcool em excesso
Medicamentos como a semaglutida vêm mostrando resultados promissores no controle da gordura no fígado ao melhorar o metabolismo e promover a perda de peso.
O acompanhamento médico especializado, a conscientização sobre os riscos e a adoção de hábitos saudáveis são as melhores armas para manter a saúde em dia durante e após a menopausa.






