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O impacto da pandemia para gestantes e puérperas e a importância da vacina

Em 2021, aumento de mortes por Covid é três vezes maior em grávidas no Brasil. Entre as causas apontadas estão a baixa adesão à vacinação, desigualdade social e índice de cesáreas.

Por Jeanne Carvalho

05/07/2021 às 07h00 - Atualizada 29/06/2021 às 10h39

Representantes da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), do Ministério da Saúde e acadêmicos se reuniram para discutirem a necessidade de as grávidas serem consideradas do grupo de risco para a Covid-19 e a importância da adesão à vacinação por gestantes. Esse debate foi organizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP).

Segundo dados apresentados por Rossana Francisco, professora associada da disciplina de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (USP), dentre os óbitos causados por Covid-19 em 2021, em comparação a 2020, observou-se aumento de 315% nas mortes maternas, contra 109% da população geral, totalizando quase o triplo de fatalidades. Em 2020, do total de pacientes grávidas internadas por Covid, 7,4% vieram a óbito. Neste ano, a taxa subiu para 16,8%. Os índices mostram que o número de mortes passou de 10 para 42, por semana, respectivamente.

Rossana Francisco ressaltou que, apesar de as mortes agora serem por conta do aumento do número de gestantes infectadas, o Brasil, historicamente, é um país que trata a gestante mal. “A morte materna é um problema do sistema público e privado,”. Para o presidente do Conselho de Administração da Anahp e diretor do Hospital e Maternidade Santa Joana, Eduardo Amaro, “[o impacto da Covid-19 nesse grupo] se soma à situação de mortalidade materna em nosso país”, complementando Rossana, que deseja que “as lições aprendidas nessa pandemia possam nos guiar a ajudar a reduzir a morte materna”.

Na avaliação de Lely Guzmán, coordenadora da Unidade Técnica de Família, Gênero e Curso de Vida da OPAS/OMS, os dados refletem uma sociedade desigual. Desde o início da pandemia foram 14.042 casos em gestantes e puérperas brasileiras diagnosticadas com Covid-19, segundo números oficiais. Dessas, 2 em cada 3 morreram sem acesso a leitos. Em contraponto, Amaro, comenta que, no hospital onde atual, foram 1.146 casos, com apenas 0.96% de vítimas.

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Para a coordenadora do grupo técnico do Ministério da Saúde – Gestantes e puérperas x Covid-19, Rosiane Mattar, esse é um reflexo da realidade do Brasil. “O ruim de ser pobre no nosso país é que a paciente fica indo de um lado pro outro sem ter leito e sem ter prioridade”, comenta. Quando questionada, ela ainda afirmou que “a melhor idade gestacional para se vacinar é a que se está”, fazendo alusão à necessidade de vacinação urgente, independentemente do momento da gravidez. Guzmán acrescentou que é importante que a mulher se vacine, não somente contra o coronavírus, sempre seguindo a orientação médica.

Segundo Antônio Braga Neto, diretor do departamento de Ações Programáticas Estratégicas da Secretaria de Atenção Primária da Saúde (Dapes/Saps/MS), a vacinação contra a Covid-19 da população obstetra foi liberada como prioridade em maio de 2021, mas lembrou que foi preciso interromper para investigar a associação entre o efeito adverso de uma vacina específica e o óbito de uma gestante, o que acabou prejudicando a adesão do grupo.

Neto ressaltou também que a câmara técnica já afirmou, na Diretriz para Gestantes e Puérperas, que “não é necessário ser realizada cesárea em Covid-positivas”. A docente do departamento de Tocoginecologia da FCM/Unicamp, Adriana Luz, concorda. “A cesárea pode causar mais uma inflamação à paciente”, uma vez que a Covid-19 já provoca um quadro inflamatório no organismo. Para Luz, menos cesárea é uma forma de diminuir a morte materna, não somente durante a pandemia.

 

Fonte: ANAHP

Jeanne Carvalho

Jeanne Carvalho

Fisioterapeuta, acupunturista. Saúde da mulher e assistência humanizada ao nascimento. Cuidados do pré-natal ao pós-parto. Siga meu instagram.

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