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Sobre psicopatas de bigode e vikings sanguinários

Por Júlio Black

15/11/2017 às 07h02 - Atualizada 14/11/2017 às 15h59

Oi, gente.

Eu a e A Leitora Mais Crítica da Coluna estamos há quase 17 meses lidando com a entrada de Antônio, O Primeiro de Seu Nome, em nossas vidas. Um dos efeitos desse cotidiano de troca de fraldas, visitas ao médico, passeios na pracinha, banho, sono eternamente fatiado, Galinha Pintadinha na TV, “Cadê o neném? Ah, meu teclado!” é que fica difícil, muito difícil, mantermos o ritmo das séries a dois. De vez em quando, porém, nossos relógios sincronizam, aí tentamos tirar o atraso.

Foi assim que começamos a assistir a “Mindhunter”, série da Netflix com a participação do diretor David Fincher (“Se7en”, “Clube da Luta”) e que é boa demais da conta pra recomendarmos aos ah migos e ah migas. A história, passada no final dos anos 70, mostra dois agentes do FBI (papéis de Jonathan Groff e Holt McCallany) que foram responsáveis por estudar a mente de criminosos como Charles Manson, que desde então passaram a ser chamados de serial killers.

O mais legal em “Mindhunter” é que você não vê perseguições, trocas de tiros, nenhum desses clichês de séries policiais. A graça do programa está nas investigações realizadas pelos dois agentes, da forma como seus estilos e personalidades se completam, mas, principalmente, os momentos em que eles entrevistam os criminosos. É ali que as teorias então válidas, de que gente capaz de matar, trucidar e fazer o ser humano alheio de picadinho, eram simplesmente loucos ou malignos por natureza.

Há quem reclame do ritmo lento de “Mindhunter”, mas um de seus predicados está justamente em percorrer este caminho tortuoso com os protagonistas, além da primorosa reconstituição da época, a fotografia e a trilha sonora. Os cinco primeiros episódios, pelo menos, valem a pena, ainda mais com a presença da necessária e absoluta Anna Torv (“Fringe”).

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E terminamos, enfim, glória glória aleluia, amém, a quarta temporada de “Vikings”. Taí uma série que melhora com o tempo, que não tem pena de deixar personagens para trás, mudar seus propósitos e importância na trama, e mostrar que toda ação pode ter seus efeitos cobrando o preço muitos anos depois. Foi o caso do protagonista Ragnar Lothbrok, que depois do fracasso na invasão a Paris decide voltar para a Bretanha a fim de encarar os erros do passado.

O acerto de contas de Ragnar, os conflitos em Kattegat e a viagem de Bjorn até o Mediterrâneo são algumas das (boas) desculpas para vermos gente morrendo pra todo lado, muita vingança, traição, tragédia, sonhos de conquista, aventura, guerra, sangue, tortura, mutilação.

Como diria o Milton Leite: que beleza.

Para nossa alegria, “Vikings” retorna para sua quinta temporada já no final deste ano, e aí é questão de arrumar espaço entre outras séries que já estão na fila: “Alias Grace”, “The deuce”, “The Good Place”, “Stranger things”, “Justiceiro”… Melhor parar antes que a angústia tome conta de nossos corações ocupados.

Vida longa e próspera para A Leitora Mais Crítica da Coluna, razão do meu afeto, sol do meu dia e lua da minha noite. E obrigado pelos peixes.

Júlio Black

Júlio Black



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