De acordo com um balanço do Ministério da Fazenda, empresas de diferentes setores deixaram de pagar cerca de R$ 414 bilhões em impostos federais no período entre janeiro de 2024 e abril 2025.
Empresários alegaram que o valor, que equivale a R$ 25,8 bilhões por mês, reduz o preço de produtos de consumo. Entretanto, um levantamento feito pelo jornalista Fernando Molica, do site Correio da Manhã, revelou que a isenção favoreceu até mesmo quem não os consome.
A Dairy Partners Americas (DPA), companhia do setor de alimentos, aparece no topo da lista das empresas que mais receberam incentivos fiscais, beneficiada com R$ 16 bilhões em isenções no período.
Já empresas como a Samsung e a Honda deixaram de pagar cerca de R$ 10,5 bilhões cada, enquanto a brasileira JBS, também do ramo alimentício, obteve cerca de R$ 4,9 bilhões em isenção.
Além dos benefícios diretos concedidos às empresas, a chamada desoneração da folha de pagamentos ainda fez com que representantes de 17 setores deixassem de pagar R$ 22,2 bilhões, enquanto o setor do turismo foi beneficiado com R$ 20,5 bilhões graças ao programa Perse.
Isenção bilionária de impostos não é novidade
A prática de conceder incentivos fiscais e desonerações a determinados setores não é recente, pois há anos, empresas vêm sendo favorecidas com o intuito de impulsionar a economia e fomentar áreas estratégicas.
No entanto, os valores inegavelmente chamam a atenção, uma vez que poderiam tender às principais demandas sociais, como a erradicação da fome e o desenvolvimento de políticas públicas de moradia.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia sinalizado em 2023 a intenção de ampliar a arrecadação tributária, com foco em atender demandas sociais. Porém, os números registrados no relatório mais recente indicam que as medidas podem ter enfrentado resistência tanto no Congresso quanto entre os segmentos empresariais.






