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‘Loki’, ‘Lupin’ e… ‘Ted Lasso’!

Por Júlio Black

21/07/2021 às 07h00 - Atualizada 21/07/2021 às 10h15

Oi, gente.

O Universo Cinematográfico Marvel (MCU) é, ao mesmo tempo, uma armadilha e um desafio. No caso do desafio, é o de criar uma história gigantesca que já chegou a nada menos que 24 filmes com o lançamento de “Viúva Negra” – sem esquecer das séries -, em que todas as histórias precisam estar conectadas de alguma forma. E é aí que entra a armadilha, pois a liberdade do cidadão e cidadã que comanda a produção tem limites. Mesmo que seja possível deixar sua assinatura, não dá para criar algo totalmente fechado em si, tipo a trilogia do Batman que o Christopher Nolan dirigiu para a Warner Bros.

Por isso mesmo, a primeira temporada de “Loki” entra para a longa lista de séries e filmes da Marvel que criam expectativas que acabam não correspondidas, mesmo que o produto ainda seja bom. Desde o momento em que o Deus da Trapaça conseguiu fugir com o Tesseract na linha temporal criada em “Vingadores: Ultimato” (2019), sabíamos que ele retornaria em algum momento, o que se confirmou com o anúncio de sua série no Disney+.

Os trailers criaram a expetativa de que veríamos o personagem viajando pelo multiverso, mas o Marvel Studios tem seus próprios planos e o resultado é aquele que conhecemos: a série tem sua personalidade, mas a liberdade chega até a página 13 porque o multiverso vem aí, o bicho vai pegar e tudo está conectado e todos nós vamos chorar com “Vingadores 7”.

A série começa com Loki (Tom Hiddleston) sendo encontrado pela turma da AVT (Autoridade de Variância Temporal), que trabalha para manter imaculada a Linha do Tempo Sagrada determinada pelas entidades conhecidas como Guardiões do Tempo. Esses agentes são responsáveis por eliminar o que chamam de “variantes” – caso desse Loki alternativo – e resetar (apagar) as linhas temporais que se desviam daquela considerada a original. Um dos agentes, Mobius (Owen Wilson), entretanto, convence os demais colegas que o asgardiano pode ajudá-los a capturar uma variante renegada (Sophia Di Martino) que há tempos consegue fugir da AVT. Uma série de reviravoltas, traições e descobertas vão levar até o final da primeira temporada, em que é apresentado aquele que deve ser o grande vilão do próximo arco do MCU.

Apesar de parte do público ficar frustrado com as expectativas não correspondidas, “Loki” é uma ótima série se pensarmos no que ela mostrou durante os seis capítulos, com alguns momentos irregulares – principalmente o terceiro episódio. Além de preparar terreno para a ameaça do multiverso e Aquele Que Permanece (mas que conhecemos por outro nome), a produção acerta ao apresentar a AVT com toda sua burocracia e visual retrô, além de apresentar ótimos personagens.

Com mais tempo do que tinha nos filmes, Loki passa a ter mais tridimensionalidade do que o “Loki original” visto anteriormente no MCU, o que fez o asgardiano e o público perguntarem: “O que faz de um Loki um Loki?”. Pena que a pergunta meio que é esquecida na segunda metade da temporada, quando a necessidade de se confrontar os Guardiões do Tempo e mover as engrenagens do MCU cobram seu preço. Porém, o final de temporada deixou aquela sensação de que muita coisa boa vem por aí, com expectativas – que serão subvertidas, óbvio – lá em cima.

Também assistimos à segunda parte de “Lupin”, e a série francesa da Netflix continua com aquele roteiro deliciosamente absurdo. Afinal, sabemos que é impossível que o protagonista, Assane Diop (Omar Sy), consiga elaborar planos tão perfeitos e conseguir se safar nem que seja no último segundo. Mas é óbvio que adoramos quando a série mostra a “engenharia reversa” dos planos, recapitulando como eles foram executados, e aí esquecemos da conveniência da sorte de Assane, cortesia desse mesmo roteiro mirabolante.

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E é igualmente impossível não torcer para essa versão século XXI de Arsène Lupin, seja porque Assane tem todos os motivos do mundo para querer se vingar de Hubert Pellegrine (Hervé Pierre) ou pelo borogodó de Omar Sy, que dá aqueles sorrisos que até a polícia é capaz de dizer “ah, mas ele é tão gente boa!”. Com a devida suspensão da descrença, “Lupin” continua irresistível com sua trama inacreditável, mas que segue prendendo o telespectador.

Antes de terminar, uma pergunta: sabe aquela série que você gosta tanto, mas tanto, que assiste quase tudo em apenas um dia e quer recomendar para todos os amigos, comentar em todas as redes sociais? Pois a série que me provocou todas essas sensações nos últimos dias foi “Ted Lasso”, da Apple TV+.

Jason Sudeikis, um dos grandes comediantes descobertos pelo “Saturday Night Live”, interpreta o protagonista, um treinador de futebol americano que é contratado para comandar um pequeno clube inglês do futebol que é jogado com os pés, mesmo que não entenda nada de táticas e regras do esporte. É que a nova dona do clube quer que ele seja rebaixado por se tratar da maior paixão do seu ex-marido, que era o antigo proprietário.

“Ted Lasso” é dessas histórias que conquistam o espectador pelo roteiro, que mistura muito bem comédia, drama e romance, além do ótimo elenco. Jason Sudeikis é puro carisma no papel do protagonista, mas personagens como o capitão brucutu, a Maria Chuteira de bom coração, a dona do clube, o assessor capacho, o lateral direito nigeriano, o atacante habilidoso e arrogante e o pau-pra-toda-obra Nathan também ajudam a fazer de “Ted Lasso” uma das melhores séries da atualidade. Ah, e não podemos esquecer de Dani Rojas (“Football is life!”), o labrador humano da série.

A segunda temporada de “Ted Lasso” estreia na próxima sexta-feira (23), e dois dias são mais que suficientes para assistir a toda a primeira temporada. Depois que começar, duvido que o ah migo leitor e a ah miga leitora consigam parar. Eu não parei.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

(Entre uma série e outra, não deixe de seguir a playlist da coluna. Tem no Deezer e Spotify.)

Júlio Black

Júlio Black

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