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Os novos trens musicais que ouvimos por aí

Por Júlio Black

15/05/2019 às 10h47 - Atualizada 15/05/2019 às 10h47

Oi, gente.

Mantendo a tradição (?) surgida sei lá quando, voltamos a comentar alguns dos principais lançamentos musicais que chegaram aos nossos ouvidos nas últimas semanas. Desta vez, tivemos acesso ao novos álbum do Bad Religion, decanos do hardcore norte-americano; ao segundo trabalho do Filthy Friends, que reúne alguns nomes da primeira divisão do indie rock dos Estados Unidos; ao quarto álbum d’O Terno; e ao balanço sempre contagiante dos Chemical Brothers.

Em algum momento do futuro próximo teremos mais, afinal Morrissey e The National já anunciaram que tem coisa nova chegando por aí.
Vida longa e próspera. E obrigado pelos peixes.

FILTHY FRIENDS, Emerald Valley

Nós sempre ficamos animados com o surgimento de supergrupos como o Them Crooked Vultures, pois é a oportunidade de ver o que rola quando um bando de feras unem seus talentos em busca da boa música. E o Filthy Friends, que chega ao seu recém-lançado segundo álbum, tem uma formação que faz valer o rótulo de supergrupo indie: Corin Tucker (Sleater-Kinney) nos vocais; Peter Buck (ex-R.E.M.) na guitarra; Scott McCaughey ( The Young Fresh Fellows e The Minus 5, e que tocou com o R.E.M.) no baixo; Linda Pitmon (Steve Wynn & The Miracle 3, The Baseball Project) na bateria; e Kurt Bloch (Fastbacks, The Young Fresh Fellows e The Minus 5) na outra guitarra.

Pois o sucessor de “Invitation”, lançado em 2017, não reinventa a roda, não é divisor de águas, mas cumpre muito bem o seu trabalho de reunir uma seleção de ótimas músicas, transitando entre o rock característico da ex-banda de Peter Buck, o blues, o indie rock, reminiscências bem leves da country music e o rock and roll em sem DNA mitocondrial.

As letras de Corin Tucker se aliam ao belíssimo trabalho vocal da moça, tratando de temas atuais da política e sociedade americana, seja a questão dos imigrantes, políticos desonestos, imigração, meio ambiente – ou seja, tem de tudo um pouco do que acontece na ex-terra de Obama. Para os curiosos, os destaques vão para músicas como “November Man”, a faixa-titulo, “Last Chance County”, “Hey Lacey” e “Only lovers are broken”.

O TERNO, <atrás/além>

A crítica musical vem tentando de todas as formas classificar <atrás/além>, o quarto álbum d’O Terno, como uma prova do “amadurecimento” de seu vocalista e principal compositor, Tim Bernardes. Pior: tentam enfiá-los à força nesse abominável beija-mão da MPB, em que o artista só chega ao tal “amadurecimento” quando tem música gravada por uma Gal Costa da vida.

Pois esqueça essa tentativa de colocar o trio paulistano como o próximo Los Hermanos e Tim Bernardes como o Marcelo Camelo da vez – nada contra a banda e o artista, mas essa exigência de uma “bênção” por conta dos medalhões da MPB é insuportável. <atrás/além> é, sim, uma evolução na sonoridade do grupo, por conta dos novos caminhos desbravados, algo sempre buscado pelos rapazes a cada trabalho. As letras, com certeza, são fruto do novo momento vivido pelo seu frontman, que analisa relacionamentos que chegaram ao fim, a solidão, os recomeços, a saída da casa dos pais, a passagem do tempo e a geração que mal chegou aos 20 anos, sejam hipsters, millenials ou outros rótulos que causam calafrios.

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Sem se levar pelo oba-oba, podemos curtir o fato de que O Terno, assim como todos nós, não somos os mesmos de antigamente. É assim que músicas como “Profundo/Superficial”, “Tudo que eu não fiz”, a faixa-título, “Pra sempre será”, “O bilhete”, “Pegando leve” e “Volta e meia” não só causam identificação imediata como também deixam aquela vontade de ouvir de novo e de novo e mais uma vez.

Mesmo sem ser tão rock como se imagina que o rock é, <atrás/além> está muito acima da atual mediocridade reinante no mainstream roqueiro brasileiro, e vai entrar fácil na lista dos melhores do ano.

THE CHEMICAL BROTHERS, No Geography

Os Chemical Brothers são os responsáveis por uma dessas epifanias musicais quando ouvi pela primeira vez, lá em 1996, o clássico “Setting Sun”, com vocais de Noel Gallagher (Oasis) e videoclipe de encher os olhos. É de perder a conta as ocasiões em que coloquei no estéreo álbuns como “Dig you own hole”, “Exit planet dust”, “Come with us”, “Surrender”, e repeti à exaustão músicas da categoria de “Hey boy, hey girl”, “Life is sweet”, “The Golden Path”, “It began in Afrika”, “Out of control”, “Block rockin’ beats”, “The Private Psychedelic Reel”, “Leave home”, “Let forever be”, “The Salmon Dance”…

Pois o nono álbum dos pioneiros do big beats mantém o nível lá cima e não tem medo de elevar o sarrafo mais um pouco. Tom Rowlands e Ed Simons sabem do que o povo gosta, e “No Geography” está na praça com faixas dançantes, viagens eletrônicas e batidas de quem entende do riscado, que o fã pode curtir na pista de dança (pena que os DJs farofeiros made in Brazil ignorem os caras desde sempre em detrimento da porcaria pasteurizada de sempre), no volume máximo em nossos aposentos imperiais ou nos fones de ouvido, oportunidade de uma trip daquelas enquanto a paisagem vai mudando.

“No Geography” chega com as classudas “Free yourself”, “Bango”, “Eve of destruction”, “Gravity drops”, “We’ve got to try” e “MAH”, só para destacar algumas, mas se você for da turma que foge do playlist aleatório do streaming, recomendamos fortemente ouvir o álbum de cabo a rabo.

BAD RELIGION, Age of Unreason

O Bad Religion já tem quase quatro décadas de ótimos serviços prestados ao punk rock, hardcore e à galera ligada em letras que descem a lenha no sistema, nos políticos, capitalismo, religião, sociedade mídia e outros assuntos do mundo contemporâneo. “Age of Unreason”, o 17º álbum de estúdio do grupo californiano, mantém a pegada capaz de agradar aos mais antigos e renovar o público do quinteto, que sempre ganha novos adeptos a cada álbum.

E “Age of Unreason” já diz a que veio desde o início, com a sequência “Chaos from within”, “My sanity”, “Do the paranoid style” e “The approach”. Há algumas faixas mais lentas no meio do caminho, mas é o hardocre nosso de cada dia que mantém o pique na maioria das 14 faixas (são 15 no CD), com a pancadaria voltando a ditar o ritmo na faixa-título, “Old regime” e “What tomorrow brings”.

Júlio Black

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