Ah, mas é claro que precisamos conversar sobre “Vingadores: Guerra Infinita”

Por Júlio Black

16/05/2018 às 10h39 - Atualizada 16/05/2018 às 10h39

 

Seguinte: a coluna desta semana vai ter um monte de spoilers de “Vingadores:
guerra Infinita”, ok?
Spoilers.
Spoilers.
SPOILERS.
Esteja avisado.

Oi, gente.

“Vingadores: Guerra Infinita” estreou há quase três semanas, porém só agora a gente tem o tal do equilíbrio emocional pra comentar a respeito do filme – até porque era preciso assistir pela segunda vez à história tamanho foi o baque da primeira “experiença”. É prosa para mais de légua, por isso vamos tentar nos concentrar no básico.

Começando pelo fato de: sorry, periferia, mas o papai aqui estava certo (ai de quem duvidar) quando escreveu na matéria publicada em 22 de abril pela Tribuna que “‘Vingadores: Guerra Infinita’ não será o melhor filme da história. Dificilmente conquistará o posto de maior bilheteria de todos os tempos (…). Mas o longa da Marvel (…) pode ser considerado o maior filme da história da sétima arte (…).”

Então tá, por que raios “o maior filme da história”? Porque “Guerra Infinita” é o ápice da maior narrativa já criada para o cinema. Mas é narrativa, ok?, não é roteiro. Narrativa. Nar-ra-ti-va. O longa dirigido pelos irmãos Joe e Anthony Russo é o ápice de um universo que engloba nada menos que 18 filmes lançados desde “Homem de Ferro” (2008) e que amarra num mesmo pacote um monte de coisa que aconteceu desde então.

Claro que ninguém na Marvel pensava há dez anos “uau, vamos realizar esse filme com o Homem de Ferro, depois outros 17, e quando for 2018 colocaremos todo mundo junto para enfrentar o Thanos”, mas eles souberam se adaptar com o passar do tempo e criaram uma trama gigantesca, épica, em que fatos acontecidos no primeiro “Capitão América” (2011), por exemplo, têm repercussão até hoje. Quem imaginaria, por exemplo, que o Caveira Vermelha iria dar as caras novamente, ou que o Tesseract fosse uma das Joias do Infinito?

Pois aí a Marvel dá uma surra na DC/Warner. Não é questão da editora/estúdio do Batman, Superman imitar a concorrente, mas de ter uma coisinha chamada planejamento. Pensar cinco, seis filmes adiante, e não mudar tudo a todo instante, o que explica o triste fracasso de “Liga da Justiça”, que tinha tudo para ser um filmaço, mas não foi.

Outro exemplo da construção narrativa do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, em inglês) é o desenvolvimento dos personagens. Para quem assistiu a todos os filmes, é evidente que o Homem de Ferro, Capitão América, Gamora, Thor, Senhor das Estrelas, Hulk, Drax, Rocket, Doutor Estranho etc. são figuras bem diferentes daquelas que apareceram inicialmente. É uma turma que amadureceu, passou a ter uma nova visão de mundo, senso de responsabilidade, coisa que apenas as grandes sagas conseguem fazer – e que só é possível quando você desenvolve uma história por muitos e muitos anos.

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E já que falamos de desenvolvimento de personagens, “Guerra Infinita” só é esse filmão todo porque é um filme de decisões e suas consequências, um bocado delas tão difíceis quanto descobrir a velocidade de voo de uma andorinha europeia. E que envolve um pouquinho de desespero também, porque os heróis passam praticamente todo o filme em desvantagem em relação a Thanos, o vilão da história. Se produções como “O Império contra-ataca” são lembradas até hoje por serem aquelas em que os mocinhos se dão mal, em “Guerra Infinita” isso é levado a uma dimensão em que o que mais se via e ouvia no cinema eram pessoas chocadas com o que acontecia.

“Guerra Infinita” é, por isso, um filme de derrota, de choque, se olharmos só a parte dos heróis. Os primeiros dez minutos são uma porrada nas fuças do público, mais brutal que aquela barbárie do UFC, afinal não havia tempo a perder e os Irmão Russo mostraram “apenas” o Thanos eliminando metade dos asgardianos, dando uma surra histórica no Thor e Hulk, matando Heimdall e Loki – que morte brutal, aliás – e partindo em frente como se fosse mais um dia no escritório. Depois tem o sofrimento infinito do Visão, o assassinato de Gamora, Vingadores e Guardiões da Galáxia conseguindo pequenas vitórias contra os lacaios da Ordem Negra – que foi a luta da Viúva Negra, Okoye e Feiticeira Escarlate contra a Próxima Meia-Noite, minha gente? E aquele Thor que chegou quebrando tudo?

 

 

Mas, quando o assunto era Thanos, não havia quem desse conta do Titã Louco. Joe e Anthony Russo não estavam de brincadeira quando disseram que o personagem principal de “Vingadores: Guerra Infinita” seria o grandalhão roxo. O filme é uma verdadeira “jornada do vilão”, com Thanos sendo mostrado como um sujeito que sabia o que queria, disposto a tudo para alcançar seu objetivo – mesmo que precisasse matar aquilo que mais amava – e que era cruel (só lembrar a brutalidade da segunda morte do Visão), implacável, mas com toda uma gama de sentimentos que envolvia angústia, dor e fé no que acreditava ser melhor para o universo: eliminar metade de sua população. Feito que ele alcançou no final do filme e deixou todo mundo sem palavras, e cada morte de herói era mais chocante que a outra. A do Homem-Aranha, então, dói na alma até hoje ao lembrar do medo nos olhos de Peter Parker enquanto falava com o Homem de Ferro.

Pois se esse montão de fatores já seria suficiente, em separado, para que o filme ganhasse um caminhão de superlativos, juntos eles fazem com que “Vingadores: Guerra Infinita” tenha algo que poucas produções conseguem, e que é um dos grandes feitos de uma obra de arte: subverter e superar as expectativas do público, e surpreendê-lo como raramente se vê. Este seu ah migo, por exemplo, assistiu a todos os filmes do MCU, leu tudo o que era possível sobre “Guerra Infinita”, escreveu uma matéria de sete páginas sobre o filme, e mesmo assim não estava preparado para o que viu no cinema no dia 26 de abril. Aquele final, com Thanos enfim relaxando depois de matar metade do universo, foi o desfecho mais acachapante para uma história que surpreendeu e chocou do início ao fim.

O que resta? Assistir ao filme novamente e novamente e novamente, tentar pescar algum detalhe que passou batido, esperar por “Homem-Formiga”, “Capitã Marvel” e contar os 351 dias que faltam para “Vingadores 4”, que estreia apenas em 2 de maio de 2019.

Ah, e também vamos criar nossas teorias sobre o que vai acontecer, mas isso é tema para a coluna da próxima semana.

Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

#ThanosVoltará.

Júlio Black

Júlio Black



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