Pela primeira vez, cientistas conseguiram registrar em vídeo o processo completo de formação das paredes celulares em plantas vivas.
A descoberta, publicada na revista Science Advances, representa um marco para a biologia vegetal e abre caminhos para avanços em diversas áreas, desde a produção de biocombustíveis até o desenvolvimento de novos materiais sustentáveis.
VÍDEO: paredes celulares estão sendo construídas por plantas
A estrutura das paredes celulares é essencial para a vida das plantas. Elas fornecem proteção, sustentação e participam de funções vitais como o transporte de água.
O principal componente dessas paredes é a celulose, uma substância abundante na natureza, formada por longas cadeias de moléculas de açúcar.
Apesar de sua importância, até agora pouco se sabia sobre como exatamente a celulose era organizada para formar essas barreiras estruturais.
Usando células isoladas da planta Arabidopsis thaliana, os pesquisadores criaram um sistema de observação em tempo real.
Durante cerca de 24 horas, 14 células regenerativas foram monitoradas com intervalos regulares de seis minutos, com sessões adicionais capturando imagens a cada 20 segundos.
O resultado foi um registro visual inédito da montagem da parede celular. Veja no vídeo abaixo:
O estudo identificou quatro fases distintas no processo. Inicialmente, enzimas presentes na superfície celular liberam pequenos fragmentos de celulose. Esses fragmentos começam a se mover livremente, colidindo entre si.
Em seguida, eles se conectam, formando uma rede que vai se expandindo e se fortalecendo. Com o tempo, essa estrutura se torna uma malha densa e organizada, que dá origem à parede celular definitiva.
Desdobramentos do estudo sobre paredes celulares construídas por plantas
Mais do que apenas uma observação curiosa, a pesquisa oferece pistas valiosas sobre os mecanismos envolvidos na construção das paredes celulares.
Segundo os cientistas, a montagem ocorre em múltiplas escalas — combinando movimentação rápida dos fragmentos, crescimento contínuo das fibrilas e reorganização constante da rede de celulose.
Esse entendimento detalhado é estratégico para diversas indústrias. A celulose é base de produtos como papel, tecidos e combustíveis renováveis.
Saber como ela é formada permite tanto otimizar sua produção quanto criar métodos mais eficientes de decomposição, como no caso do etanol de segunda geração.
O biofísico Sang-Hyuk Lee, que acompanhou o estudo, afirma que a descoberta representa um salto significativo na compreensão dos processos básicos da vida vegetal.
O vídeo não é apenas uma novidade visual, mas uma ferramenta crucial para a ciência e a inovação tecnológica.