Nos últimos dias, uma nova modalidade de crédito chamou a atenção dos brasileiros: o Crédito do Trabalhador. Implementado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, essa linha de crédito visa facilitar o acesso ao financiamento para os trabalhadores com carteira assinada.
Em apenas duas semanas de funcionamento, o programa já liberou R$ 3,3 bilhões em empréstimos consignados, beneficiando centenas de milhares de trabalhadores em diversas partes do Brasil.
A modalidade do crédito do trabalhador
O Crédito do Trabalhador é uma linha de empréstimo consignado oferecida a empregados com carteira assinada, incluindo trabalhadores domésticos, rurais e Microempreendedores Individuais (MEIs), desde que não possuam outro empréstimo consignado vinculado ao mesmo vínculo empregatício.
A grande inovação desse crédito é que ele proporciona condições mais vantajosas do que as oferecidas por linhas tradicionais, com taxas de juros mais baixas.
O empréstimo consignado é uma modalidade em que as parcelas do crédito são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador. Isso garante maior segurança para as instituições financeiras, pois a cobrança é feita de forma automática, o que reduz o risco de inadimplência.
A principal vantagem dessa linha de crédito é a taxa de juros mais baixa, o que torna o empréstimo mais acessível aos trabalhadores que, de outra forma, poderiam se ver sobrecarregados por taxas elevadas em outros tipos de crédito.
Entre o lançamento do programa, em 21 de março, e 3 de abril de 2025, mais de meio milhão de contratos foram firmados, resultando em R$ 3,3 bilhões liberados para a população trabalhadora. Cada empréstimo teve, em média, o valor de R$ 6.209,65, e as parcelas mensais ficaram em torno de R$ 350,45, com um prazo médio de 18 meses para pagamento.
Distribuição por estado e região
- São Paulo e Rio de Janeiro lideram o uso do Crédito do Trabalhador, com R$ 1,1 bilhão concedido apenas nesses dois estados.
- São Paulo destaca-se com 131.306 contratos, somando R$ 848,7 milhões, com um valor médio de R$ 6.446,90 por empréstimo.
- Distrito Federal apresentou a maior média de empréstimos do país, atingindo R$ 9.809,75 por contrato, com um total de R$ 112,4 milhões em crédito liberado.
Além disso, o Mato Grosso e a Paraíba também chamaram atenção pelos valores médios de empréstimos. Enquanto o Mato Grosso registrou uma média de R$ 7.477,51 por empréstimo, a Paraíba, embora tenha a menor média de crédito, se manteve dentro das expectativas.
Inclusão digital e a comparação de propostas
A partir de 25 de abril, o sistema será ampliado, permitindo que todas as instituições financeiras ofereçam o Crédito do Trabalhador em suas plataformas digitais. O trabalhador poderá acessar as propostas através da Carteira de Trabalho Digital, o que facilitará a comparação entre as ofertas disponíveis, possibilitando a escolha da melhor opção.
Essa inovação visa promover mais transparência e competitividade entre as instituições financeiras, aumentando a chance de o trabalhador encontrar as condições mais vantajosas.
Garantias e os critérios para a concessão do crédito
Para acessar o Crédito do Trabalhador, as instituições financeiras consideram vários fatores, como o tempo de serviço do trabalhador, o valor do salário e as garantias oferecidas.
A modalidade permite que até 10% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e até 100% da multa rescisória sejam usados como garantia para o empréstimo. Entretanto, também é possível contratar o crédito sem a utilização dessas garantias.
Além disso, o valor das parcelas não pode ultrapassar 35% da renda mensal do trabalhador, evitando que ele se endivide além de sua capacidade de pagamento.
A meta do governo é que, ao longo de quatro anos, aproximadamente 25 milhões de trabalhadores sejam integrados ao sistema de crédito consignado privado, beneficiando-se de taxas mais baixas e melhores condições de pagamento. Essa inclusão pode ser crucial para milhões de trabalhadores que, até então, estavam fora do sistema bancário tradicional.
Reclamações sobre as taxas de juros
Embora a proposta do Crédito do Trabalhador seja oferecer condições mais vantajosas do que as existentes, o programa não está livre de críticas. Nas redes sociais, vários usuários apontaram que as taxas de juros ainda são elevadas, embora o ministro Luiz Marinho tenha afirmado que os juros praticados são significativamente mais baixos do que os aplicados em outros tipos de crédito.
De acordo com Marinho, a linha de crédito tem sido uma alternativa viável para quem tinha dívidas com taxas de juros altas. A crítica central, porém, é que nem todos os trabalhadores conseguem ter acesso às melhores condições, e a comparação entre as propostas ainda pode gerar insegurança.
A expectativa é que, com o tempo, a modalidade se torne uma opção ainda mais vantajosa e acessível, contribuindo para a recuperação econômica de milhões de brasileiros.