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Manic Street Preachers encontra o ABBA e outras novidades musicais

Por Júlio Black

22/09/2021 às 07h00 - Atualizada 22/09/2021 às 08h50

Oi, gente.

Maior banda de rock do País de Gales e uma das preferidas da coluna, o Manic Street Preachers lançou no último dia 10 seu 14º álbum de estúdio, “The ultra vivid lament”, que chega três anos depois do trabalho anterior, “Resistance is futile”. Ao mesmo tempo que é um disco que vai agradar aos fãs de longa data _ este jornalista incluído _ do trio formado por James Dean Bradfield (vocal e guitarras), Nicky Wire (baixo e vocais) e Sean Moore (bateria), também surpreende pela pegada pop das composições, comparadas pela crítica ao que o ABBA (!) fazia lá pelos anos 70, além do igualmente imortal Echo & The Bunnymen.

A influência do quarteto sueco se deve, principalmente, pelo fato de que este é o primeiro trabalho dos Manics em que James Dean Bradfield compôs todas as melodias ao piano, instrumento que aprendeu a tocar durante a pandemia. Enquanto o vocalista cuidava da parte musical, Nicky Wire seguiu responsável pelas letras. Nenhuma delas, porém, trata da tragédia provocada pela Covid-19: o baixista foi influenciado por temas diversos, entre eles a morte dos pais, vítimas de câncer; a manipulação da informação e a “ressignificação” das palavras promovida pelos políticos; lembranças da primeira turnê do grupo ao Japão, em 1993, e do guitarrista Richey James, que desapareceu (cometeu suicídio?) em 1995; e as próprias inseguranças e fragilidades do músico ao refletir sobre o passado.

Graças a esses fatores, “The ultra vivid lament” vem sendo considerado o álbum mais pop do Manic Street Preachers, porém com a sinceridade no discurso que sempre marcou as composições da banda. Músicas como “Orwellian”, “Afterending”, “Blank diary entry” (com participação de Mark Lanegan), “Still snowing in Sapporo” e “The secret he had missed” (com Julia Cumming, da Sunflower Bean) são prova de que os Preachers ainda têm muito a dizer, mesmo com 35 anos de estrada nas costas.

Também no último dia 10, o Metallica fez dois lançamentos. Um deles é a versão remasterizada do chamado “Black álbum”, que completa 30 anos em 2021, além do álbum-tributo “The Metallica Blacklist”, com nada menos que CINQUENTA E TRÊS VERSÕES das canções que integram o disco balzaquiano. A iniciativa é válida se pensarmos que a renda dos discos, downloads e streamings será revertida para instituições de caridade, mas, ao mesmo tempo, é uma experiência musicalmente desigual, além de cansativa para o ouvinte.

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Com o álbum tendo mais de quatro horas (!) de duração, fica difícil ouvir as DOZE versões de “Nothing else matters” de uma só vez, enquanto outras músicas ganharam apenas uma versão. A solução poderia ser apelar para o shuffle, mas que não resolveria o problema; talvez montar uma playlist, mas sei lá. Por isso mesmo, só podemos fazer a Glória Pires e dizer que somos incapazes de opinar sobre o álbum como um todo; no máximo, tentar destacar o ecletismo dos artistas convidados, que vieram do hip-hop, country, música eletrônica, pop, jazz e R&B, entre outros, além do rock e do metal.

Para não deixar ah migos e ah migas perdidos, digamos que curtimos algumas versões inspiradas ou radicalmente diferentes cometidas por Mexican Institute of Sound, SebastiAn, Dave Gahan, Juanes, Kamasi Washington, Rodrigo y Gabriela, Moses Sumney, Portugal. The Man, Flatbush Zombies, St. Vincent, Miley Cyrus e Elton John e Goodnight, Texas. Até o Weezer ficou legal, mesmo que não invente muito, mas há outras pérolas para pescar no meio desse mundaréu de versões.

O último álbum a entrar em nosso radar foi “Último sol”, despedida fonográfica do grupo carioca Estranhos Românticos. Nós contamos em junho de 2020 a história da dissolução do quarteto: Luciano Cian (teclados), Marcos Müller (voz e guitarra), Mauk (baixo) e Pedro Serra (bateria) haviam entrado em estúdio ano retrasado para gravar o segundo disco, mas aí rolaram as famosas diferenças musicais e ploft!, a banda acabou. Porém, com 19 músicas adiantadas, os rapazes chegaram a um acordo para terminar as composições.

Parte delas foi lançada ano passado em “Só”, e as nove restantes _ mais um remix de “Mergulho no Saara” feito pelo duo Latexx _ chegaram ao streaming no último dia 15. Assim como nos álbuns anteriores, o tema da maioria das canções é o amor, cantado a partir de uma mistura simpática e sincera de indie, pop, rock, jovem guarda e psicodelia ouvida em músicas como “Boa noite, Copacabana”, “Sol” e “Me beija”.

Se o fim chegou para o Estranhos Românticos, pelo menos aqueles que não têm vergonha de amar ficaram com três belos álbuns de herança.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

Júlio Black

Júlio Black

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